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Análise Liga NOS 2016/2017

Este fim‑de‑semana, depois de um Verão histórico em que a selecção portuguesa se sagrou campeã europeia, arranca a Liga NOS 2016/2017. Nesta primeira jornada, o Porto irá deslocar-se a Vila do Conde para defrontar o tradicionalmente difícil, Rio Ave, agora treinado por Nuno Capucho. No sábado, é a vez do Sporting receber o Marítimo, agora liderado pelo brasileiro, Paulo Gusmão. Por fim, o Benfica tem também uma deslocação para defrontar o Tondela, que mantém na liderança da equipa técnica, Petit.

O Benfica surgiu nesta pré-época sem Renato Sanches e sem Nico Gaitán, mas com Cervi e André Horta a apresentarem-se a bom nível. Com um modelo de jogo estabilizado desde meados da última temporada, este plantel encarnado mostra ter mais soluções do que na época transacta e dá, por isso, mais armas ao treinador Rui Vitória para o ataque à revalidação do título, mesmo que as saídas de Renato Sanches, principalmente, e de Nico Gaitán possam afectar o rendimento da equipa no início da competição. Nota ainda para a lesão de Jonas, jogador nuclear na equipa e eleito o melhor jogador da época transacta.

O Sporting teve uma pré-época algo titubeante, com maus resultados em que se viu desprovido das principais figuras como os recém campeões da Europa Rui Patrício, William Carvalho, Adrien Silva e João Mário, além de um Islam Slimani a meio gás. Numa pré-época em que disputou jogos de preparação frente a adversários com qualidade reconhecida, como  PSV, Zenit, Lyon, Wolfsburg ou Villarreal, os resultados nem sempre foram os desejados, mas a equipa tem vindo em crescendo. Até à hora de redacção deste texto, não se tinha oficializado qualquer saída do núcleo duro da época passada, apesar das notícias insistentes que colocam João Mário fora do plantel. As principais adições ao plantel foram os argentinos Alan Ruiz e Marcelo Meli, que pelos sinais já apresentados, mostram capacidade para serem opções importantes no xadrez orientado por Jorge Jesus. Se fosse uma corrida de Fórmula 1, o Sporting ocuparia a primeira linha, juntamente com o Benfica, no ataque ao título.

A maior revolução dos três grandes deu-se no Porto, que apresenta para a nova época, o treinador Nuno Espírito Santo. Com o novo treinador chegaram quatro reforços, os defesas Felipe e Alex Telles, o médio João Carlos Teixeira, e ainda, o ponta-de-lança, Depoitre. Contudo, pelo sinais apresentados nos jogos amigáveis disputados, os principais reforços são jogadores que já faziam parte dos quadros dos dragões: Otávio e André Silva, os jogadores que mais brilharam neste período.  Este é assim o início de um novo ciclo, mas com pouca margem de erro para o Porto. A equipa da cidade invicta é uma séria candidata ao título, tendo ainda o desafio da pré-eliminatória da Liga dos Campeões com a Roma, no arranque desta temporada.

O Braga, que na época passada venceu a Taça de Portugal, chegou aos quartos-de-final da Liga Europa e ficou em 4º lugar da 1ª Liga, arranca com um novo treinador, José Peseiro, mas com a mesma ambição. Na Supertaça Cândido de Oliveira, os bracarenses deixaram boas indicações. Mantendo praticamente o mesmo 11, contam-se apenas a saída de Luiz Carlos para a Arábia Saudita e a lesão de Ricardo Ferreira, uma das boas revelações na época transacta, sendo que a grande dúvida reside na eventual saída da sua estrela, Rafa Silva. Entraram jogadores como Bakic, Ricardo Horta ou Tomás Martinez, que vêm dar maior profundidade e qualidade ao plantel. Outra mudança expectável estará relacionada com o sistema táctico. O modelo de jogo será diferente, obviamente, mas José Peseiro bebe da mesma filosofia do anterior técnico bracarense e procurará dotar a sua equipa de soluções ofensivas interessantes. O Braga será sempre um “outsider” a ter em conta, na luta dos três grandes pelo título.

O Arouca terminou a época passada no 5º lugar e estreou-se esta temporada na Liga Europa. Com Lito Vidigal novamente no comando, procuram consolidar a sua posição na luta pelos lugares europeus. Num plantel que perdeu David Simão que partiu para a Bulgária e Ivo Rodrigues para o Paços de Ferreira, além de Lucas Lima para o Nantes, a equipa do concelho de Aveiro reforçou-se de forma cirúrgica nos corredores laterais defensivos e contratou o internacional português André Santos e Rafael Crivellaro para o meio campo, além de ter reforçado os corredores ofensivos e o eixo do ataque. A identidade da equipa manter-se-à e serão um adversário duro de roer para qualquer equipa.

O Rio Ave à semelhança do Arouca, também iniciou mais cedo a época, para disputar a pré-eliminatória da Liga Europa, tendo ficado pelo caminho frente ao Slavia de Praga. Um plantel que surge sem grandes alterações, apesar das saídas de Ukra e Postiga, mas com uma nova liderança, com Nuno Capucho. Dos reforços contratados, 4 foram utilizados a titulares a eliminatória da Liga Europa: Nadjack (também conhecido por Eliseu Cassamá), Rafa, Rúben Ribeiro e Gil Dias. Numa altura em que se fala da saída de elementos de peso na manobra da equipa como Marcelo e Wakaso, fruto da saída precoce das competições europeias, as primeiras impressões são agradáveis e o futebol praticado da equipa promete envolver os adeptos em redor da equipa.

O Paços de Ferreira foi uma das equipas que na época passada, lutou pelos lugares de acesso às competições europeias até ao fim. Com novo treinador, Carlos Pinto, que efectuou um trabalho bastante interessante no Freamunde e no Santa Clara, na pretérita época, as ideias que ficam é que este novo Paços pretende ser uma equipa mais audaz em termos ofensivos, não sendo tão especulativo como na época anterior. Órfãos de Diogo Jota, a revelação da época passada, e Bruno Moreira que fabricaram grande parte dos golos na época passada, é previsível que a equipa tenha algumas dificuldades em encontrar referências ofensivas inicialmente. Contudo, as adições de Pedrinho – melhor jogador da Liga LedmanPro 2015/2016 -, Gleison – um dos craques campeões no Porto B – e Ivo Rodrigues – um dos bons jogadores do Arouca da época passada – e Welthon, visam tentar apagar a dupla portuguesa do imaginário dos adeptos pacenses.

O Estoril-Praia, mantendo o treinador Fabiano Soares, apresenta algumas caras novas para esta época, das quais se destacam dois nomes acima de quaisquer outros: Paulo Henrique, jogador que efectuou boas épocas na Turquia ao serviço do Trabzonspor e que se disse ter sido pretendido pelo Sporting há alguns anos a esta parte, e Kléber, ponta de lança internacional brasileiro que se revelou no Marítimo, foi alvo de Sporting e Porto, tendo rumado ao Dragão para não concretizar o seu potencial, mas que teve boas actuações na anterior aparição pelos canarinhos. Se estas entradas se destacam, há saídas que também merecem ser realçadas: Pawel Kieszek, Yohan Tavares, Diego Carlos, Anderson Luís, Gerso e Leo Bonatini, jogadores muito importantes na equipa da época passada, abandonaram o clube. A manutenção deverá ser a meta inicial, sem nunca esquecendo voos mais altos.

O Belenenses, uma das equipas que apresentou bom futebol na ponta final da temporada passada. Com Júlio Velázquez ao leme, o plantel foi revisto e várias foram as adições efectuadas, das quais se destacam: André Moreira, que vinha fazendo uma excelente época até se ter lesionado, João Diogo, lateral direito que fez boas épocas no Marítimo,  João Palhinha, que esteve a bom nível em Moreira de Cónegos na época passada e ainda Gerso, extremo que promete agitar o ataque dos azuis da Cruz de Cristo, juntamente com Carlos Martins, Miguel Rosa ou Fábio Sturgeon, nomes importantes que se mantiveram no plantel. Nas saídas importa destacar André Geraldes, cujo empréstimo terminou e abandonou o clube, tendo sido substituído pelo já destacado João Diogo, Abel Aguilar e Marko Bakic. A pré-época não trouxe grandes resultados, mas o plantel mostra ter qualidade para andar a bater-se pela Liga Europa, embora o objectivo pareça ser fazer uma época tranquila.

Em Guimarães, mora um novo treinador, Pedro Martins, que depois de ter feito um excelente trabalho no Marítimo e no Rio Ave rumou à cidade de berço. Num plantel que viu sair cinco jogadores importantes na época passada, Cafú, Otávio, Dalbert, Licá e Henrique Dourado, as adições mais significativas foram: João Aurélio, lateral direito ex-Nacional, que promete dar muita luta a Bruno Gaspar pelo lugar, formando com este uma das laterais direitas mais fortes do campeonato; Rúben Ferreira que promete substituir o brasileiro Dalbert com qualidade; Rafael Miranda, médio experiente, elemento da confiança de Pedro Martins e que tentará suprir a ausência de Cafú; Marega e Soares, avançados que prometem meter a cabeça em água às defesas adversárias. O objectivo será lutar pela Europa, tentando melhorar os resultados da época transacta.

Na Choupana, Manuel Machado e os seus pupilos do Nacional vêm de uma temporada em que ficaram um pouco aquém do que nos têm habituado, com pouca consistência exibicional e muitos resultados imprevistos. Do plantel anterior, João Aurélio e Soares, elementos muitos importantes na estratégia da equipa abandonaram o clube, assim como o médio Nené Bonilha, outro dos bons jogadores que o plantel tinha. As adições mais significativas começam no eixo defensivo, com a entrada de Tobias Figueiredo e César, emprestados por Sporting e Benfica, respectivamente, prometendo, juntamente com Rui Correia, subir o nível de um sector que se manifestou algo errático. Víctor Garcia proveniente do Porto, tentará fazer esquecer João Aurélio. No meio campo, entra Tiago Rodrigues, voltando à Choupana, após uma época intermitente no rival madeirense, Marítimo. No ataque, Hamzaoui, Cadiz e Bonilla vão tentar fazer esquecer Soares. A ideia será tentar lutar pela Europa, sendo certo que há equipas melhor apetrechadas para tal.

Em Moreira de Cónegos, há um treinador que se estreia no principal escalão do futebol português, Pepa, treinador que mostrou ideias positivas, colocando o “seu” Feirense a praticar um futebol agradável. Além de se apresentar com novo treinador, o Moreirense perdeu alguns dos atletas que foram importantes na época transacta como: Danielson e Evaldo que partiram para o Cova da Piedade, Fábio Espinho, que rumou ao Boavista, João Palhinha e Iuri Medeiros que viram os períodos de empréstimo expirarem e ainda Rafael Martins que voltou ao Levante. A equipa reforçou-se com Makaridze, guarda-redes que foi tido como um dos melhores na Liga LedmanPro, Diego Ivo e Diego Galo para o lugar de Danielson, Tiago Almeida para competir com Sagna na lateral direita e Pedro Rebocho que deverá ocupar a posição que era de Evaldo. Do meio campo para a frente, os destaques recaem em Francisco Geraldes, uma provável revelação do campeonato, Dramé, extremo muito veloz que terá a difícil missão de substituir Iuri Medeiros e Roberto, ponta de lança que ocupará a posição de Rafael Martins. Uma época que será um grande desafio para Pepa e para o clube, na luta pela manutenção.

O Marítimo foi uma das equipas que na época passada ficou aquém das expectativas, com um 12º lugar na Liga NOS. Esta época, os madeirenses apresentam-se com algumas caras novas, a maioria delas provenientes do Brasil e das quais existem poucas referências. Jean Cléber é tido como uma boa adição ao meio campo maritimista, indo concorrer com o francês Plessis, ou actuando em conjunto no duplo pivot que Paulo César Gusmão parece querer implementar. As saídas foram várias e nota de destaque para Salin, João Diogo, Rúben Ferreira, embora este tenha estado afastado durante grande parte da época por problemas disciplinares. O objectivo deverá ser uma época tranquila, tendo em conta as declarações de Carlos Pereira que afirmou que este era o plantel possível, frisando as dificuldades que o clube vem sentindo desde os cortes económicos nos apoios regionais que eram dados aos clubes madeirenses, principalmente a Nacional e a Marítimo.

O Boavista continua sob a liderança de Erwin Sanchez, que conseguiu garantir a manutenção dos axadrezados na Liga NOS na temporada passada. Para esta época, Sanchez viu sair elementos importantes como: Afonso Figueiredo, Paulo Vinícius, Aymen Tahar, Rúben Ribeiro e Zé Manuel. Os novos jogadores são provenientes das divisões secundárias, como João Talocha, o substituto de Afonso Figueiredo, Edu Machado, proveniente do Chaves, ou Idé do Alcanenense, que depois de uma 1ª metade de época pouco conseguida no Torreense, marcou vários golos da equipa ribatejana, ou do estrangeiro com referências para Medic ou Schembri. Há duas entradas que devem ser registadas: Fábio Espinho, médio ofensivo que vai tentar fazer esquecer a alavanca exibicional que foi Rúben Ribeiro e ainda Erivelto que fez uma excelente época no Sporting da Covilhã há duas épocas e que pode fazer estragos, caso o seu foco esteja apenas no futebol. A manutenção é o principal objectivo.

No Sado, mora a equipa que na primeira metade da época anterior foi uma das sensações. Na altura disputava os lugares europeus, mas na segunda volta as coisas não correram da mesma forma e acabaram por lutar e conseguir no fim a manutenção na Liga NOS. O Vitória de Setúbal que perdeu uma das principais pedras do seu plantel, André Horta, conta com entradas muito interessantes, prometendo ser umas equipas que pode surpreender. Trigueira e Bruno Varela são reforços para a baliza; Pedro Pinto, André Geraldes, Fábio Cardoso e Vasco Fernandes são os reforços para a defesa; Nené Bonilha, Mikel Agu e Ryan Gauld são os principais reforços para o meio campo e para o ataque Nuno Santos, Zé Manuel e João Amaral são as principais novidades. A manutenção é objectivo dos comandados de José Couceiro, mas não será de espantar que a equipa possa conseguir algo mais.

Em Tondela, mora a equipa que praticamente se dava como certo que iria descer de divisão na temporada anterior. A verdade é que com a liderança de Petit, o Tondela fez uma ponta final de campeonato brilhante e assegurou a permanência. Com várias alterações no plantel, devem ressalvar-se as seguintes adições: Jaílson que esteve ao serviço do Arouca, Lystcov proveniente do Benfica, Crislan proveniente do Braga. Relativamente às saídas, a principal é Nathan Júnior, o melhor jogador da equipa na época passada, além de Lucas Souza e Luís Alberto. O objectivo passa por sofrer menos do que na época passada e, como tal, atingir a tranquilidade mais cedo.

O Chaves regressa ao principal escalão do futebol português após 17 anos de ausência. Apostaram em Jorge Simão, treinador que fez um bom trabalho no Paços de Ferreira, dotando a equipa de boas ideias defensivamente e reforçou o seu plantel, com vista à manutenção. O plantel é quase todo novo, mantendo-se apenas alguns jogadores que fizeram parte da subida na época passada. Entre os reforços do Chaves destacam-se: Ricardo, Freire, Paulinho, Rafael Lopes, Nemanja Petrović, Felipe Lopes, Battaglia, Francisco Ramos e Simon Vukčević. As saídas foram muitas, mas muitos desses jogadores que abandonaram o plantel preferiram manter-se nas Liga Ledman LigaPro, onde, provavelmente, terão mais oportunidades de jogarem minutos consideráveis.

 

O Feirense liderado por José Mota, tem como objectivo assegurar a manutenção e para isso reforçou-se com o experiente Peçanha para substituir Makaridze, Paulo Monteiro que deixou o União da Madeira, Tiago Silva e Ricardo Dias provenientes do Belenenses, Luís Aurélio que deixou o Nacional, além de Vítor Bruno que voltou a Portugal depois de uma aventura no Cluj da Roménia. Para o ataque veio o grego Tasos Karamanos, mas Platiny deverá ser a referência ofensiva da equipa, a julgar pela excelente época efectuada na época passada. Foram algumas as saídas, mas a base do plantel, principalmente em termos defensivos e no meio-campo, manteve-se, algo que pode ajudar a equipa a manter os referenciais da temporada transacta.

 

Este será assim, um campeonato a três, com três fortes candidatos ao título. Prevê-se, assim, um campeonato disputado até ao fim, a cada jornada, a cada três pontos, a cada lance e a cada golo. Venham de lá os jogos a sério! Que comece o espectáculo!