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Análise à Supertaça de futebol feminino 2019

Começou no passado fim de semana o futebol feminino que opôs o atual campeão nacional, o SC Braga ao vencedor da taça de Portugal e da 2ª divisão, o SL Benfica. Jogo grande para iniciar a época entre duas equipas que estarão na disputa do título nacional esta época. Esperava-se um jogo equilibrado em princípio de época, sendo o primeiro jogo oficial para o SL Benfica e com o SC Braga já com mais ritmo tendo em conta os jogos disputados para a Liga dos Campeões Feminina.

O Benfica apresentou-se com Dani; Daiane, Sílvia Rebelo, Raquel Infante, Yasmin, Pauleta, Andreia Faria, Evy, Darlene, Cloe e Nycole num 4x3x3 com Pauleta e Faria mais atrás e Darlene com mais liberdade no meio-campo. Já o Braga optou por jogar de início com Rute Costa, Shade Pratt, Vanessa, Uchendu, Dolores, Keane, Ágata Filipa, Diana Gomes, Inês Maia, Denali Murnan e Rayanne, apresentando algumas surpresas relativamente aos jogos anteriormente feitos. Com o sistema muito parecido ao seu adversário, a principal diferença estava no meio-campo onde Denali jogava como pivô mais defensivo e a sua frente Vanessa e Dolores compunham o trio de meio-campo.

Como o esperado foi um jogo equilibrado e quase sempre organizado. Em termos de construção ofensiva o Braga tentava sair a jogar sempre curto, preferencialmente pela Diana Gomes e procurava muito o jogo interior tanto pela Vanessa como pela Dolores (figura 1). Quando esse jogo interior não era possível tentavam procurar desequilibrar através das extremos Pratt e Uchendu. Em última opção e não conseguindo sair a jogar apoiado desde trás a solução passava por jogar na profundidade na Keane. Neste capítulo notou-se alguma dificuldade na equipa do Minho em conseguir colocar a bola com qualidade no último terço.

Figura 1 – Heatmap passes do SC Braga

No que diz respeito a transições ofensivas não foi um jogo onde o Braga aproveita-se muito este momento do jogo, mas sempre que possível o objetivo passava por atacar a baliza o mais rápido possível com bolas em profundidade a procurar a velocidade do trio de ataque.

Em termos de organização ofensiva do Benfica, muito semelhante ao Braga no que diz respeito ao iniciar o seu jogo por trás (figura 2). O seu jogo ofensivo passava muito por Darlene na procura de colorar bolas entre linhas para as diagonais das três jogadoras da frente e aproveitar o espaço nas costas das defesas. Neste momento de jogo as encarnadas eram muito fortes e foi assim que conquistaram a melhor oportunidade da primeira parte, um penalty que acabou desperdiçado por Darlene. O momento mais forte de jogo do Benfica eram as transições ofensivas muito por causa dos desequilíbrios causados pela movimentação do trio de ataque onde Nycole e Cloe fizeram a sua estreia e mostraram poder vir a ser figuras desta época.

Figura 2 – Heatmap passes SL Benfica

Em relação ao desenrolar do jogo, na primeira parte foi um jogo equilibrado com oportunidades para ambas as equipas tendo sido as maiores ocasiões para o lado do Benfica.

Na segunda parte foi um jogo diferente com o Benfica a entrar melhor e a chegar ao golo aos 49 minutos através de um remate colocado de Pauleta á entrada da área. Com vantagem no marcador tentaram controlar o jogo e baixaram um pouco o bloco. Por outro lado, o SC Braga tentou responder com troca de avançada com Laura Luís a entrar para o lugar de Keane. As coisas ficaram ainda mais complicadas para as campeãs nacionais quando Rayanne foi expulsa aos 64 minutos ficando a jogar com 10 jogadoras. Embora com menos uma jogadora na parte final do encontro o SC Braga procurou atacar mais na procura do golo do empate dispondo de um livre direto que Vanessa executou de maneira perfeita com Dani a fazer uma grande defesa e a manter o resultado intacto e assim permitindo ao Benfica a conquista da primeira supertaça na sua história.

Foi um jogo equilibrado onde o Benfica se sobrepôs ao Braga e conquistou a vitoria de forma justa. Este jogo só veio mostrar que esta época vamos ter ainda mais qualidade e equilíbrio no futebol feminino português.