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CF Benfica: o encontro entre a juventude e a experiência

O CF Benfica, orientado pela jovem Madalena Gala, é um dos emblemas com mais história no panorama do futebol feminino em Portugal. A realizar uma temporada com algumas inconstâncias ao nível de resultados, a equipa não deixa de apresentar bom futebol, com atletas portadoras de uma grande qualidade individual. Para além disso, destaca-se a mistura entre jogadoras jovens e jogadoras muito experientes, como são os casos de Edite Fernandes ou de Sílvia Brunheira.

Numa altura em que a conclusão da Liga BPI ainda é incerta, o “Fofó” ocupa o quinto lugar com 24 pontos, menos um do que o Estoril Praia, o primeiro clube no campeonato dos “não grandes”. Com oito vitórias e sete desaires em 15 jornadas, tem sido em casa que o CF Benfica mais pontos tem deixado cair, ao perder por quatro vezes diante dos seus adeptos.

Feita que está a introdução, está na hora de conhecer de forma mais pormenorizada esta equipa que atua no Estádio Francisco Lázaro.

O ONZE BASE:

Este é o onze base da equipa de Madalena Gala, assente num 4-4-2 losango, que poderá sofrer algumas nuances ao longo das partidas. A defesa é praticamente intocável, sendo que eventuais mudanças podem acontecer no centro do terreno, com Sílvia Brunheira (16 jogos, 14 enquanto titular) a ser também bastante utilizada.

A ORGANIZAÇÃO OFENSIVA:

Organização ofensiva em 4-4-2 losango frente ao Clube de Albergaria

Esta é a organização ofensiva base da equipa. Uma linha defensiva a quatro, com as defesas centrais muito participativas na hora de sair a jogar (principalmente Sara Ribeiro). Sara Granja mantém sempre a posição “6” e as interiores têm funções distintas. Bárbara Marques (que troca com Andreia Silva em inúmeras ocasiões), enquanto criativa e jogadora capaz de ligar setores, procura várias vezes o espaço vazio, quer entre linhas, quer pelos corredores. Andreia Silva e Sílvia Brunheira (ou Catarina Realista) procuram atacar a profundidade, de forma a explorarem um dos processos ofensivos mais fortes da equipa: o jogo direto, através do passe longo das laterais, sobretudo de Catarina Carvalho, que se envolve mais no processo ofensivo do que Catarina Pereira.

Apesar de gostar do jogo direto e de ser a partir dele que cria várias situações de golo, a equipa do CF Benfica também é capaz de mudar o chip e procurar jogo curto e apoiado pelo centro do terreno. É nessa altura que entra em cena a qualidade individual de jogadoras como Edite Fernandes ou Bárbara Marques. A primeira, já muito experiente, oferece uma grande mobilidade ao ataque e sabe fornecer apoios frontais para tabelas curtas. A segunda, que tanto pode jogar pelo centro como pelas faixas, é uma construtora de jogo evoluída tecnicamente e capaz de fazer a ligação entre setor médio e setor atacante com a bola junto à relva.

A espaços, a equipa pode passar por um 4-3-3 em termos estruturais. Existem momentos de jogo em que Bárbara Marques se encosta a uma faixa e Joana Flores à outra, com Andreia Silva a juntar-se a Catarina Realista/Sílvia Brunheira para completar o triângulo na zona central do terreno. Apesar desse desenho em certos momentos, as rotinas continuam a levar a equipa para um ataque a duas, com diagonais constantes de Joana Flores para zona de finalização. Também as interiores chegam com frequência a essa zona, sendo muito participativas no processo ofensivo.

A ORGANIZAÇÃO DEFENSIVA:

Organização defensiva em 4-4-2 losango frente ao Clube de Albergaria

Na hora de defender, a equipa mantém a estrutura. O 4-4-2 losango é visível, neste caso no jogo frente ao Clube de Albergaria. A equipa define o momento de pressão como o momento em que a bola chega à lateral adversária. Aí, são as interiores as responsáveis por realizar a pressão de frente, enquanto que a “10” (Andreia Silva) procura fechar a linha de passe para a “6” e as avançadas tentam impedir que a equipa adversária bascule através das defesas centrais.

O CF Benfica é uma equipa que gosta de defender alto e que, por isso, corre alguns riscos. A equipa expõe-se por vezes a bolas longas e nem sempre consegue controlar o espaço entre Sara Granja e a linha defensiva. No entanto, é frequente ver esta pressão a resultar numa recuperação de bola em zona adiantada ou num despejo de bola das adversárias na frente, que permite à equipa do Fofó recuperar o esférico e iniciar o ataque.

AS PEÇAS-CHAVE:

Catarina Realista :: Catarina Realista Ferreira :: Fut. Benfica

CATARINA REALISTA

Uma verdadeira box-to-box. A número 18 é uma das principais figuras do sistema de Madalena Gala pela forma como equilibra a equipa e como participa no ataque. Para além dos inúmeros golos (sete em 19 jogos esta época), Catarina Realista é importante no jogo direto da equipa, dada a qualidade no passe longo e a visão que possui. No aspeto defensivo é a mais capaz de prestar auxílio a Sara Granja no equilíbrio da equipa.

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BÁRBARA MARQUES

A joker da equipa. Pode jogar a “8”, a “10” ou pelo flanco e nas três posições mantém a sua essência: tecnicismo, atrevimento e medo absolutamente nenhum de enfrentar quem quer que seja no 1×1. É a jogadora mais desequilibradora no esquema e uma das que tem mais liberdade. Tem golo mas é na ligação dos setores médio e atacante que se destaca.

Edite Fernandes retira-se da seleção portuguesa de futebol ...

EDITE FERNANDES

Dispensa apresentações. Antiga internacional portuguesa, com um currículo vasto e com muito futebol ainda para dar. Aos 40 anos, Edite Fernandes oferece mobilidade, qualidade técnica e golo ao ataque do CF Benfica. Não se dá à marcação, aparece tanto a fornecer apoios frontais como pelos flancos. É mais uma atleta capaz de construir e letal dentro da área.