5 jovens a seguir da Super Liga Chinesa

5 jovens a seguir da Super Liga Chinesa

5 jovens jogadores chineses a seguir na Super Liga

O futebol chinês tem crescido a largos passos para se tornar numa das maiores potências mundiais. Vários milhões de yuans são investidos não só para aliciar jogadores extracomunitários de maior reputação, mas também para fazer crescer o futebol base num país onde a cultura desportiva nunca existiu verdadeiramente. Aos poucos, e com a influência de vários profissionais de outros cantos do mundo, a evolução tem sido gradual e, no futuro, os jovens talentos que desde as escolas de formação de clubes/franchise demonstram uma maior aptidão futebolística, poderão deixar a sua marca tanto a nível nacional como internacional. Estão são alguns dos casos mais emergentes.

 

Gao Zhunyi – 22 anos – Defesa Central – Hebei China Fortune

Gao Zhunyi é um dos vários jogadores sub-23 que tem deixado excelentes impressões na Super Liga. Faz parte de um leque jovens centrais que despontam atualmente ao serviço de outros clubes, como Liu Yiming (Tianjin Quanjian) ou Huang Zhengyu (Guangzhou R&F), e que contam com uma grande margem de progressão.

Zhunyi, que chegou inclusive a fazer história no Japão, tornando-se no terceiro futebolista chinês a atuar nos campeonatos profissionais do país vizinho ao serviço do Kataller Toyama, foi recrutado pelo Hebei China Fortune ao rival Shandong Luneng em 2016, a título de empréstimo, e o seu talento fez com que o conjunto orientado por Manuel Pellegrini investisse na sua contratação a título definitivo no início da temporada de 2017. É internacional pelos vários escalões da República Popular da China, e, depois de ótimas prestações, surgiu a chamada para a primeira equipa a mando de Marcelo Lippi a 10 de janeiro do ano passado, num encontro frente à Islândia.

Com 22 anos, Zhunyi demonstra uma grande serenidade dentro de campo. É alto (1,86 m), tem uma envergadura física razoável e ótimo jogo aéreo, mas é sua a leitura de jogo que o faz sobressair dos demais, tanto na fase de construção, como no processo defensivo e ofensivo. Bom tecnicamente, no passe curto e longo, rápido e sempre muito atento ao controlo da profundidade. A titularidade absoluta sob o comando de Pellegrini não é fruto do acaso.

 

He Chao – 22 anos – Médio Defensivo – Changchun Yatai

He Chao é um dos muitos jogadores chineses que se aventuraram nas divisões inferiores do futebol português no passado. Ingressou nas camadas jovens do Casa Pia em 2011 por empréstimo do Changchun Yatai, fruto do projeto ainda em atividade da Federação Chinesa, tendo regressado dois anos depois ao seu país natal. Em 2014 debutou pela primeira equipa e, desde esse momento, a sua evolução tem sido notável.

Nos dias que correm, Chao, aos 22 anos de idade, é um dos pilares do meio-campo da equipa de Changchun. Por outro lado, sempre alimentou a esperança dos adeptos face às suas prestações com a camisola da Seleção, nos mais diversos escalões, inclusive com a braçadeira de capitão envergada. Marcelo Lippi não tardou em promover a sua primeira internacionalização, a 9 de novembro de 2017, e da boca do técnico italiano surgiu o melhor elogio possível. De acordo com as suas palavras, He Chao será o sucessor de Zheng Zhi num futuro próximo. Algo que acarreta uma responsabilidade enorme.

De facto, o jovem médio ocupa a mesma posição que o compatriota e veteraníssimo elemento do Guangzhou Evergrande Taobao. Apesar de poder desempenhar as funções de um 8, a sua posição natural é a de número 6. Um médio-defensivo de recorte fino. Capta muito bem os momentos do jogo e o seu critério no passe ajuda a equipa a construir/gerir de forma bem trabalhada. Não é um jogador que prima pela intensidade nem pela recuperação de bolas, mas sim pela parte mais técnica. Um pêndulo que equilibra a equipa muito em função da sua perceção táctica. Dentro de alguns anos, a mudança para um conjunto com outro tipo de ambições será um cenário bem real.

 

Wei Shihao – 22 anos – Extremo – Beijing Guoan

Wei Shihao também deixou a sua marca em Portugal. O jovem extremo formado na reputada academia do Shandong Luneng, transferiu-se para o Boavista em idade júnior a título de empréstimo em 2013. No ano seguinte, assinou a custo zero pelos axadrezados e, nas duas épocas desportivas seguintes, rodou por outros dois clubes. Seguiu-se o Feirense e depois o Leixões, clube de Matosinhos onde chegou a disputar muitos minutos e que lhe valeu um bilhete para a Super Liga Chinesa. O seu rendimento despertou o interesse do Shanghai SIPG, comandado até então por André Villas-Boas, que não duvidou em apostar numa cedência temporária no ano transacto.

Shihao foi aproveitando os minutos concedidos pelo técnico português e deixou alguns apontamentos relevantes. Apontou quatro golos – alguns de belo efeito – e somou ainda quatro assistências no total. Quando tudo fazia prever que Vítor Pereira iria garantir a sua permanência, eis que o Beijing Sinobo Guoan entrou em cena e decidiu apostar na sua aquisição em definitivo.

Com 22 anos, Wei Shihao apresenta-se como uma das maiores esperanças do futebol chinês da atualidade. Um extremo rápido, tecnicista e que, apesar de destro, ocupa normalmente a faixa esquerda. É muito ágil, bom no drible em progressão, fortíssimo no 1×1 ofensivo, assim como nos movimentos interiores, ao que junta, ainda, um excelente remate. Pode vir a ser uma das armas secretas de Roger Schmidt, caso o tempo de jogo permita uma evolução saudável das suas aptidões.

No panorama internacional, a sua estreia coincidiu com a de He Chao e, até ao momento, leva 2 golos em apenas 3 presenças pela Seleção AA.

 

Wu Xinghan – 25 anos – Extremo – Shandong Luneng

Um pouco mais velho que os restantes mas Wu Xinghan é mais um jogador de ataque que tem deixado muito boas indicações na Super Liga Chinesa.

Formado e desde sempre atuando nos escalões de formação do Shandong Luneng, Xinghan, aos 25 anos, é hoje uma presença assídua no onze dos ‘Guerreiros Laranjas’.

Extremo puro, de maior envergadura (1,83 m) em relação aos elementos da mesma posição, que demonstra uma técnica apurada quer no cruzamento, quer no 1×1. É um pouco diferente de Wei Shihao, no capítulo do drible e da irreverência, mas é um jogador que apresenta outro tipo de virtudes. Mais forte nos duelos aéreos e no contato físico, mais sereno no momento da receção, com uma maior perspetiva tática do jogo e do próprio espaço. Não é goleador nem um jogador que impressione pelo número de assistências. No entanto, trabalha muito em prol da equipa. O seu grande problema será sempre o temperamento. É demasiado impulsivo em certas ações e acaba por ser penalizado frequentemente.

Não conta com nenhuma internacionalização, por enquanto, mas não tardará muito para que chegue a brilhar a esse nível.

 

Hu Jinghang – 20 anos – Avançado – Shanghai SIPG

Hu Jinghang, avançado de apenas 20 anos de idade, é outro nome a reter.

Produto da prestigiosa academia do Shanghai SIPG, Jinghang regressou de novo à equipa principal após um empréstimo muito produtivo ao Henan Jianye. Em 2017, realizou um total de 27 jogos, marcou 3 golos e assistiu os seus companheiros por 4 ocasiões. Agora, será uma alternativa viável a Elkeson na frente de ataque da formação de Vítor Pereira, muito por culpa das regras implementadas pela Federação.

É um ponta-de-lança alto (1,83 m), mas móvel, tanto que pode atuar nas faixas e até atrás do avançado. Tem presença na área e sentido de oportunidade, é forte nos duelos aéreos e no jogo de costas para a baliza, e, apesar de não ser um jogador particularmente desequilibrador nem veloz, tem uma técnica razoável.

Foi titular na primeira partida das ‘Águias Vermelhas’ para o campeonato, na goleada por 8-0 sobre o Dalian Yifang, e contribuiu com uma assistência primorosa para o primeiro golo da partida, apontado por Oscar, aos 28 segundos de jogo. Ao que tudo indica, irá tornar-se presença regular nas opções do ex-treinador do TSV 1860 München, alternando com Elkeson, claro está, e Lü Wenjun.

Sobre o Autor

Ricardo Lestre

Detentor de Mestrado em Jornalismo e Comunicação na Universidade de Coimbra, desde miúdo que desenvolveu um enorme vício pelo futebol, praticando-o durante uma década. Segue por todo o mundo a atualidade do desporto-rei, com algum foco no certame asiático. Aspirante a analista e fascinado pela vertente táctica do jogo assim como pelo scouting.

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