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Durante a conferência de imprensa que se seguiu ao jogo do passado domingo entre Benfica e Sporting, que as águias venceram por 2-1, Jorge Jesus afirmou que “foi um grande jogo de futebol, jogado por duas grandes equipas, sendo a do Sporting, na 2ª parte, melhor que a do Benfica. Na 1ª parte o jogo foi completamente equilibrado, sem que as duas equipas criassem grandes oportunidades de golo. Existiu muita intensidade de ambas as equipas”.

Ainda a propósito desta última afirmação parece-nos evidente que o treinador do Sporting quando fala em intensidade, quererá referir-se à velocidade com que os jogadores executaram as  ações de jogo e não tanto às intensidades de concentração que o jogo exigiu de cada jogador. Foi um jogo “corrido” e quando assim é a capacidade dos jogadores atuarem no máximo da sua concentração baixa substancialmente. Ser capaz de fazer as ações de jogo de forma coordenada com os colegas, com decisões corretas no momento em que te encontras perante várias soluções, são aspectos do jogo que não estão ao alcance da grande maioria dos jogadores. Já diz o ditado: “depressa e bem não há quem”. A concentração na minha opinião estará sempre ligada à intensidade, já que podemos ter um determinado exercício que não requer muita velocidade de execução, mas que pelas suas muitas variáveis poderá apresentar uma intensidade acrescida no momento da sua execução.

Intensidade sim, mas com algumas falhas que em circunstâncias normais poderiam não acontecer se o ritmo de execução não fosse tão elevado. A forte pressão com que os dois conjuntos começaram a partida, acabou por retirar ao jogo alguma da capacidade de construção de jogadas ofensivas. Sim foi um jogo com muitas ações intensas, foi um jogo com um colorido especial, no entanto não deixou de ser um jogo com poucas oportunidades de golo, com pouca construção de ações de finalização, especialmente na 1ª parte.

Um Sporting que desde cedo mostrou que ganhar o jogo passaria por colocar o seu bloco defensivo o mais alto possível, impedindo desta forma a 1ª fase de construção, especialmente pelo seu melhor jogador, neste aspecto, Victor Lindelof. Sem a capacidade de dominar a saída de bola, pelo corredor central, o Benfica viu-se obrigado a jogar longo para os seus avançados ou sair pelos corredores laterais.

Neste particular o Benfica foi mais conservador, procurando controlar o jogo a partir do seu bloco defensivo, para depois fazer transições de espaço ou de profundidade, aproveitando deste forma a maior vocação ofensiva do Sporting e a maior exposição ao risco. Não foi de estranhar que o único golo desta 1ª parte tivesse surgido de um contra-ataque do Benfica que aproveitou, e bem, uma transição de profundidade, para marcar o seu golo.

Com o início da segunda parte começaram as primeiras alterações. Jorge Jesus retira do jogo o apagado Bruno César, para a entrada do agitador Joel Campbell. Com esta modificação,  Jorge Jesus acrescentou ao jogo, um 2º elemento desequilibrador pelas ações individuais que consegue produzir. O Sporting passou de ter um extremo esquerdo conservador, preocupado com as suas ações defensivas, para ter um extremo que além da largura, da qualidade das ações individuais no 1×1, cruzamentos de grande qualidade técnica, foi ainda capaz de percorrer espaços diferentes dos que até então Bruno César percorrera. Foi claramente um elemento perturbador da segurança defensiva vivida em todo o 1º tempo, pela defesa do SL Benfica. slbscp2Laterais com grande profundidade, extremos em espaços interiores nas costas dos médios do Benfica, e sempre dois avançados a “empurrar” os centrais adversários para dentro e deixando-os sempre na dúvida sobre as coberturas e os seus timings. Largura, profundidade e espaço interior três conceitos tácticos de quem quer atacar com qualidade. Com esta avalanche ofensiva, não foi de estranhar o golo do Sporting a reduzir a desvantagem, depois de um segundo golo do SL Benfica, que teve a sua origem num lançamento longo para a cabeça de Jiménez, com Rafa a ganhar a bola nas suas costas e a conseguir desequilibrar a defesa do Sporting, através da sua enorme qualidade no 1×1.

Sem grandes alterações no seu jogo, o Benfica continuou a privilegiar a segurança defensiva, apostando claramente nas transições e no jogo longo para Jiménez, já que as saídas curtas, eram constantemente bloqueadas pelo  organização defensiva Sportinguista.

As alterações efectuadas por Rui Vitória, tiveram sempre um objectivo bem definido, que era manter uma capacidade defensiva sólida, com a inclusão de Danilo ao lado de Fejsa e a colocação de Pizzi como 2º avançado. Esta alteração do figurino táctico, trouxe ao Benfica uma maior compactação na zona central impedindo o jogo interior do Sporting e dificultando as variações do centro do jogo. Apresentando uma melhor articulação com Jiménez, foi possível pressionar as saídas de bola e obrigar o Sporting a jogar um futebol mais direto.

Apenas com a entrada de Cervi, e com o acumular de espaço livre é que a equipa de Rui Vitória, conseguiu ter a capacidade de chegar mais alto no terreno e conseguir colocar a baliza de Rui Patrício em perigo.

Se a alteração de Bruno César por Joel Campbell, foi um tiro certeiro de Jorge Jesus, o mesmo não poderemos dizer das outras duas substituições, já que nada vieram acrescentar ao jogo.

 

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