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Análise Táctica – Bayer Leverkusen

Bayer Leverkusen, actual 5º classificado da Bundesliga, é o adversário do FC Porto nos 16-avos-de-final da Liga Europa. Esta formação alemã é orientada desde Dezembro de 2018 por Peter Bosz, que chegou para substituir Heiko Herrlich devido aos maus resultados apresentados. Esta equipa era vista como uma formação recheada de talento e potencial, sendo que o técnico holandês (que já havia levado o Ajax a uma final da Liga Europa) chegou ao Bayer com a missão de elevar a equipa na tabela classificativa e ajudar a mesma a atingir todo o seu potencial. Foi de facto bem sucedido, garantido o apuramento para a Liga Dos Campeões desta temporada, caindo agora para a Liga Europa e de com um futebol bastante atractivo.

Sistemas Tácticos

Ao contrário da época passada, onde Bosz optou claramente por usar apenas um pivot dentro do seu sistema predilecto (à altura, o 4-3-3), esta temporada tem utilizado 2 pivots, dentro de vários sistemas já utilizados como o 4-4-2, 4-2-3-1 e 3-4-3, sendo este último o mais recente e que parece estar a tornar-se a nova base para a equipa alemã, apesar de também já ter reutilizado o 4-3-3 (foi perdendo relevância nas escolhas tácticas de Bosz). Além da rotatividade entre sistemas, esta equipa também apresenta algumas alterações no 11 inicial. A questão do duplo pivot varia entre sistemas: dando o exemplo recente, no 3-4-3 onde Amiri e Lars Bender se têm fixado no 11, e dentro do 4-4-2/4-2-3-1 foi muito utilizada a dupla Demirbay e Baumgartlinger. Aranguiz foi um jogador muito importante na época passada para Peter Bosz, jogando muito como pivot solitário nas costas de Brandt e Havertz, mas na presente temporada tem sido fustigado por lesões forçando também o técnico holandês a procurar alternativas.  

Momento Ofensivo

O Bayer Leverkusen, no momento de construção, organiza-se num 3-4-2-1, com os centrais a procurarem toda a largura do campo, alas projectados no meio campo, os 2 pivots visivelmente colocados à frente dos centrais, Diaby e Havertz a colocarem-se numa posição intermédia entre o meio campo e o ataque, saindo da linha ofensiva que formam com Volland para procurarem oferecer linhas de passe.

É uma equipa que gosta de ter bola, estende-se em campo com 4 linhas horizontais e bem juntas, procurando mover a bola pelo campo a seu belo prazer. Os 2 médios ofensivos são muito importantes na manobra ofensiva da equipa, procurando muito os espaços entre linhas, ao atraírem o adversário para o seu meio campo e rapidamente libertarem a equipa numa rápida transição, seja pelo centro ou pelos flancos.

Diaby recua mais no terreno oferecendo outra linha de passe, bem como a atrair o adversário e libertar desta feita espaço para o lateral Sinkgraven.
Novamente um dos médios ofensivos a explorar o espaço, desta feita com Havertz a aparecer bem de costas no espaço, atraindo e aguentando a pressão do adversário, libertando Amiri no corredor central em jogada de golo.

Momento Defensivo

Não é por acaso que o Bayer Leverkusen é das equipas que menos passes permite aos adversários na Bundesliga. É uma equipa que faz uma pressão muito forte logo na 1ª fase de construção do adversário, tendo sempre a equipa muito junta e numerosa na área da bola, começando a pressionar com os 3 atacantes mais os 2 médios centro, claramente mostrando neste momento terem referências nas marcações num estilo mais “HxH”. Depois, com a aproximação do ala no lado da bola, a equipa varia a sua estrutura defensiva para um 4-4-2.

Equipa procura referências na marcação, impedindo a exploração do corredor central

O foco primário do Bayer é fechar o corredor central, obrigando o adversário a cingir-se aos corredores laterais ou a um jogo mais directo. Mas nesta fase a equipa também apresenta talvez a sua maior fraqueza, que é o espaço concedido nas costas dos 2 médios centro e do ala, que está a exercer a pressão (no lado da bola), aspecto explorado por exemplo pelo Borussia Dortmund na partida que o Bayer venceu por 4-3.

Espaço concedido entre linhas, entre meio campo e defesa, explorado por Brandt

Conclusão

Ainda no tópico da vitória por 4-3 sobre o Borussia Dortmund. Foi um jogo onde ficou visível a capacidade ofensiva deste Bayer, mas também a sua permeabilidade defensiva quando o adversário consegue levar a melhor sobre a pressão alta desta formação. O FC Porto terá aqui um desafio interessante e muito difícil pela frente. Os Dragões são uma equipa que procura bem a profundidade através de bolas longas o que pode causar dificuldades ao Bayer Leverkusen. No entanto, no reverso da medalha, também terão de ser uma equipa segura com bola de forma a não ser esmagada pela enorme pressão exercida da parte dos alemães. Defensivamente também terão de ser coesos, com linhas bem juntas dificultando o jogo posicional bastante forte dos alemães, procurando também não deixar especialmente Havertz actuar à vontade nos espaços entre linhas. Outro aspecto que pode ajudar o FC Porto é a sua forte capacidade nas bolas paradas, algo onde o Bayer revela algumas fragilidades, tendo já sofrido 9 golos neste tipo de lances.

Dados estatísticos de K. Havertz esta temporada na Liga dos Campeões