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O PAOK venceu 2-1 (Vertonghen a.g., Zivkovic e Rafa) e marcou encontro com o Krasnodar no acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões.

No primeiro jogo oficial de Jorge Jesus, vimos um Benfica de duas faces, separadas pelo intervalo. A equipa portuguesa está fora da Liga dos Campeões, e hipoteca o investimento feito na equipa principal temporada.

Foram 80 milhões de euros em transferências, mais Jan Vertonghen e Jorge Jesus. Demasiado, para uma equipa que vai disputar a Liga Europa.

1.ª parte

Quem viu apenas os primeiros 45 minutos teve poucas dúvidas que o Benfica se ia apurar, com maior ou menor dificuldade. Sem aumentar muito o ritmo, os encarnados controlaram a posse de bola e tiveram domínio territorial, empurrando o PAOK para o seu meio-campo.

Os gregos foram inofensivos, mas ficou claro que as oportunidades criadas pelo Benfica resultaram da qualidade individual dos seus jogadores, e não tanto de uma organização coletiva promovida por Jorge Jesus.

1.1  PAOK com 11 homens atrás da linha da bola

  • Foi muito comum o PAOK defender com os 11 homens. Esmiuçado aqui no artigo de antevisão, os gregos organizaram-se em 5x4x1 a partir da segunda fase de construção encarnada.
  • Com tantos homens por dentro, pede-se mais intensidade na circulação de bola, mais movimentação sem bola, bem como uma melhor exploração dos três corredores, em vez da insistência do ataque pelo central.
  • Pela forma de defender do adversário, fica a dúvida se a inclusão de Vinícius ou mesmo Darwin no 11 inicial não podiam ter resultado num melhor aproveitamento das faixas laterais, em detrimento do ataque à profundidade em que o suíço acrescenta qualidade, mas inexistente neste jogo dado o bloco tão recuado da equipa de Salónica.

1.2 Grimaldo com pouca perceção do espaço

  • Com a quantidade de jogadores envolvida no corredor central, Grimaldo perdeu aqui uma excelente oportunidade de atacar as costas da defesa pela esquerda, em vez de procurar a aproximação aos seus colegas, como fez.

1.3 Perigo nas alas, Seferovic no meio

  • As situações mais perigosas do Benfica (coletivamente), foram lances em que a bola entrou nas alas, já no último terço.
  • No primeiro lance, essa opção é meramente um recurso depois da má receção de Pizzi, sendo que Taarabt podia ter feito um passe longo para André Almeida, que já estava a encarar a baliza adversária.
  • No segundo clip vê-se uma das poucas vezes em que o Benfica quebrou as linhas do PAOK – fruto da sua pressão alta com três homens. A bola entra na zona entrelinhas para Cebolinha (das poucas vezes em que apareceu a dar largura) e Seferovic falhou o impensável. Volto a pensar se Vinícius não seria mais efetivo neste tipo de oportunidades?

1.4  O tempo demorado por Vlachodimos

  • Com três toques na bola, e muito tempo para decidir, Vlachodimos impediu que o Benfica criasse superioridade numérica. Destaco as três linhas de passe curtas que o guarda-redes perdeu, caso a sua receção fosse mais bem orientada.
  • O PAOK mostrou que, subindo o bloco, é uma equipa que deixa muito espaço entre os sectores.

1.5 Pedrinho e o espaço entrelinhas 1

  • Já perto do intervalo, muito bem o Benfica a apostar no ataque rápido, com Pedrinho a ler bem o movimento adversário e a aparecer na linha entre os médios e os defesas.

2.ª Parte

O jogo repartiu-se nesta parte, mais por cansaço acumulado de ambas as equipas, que por uma mudança de estratégia drástica de Abel ou de Jorge Jesus.

O PAOK criou situações para marcar, pôs o Benfica em sentido e chegou aos dois golos fruto de uma passividade anormal da equipa portuguesa. Antes, os sinais da falta de intensidade defensiva estavam todos lá.

Vinícius e Darwin foram mesmo a jogo em simultâneo, mas numa altura em que já havia mais coração que cabeça na definição.

Substituições estranhas de JJ, que foi colocando avançados para dentro de campo, algo que no passado recente motivou muitas críticas a Bruno Lage e Rui Vitória.

2.1 Pedrinho e o espaço entrelinhas 2

  • A substituição de Pedrinho por Vinícius foi um erro da parte de JJ. Assumo que tendo acesso aos 90 minutos é fácil percebê-lo, e a intenção não é criticar a decisão do treinador, que tem de ser tomada em segundos, sem acesso à informação toda e a como se vão desenrolar os acontecimentos.
  • O brasileiro foi dos melhores a atacar o espaço deixado entrelinhas, e a sua saída limitou o jogo do Benfica, pois Seferovic não teve (nem tem essas características) essa capacidade. O suíço não é um jogador veloz nem explosivo, e dado o maior atrevimento do PAOK, esse espaço podia ter sido explorado na segunda parte de melhor forma.

2.2 A passividade do Benfica a defender

  • O cansaço apoderou-se da turma de JJ. A aproximação ao portador da bola deixou de ser acutilante, e com espaço, o PAOK conseguiu criar várias situações, mesmo em clara inferioridade numérica.
  • No primeiro vídeo, três homens do PAOK conseguiram desestabilizar uma organização encarnada com cinco homens.
  • Por vezes, como no caso do segundo clip, a incapacidade individual dos jogadores adversários impediu situações de perigo iminente. Mais uma vez o PAOK a criar perigo numa transição rápida, mal acompanhada.

2.3 Os Golos gregos

  • A forma fácil como Pizzi é ultrapassado não tem explicação. Aliado a isso, Weigl não soube encurtar o espaço e Vertonghen acabou traído por Grimaldo. Muito experiente o belga, a parar o movimento para deixar Akpom fora de jogo, mas o lateral esquerdo não percebeu e deixou o avançado inglês em jogo.
  • No segundo golo, Giannoulis correu 2/3 do campo sem ser verdadeiramente incomodado. Vinícius esboçou uma reação muito ténue (pedia-se mais, até porque foi um passe de calcanhar falhado que originou o contra-ataque), e Taarabt, de rastos, nem esboçou um movimento. A bola acaba por chegar a Zivkovic, que apunhalou o Benfica com um golo típico de esquerdino, a puxar para dentro e a rematar forte.
  • Grimaldo também é mal batido pois não incomodou a ação do sérvio em nenhum momento até ao remate, que até podia ter bloqueado.