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O Barulho das Luzes na Formação

O futebol desde sempre se caraterizou como um jogo colectivo e como tal o todo terá sempre mais valor que a soma das partes.

Pode haver Cristiano Ronaldo mas também tem que haver uma equipa a jogar de forma a potenciar ao máximo o talento do seu melhor jogador.

Os restantes jogadores, o colectivo, serão sempre mais importantes que o “Cristiano Ronaldo” e todos os jogadores poderão ambicionar mas nunca serão como ele, resta-nos então torná-los jogadores utilitários e trabalhá-los de maneira em que se possa potenciar ao máximo as suas habilidades dentro do campo, de maneira em que se transforme um grupo num colectivo forte porque se assim for, este vai sempre vencer as melhores individualidades.

Nas etapas iniciais de desenvolvimento de um atleta, começamos a trabalhar pela base, os fundamentos do futebol e a sua parte cognitiva dos atletas.

Relativamente aos fundamentos do futebol é uma componente de aprendizagem que o atleta vai acumulando ao longo do tempo e em que o factor “talento” poderá acelerar este processo, ou seja,esta é a parte visível do treino.

Muito importante também é o foco na parte cognitiva dos atletas e como o meio que os rodeia pode influenciar a sua aprendizagem e o seu sucesso.

Desde sempre existiu uma pressão social para que os nossos filhos sejam mais bem sucedidos do que nós próprios e por vezes essa pressão é prejudicial ao seu crescimento e estabilidade emocional.

É aqui que o atleta enfrenta os primeiros desafios e onde a sua capacidade de resiliência face aos mesmos é testada.

Os nossos pais ou encarregados de educação vão querer sempre o melhor para nós, é um facto…mas que se quebre de uma vez por todas o dogma que o nosso filho tem de ser como o Cristiano Ronaldo!

De certo que os pais do Rui Patrício, João Moutinho e Bernardo Silva (por exemplo) estão muito orgulhosos no jogador que se tornaram e se lhes dissesssem inicialmente, com 7,8 ou 9 anos que eles iriam ser nestes jogadores, os seus pais “assinavam por baixo” esta condição.

Nem todos os jogadores vão-se transformar em profissionais de futebol mas pelo menos que se transformem em bons seres humanos, com os seus valores adquiridos pelas fases iniciais de crescimento e que sejam fortes e estáveis a nível psicológico.

Já vivemos num mundo social tão cruel onde é fácil criticar os outros e onde os projectos de futebolista sofrem directamente na pele a pressão social que existe pelo seu sucesso.

Essa “feira de vaidades” em que as pessoas realçam os seus filhos como troféus de forma a parecer bem, em tornar o sucesso dos mais novos no seu…esquecendo-se do essencial, do ser humano…do menino ou menina atrás desse sonho.

O “barulho das luzes” que falo é uma referência à ambição excessiva e à busca insaciável de fama que alguns pais e encarregados de educação têm…esquecendo-se que o seu filho avançado não tem de marcar 50 golos numa época, nem no seu outro filho guarda-redes que sofreu apenas 12 golos…temos de estar lá nos momentos do “autogolo”, no “falhar de baliza aberta”, naquela bola no poste, naquele jogo que nem sequer foi convocado…é esse apoio, é essa força de levantarmo-nos do fracasso é aí que começamos a construir os campeões.