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#3 Aos olhos do Mister: Posicionamento Defensivo e suas componentes fundamentais

Jorge Jesus, nesta semana que apesar de difícil devido à conjetura social da mesma e a sua situação médica, aproveitou uma entrevista a um canal brasileiro, para nos brindar com mais uma aula completamente grátis, (como já o tinha feito há uns largos anos atrás numa palestra aberta na faculdade de motricidade humana), desta vez o tema foi o posicionamento defensivo e as componentes que o mesmo entende fundamentais para o jogador poder decidir qual a melhor opção dentro das aprendizagens que possuem.


O mister define 5 componentes, mas só revelou duas e deixou as restantes três abertas a reflexão.

Em relação as duas transmitidas pelo treinador do Flamengo, que são a bola e o jogador, são já bastante abordadas e algo geral aplicado em quase todos os escalões e contextos do futebol quer nacional quer internacional.

A dúvida surge em quais seriam as outras três que são importantes para definir o posicionamento defensivo dos seus atletas. Depois de algum debate entre treinadores/analistas do jogo de futebol deixo uma sugestão para os elementos em falta.

Zona/Espaço do campo: em que zona do terreno de jogo ocorre a situação do momento defensivo.
Posicionamento dos Colegas: De que forma os nossos colegas estão posicionados no campo.
Posicionamento do adversário: de que forma os nossos adversários estão posicionados no campo.

Construindo assim as cinco componentes abordados pelo treinador português:
– A bola
– O jogador
– Zona/Espaço do campo
– Posicionamento dos colegas
– Posicionamento dos adversários


Aproveitando a reflexão acima e tendo em conta os momentos defensivos, iremos abordar o momento do cruzamento e o que estes princípios nos podem dar para conseguir resolver com uma elevada percentagem de sucesso estas situações, que muitas das vezes em superioridade numérica defensiva resultam a mesma em golo.

Recentemente, no maior patamar do futebol de clubes, a Liga dos Campeões, o Liverpool apesar de ter sido eliminado conseguiu por duas vezes marcar frente ao Atlético Madrid, com ambos os golos a surgirem através de cruzamentos. Para quem viu o jogo, não será surpresa perceber que o Atlético jogou com um bloco recuado, com muitos homens em zonas defensivas e, mais especificamente, dentro da área. Mas se existia superioridade do Atlético, e se os avançados e médios do Liverpool não são mais fortes pelo ar do que Felipe, Savic e restantes membros da defesa do Atlético, como é que surgiram os golos do Liverpool? Voltamos então às palavras e às tais referências que Jorge Jesus falou, mostrando diferentes exemplos que irão alimentar uma discussão que, internamente, já a tivemos inúmeras vezes.

Neste primeiro caso, vemos que num momento inicial, o Atlético está bem organizado e preparado para defender o cruzamento numa área recuada. No entanto, quando a bola (ou seja, a referência) mudou para a linha de fundo, a linha defensiva do Atlético, com Felipe em destaque, não foi capaz de se manter focada nas diferentes referências defensivas, neste caso perdendo a noção de onde se encontrava o jogador adversário.

Um exemplo parecido, onde há uma primeira tentativa de cruzamento e a equipa do Cagliari está muito bem posicionada em relação à bola, ao espaço entre os colegas de equipas e os espaços definidos a ocupar, mas também com referências do posicionamento adversário. Após o primeiro cruzamento, perderam-se algumas referências quanto ao espaço e quanto aos adversários, como demonstramos no vídeo.

Num último exemplo, temos uma situação menos organizada, que se inicia numa transição (com falta de apoio da linha média aos defesas), mas que termina numa situação de cruzamento, com a linha defensiva organizada e sem qualquer adversário na área. A bola acabou por entrar no espaço frontal à baliza, à entrada da área, onde estão 3 jogadores da equipa do Vitória com apenas um jogador do Sporting de Braga. Mais uma vez, independentemente da superioridade numérica defensiva, o espaço e os adversários não foram controlados da melhor maneira, permitindo a finalização e golo que decidiu a partida.

O principal foco da nossa discussão centrou-se nos princípios defensivos em zonas de finalização. A maioria das equipas defende, de uma forma geral, à zona, algo que se apresenta como uma excelente maneira de controlar os espaços dentro do próprio bloco, preparando também as respetivas zonas de pressão. No entanto, lances como os que apresentámos acontecem todas as semanas , onde a linha defensiva, posicionada à zona, se encontra em superioridade mas acaba por sofrer golo. Com a intenção de tentarmos corrigir alguns destes erros nas nossas próprias equipas, mas também para debatermos diferentes opiniões, decidimos tentar aplicar as tais referências defensivas que adoptamos nos restantes momentos e zonas do campo, para o momento do cruzamento e defesa em zonas de finalização.

Se a ordem de relevância das diferentes referências se pode considerar: bola, depois colegas, depois espaço e só depois adversário, em zonas junto à área é percetível que o posicionamento do adversário se torna mais relevante, visto que se encontra em zonas muito próximas da baliza e que existe menos margem de erro ou basculação dos defesas como acontece noutras zonas do campo. “Referências individuais”, posicionamentos entre o jogador adversário, a bola e a baliza, orientação corporal, deslocamento dentro da área ou mesmo técnica defensiva individual, todos estes fatores se tornam muito importantes.

Com isto, concluímos que é importante establecer a nossa defesa à zona, conhecendo os espaços que queremos controlar não só entre os membros da linha defensiva, mas também com o apoio dos médios, no entanto, é sempre importante manter a referência do adversário e, dentro dos princípios da defesa à zona, saber que existem momentos em que se terão que assumir comportamentos focados no homem. Deixamos um exemplo que achamos oportuno, com Ranocchia em destaque pelo seu comportamento individual, dentro da estrutura defensiva coletiva. Decidimos realçar o seu acompanhamento do Homem, controlando o espaço entre o jogador e a baliza, mas também com a referência da linha da bola como algo a ter em conta para comportamentos individuais neste tipo de situação.

Com isto, não pretendemos dar uma resposta, mas sim alimentar esta discussão para podermos ter outros pontos de vistas, criar dúvidas nas nossas “certezas” individuais e ampliar o nosso espetro no que toca a este tema tão profundo e com tantas variáveis. Em qualquer uma das nossas redes sociais, não hesitem em participar na discussão e deixar o vosso ponto de vista. 

AUTORES: Ricardo Camacho & Rodrigo Carvalho