Análise Portugal – México

Análise Portugal – México

A seleção nacional portuguesa defrontará na quarta-feira dia 21 de junho a seleção anfitriã da Taça das Confederações, após ter empatado a dois golos frente ao México. A Rússia lidera neste momento o grupo A com 3 pontos.

Com o objetivo de procurarmos perceber o que correu menos bem à seleção portuguesa no jogo com o México, analisámos alguns dados estatísticos e o processo ofensivo da seleção portuguesa.

O encontro frente à seleção mexicana foi o primeiro jogo, desde a final do Euro 2016 frente à França, que a seleção portuguesa teve menos posse de bola que o seu adversário. Verifica-se também um número reduzido de ataques posicionais, apenas 58, comparativamente a mais de 80 frente à Letónia e Chipre e mais de 70 frente à Hungria.

A seleção nacional teve muitas dificuldades na fase de construção e criação no seu processo ofensivo, o que a levou a apostar em passes longos e tentativa de ganhar as segundas bolas, o que depreendemos pelas declarações do selecionador nacional Fernando Santos, que não era o plano estratégico para o jogo. Esta opção não se revelou de grande sucesso uma vez que Portugal apenas ganhou 33% dos duelos pelo ar e 45% do total de duelos realizados.

Mesmo as reposições de bola por parte de Rui Patrício revelam a dificuldade na 1ª fase de construção, com mais de 50% das vezes a opção a recair pelo passe longo.

A dificuldade em Portugal atingir a profundidade nos corredores laterias foi notória, tendo realizado apenas 12 cruzamentos (8 do corredor lateral esquerdo e 4 do direito), com Quaresma, apesar de ter jogado a maior parte do tempo como médio ala direito, a efetuar 4 cruzamentos a partir do corredor esquerdo, tantos como André Gomes e Raphael Guerreiro juntos.

Tanto Nani como João Moutinho apresentaram dados estatísticos muito baixos relativamente ao contributo que costumam dar ao jogo em termos ofensivos, ainda assim, João Moutinho compensou defensivamente com 7 recuperações de posse de bola.

No decorrer do jogo a seleção passou do 1-4-4-2 inicial para o 1-4-3-3 com as entradas de Adrien (e passagem de A. Gomes para o triângulo do meio campo) e de Gelson para extremo direito passando Quaresma para o corredor esquerdo. Desta forma a seleção teve mais capacidade para chegar ao último terço do campo, tanto porque Adrien esteve muito ativo, mas também porque André Gomes no corredor central faz melhor a ligação entre o setor médio e setor ofensivo. Os extremos, Gelson e Quaresma, bem abertos nos corredores laterais obrigavam a defesa do México a “estender-se” no campo. Nesta fase o problema é que Ronaldo fica muito sozinho na frente do ataque, o que foi corrigido com a entrada de André Silva, alteração que levou mais uma vez A. Gomes para o corredor esquerdo, onde nos parece que tem um papel menos ativo no jogo.

Da análise ao jogo e excetuando a questão de Nani e Moutinho terem estado muitos furos abaixo do normal, parece-nos que Fernando Santos tem um problema em mãos. Por um lado a equipa esteve melhor no meio campo e até atingir o último terço com dois extremos e um triângulo no meio campo, por outro lado, Ronaldo e a própria equipa tem mais condições de finalizar com sucesso tendo um jogador ao lado de CR7. Um problema para o selecionador nacional resolver até ao embate quase decisivo frente à seleção russa.

ProScout – Portugal vs México from ProScout on Vimeo.

Sobre o Autor

Paulo Gomes

Nascido em 1981, Treinador UEFA B, Licenciado em Ciências Militares pela Academia Militar e Mestre em Desporto - Treino Desportivo pela Escola Superior de Desporto de Rio Maior. Paralelamente à sua profissão desempenhou funções de treinador principal em várias equipas do Campeonato Distrital de Aveiro, bem como de Treinador Adjunto/Analista no Atlético Clube Riachense – Campeonato Nacional de Séniores. Apaixonado por treino, pela observação e análise do jogo, entende que esta é fundamental para a melhoria de competências enquanto treinador.

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