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PAOK: o poder do jogo entre linhas

A Grécia tem um campeonato cada vez mais vincado por mão portuguesa, onde neste momento os três principais candidatos ao título contam com treinadores do nosso país. São eles Miguel Cardoso no AEK, Pedro Martins no Olympiakos e mais recentemente Abel Ferreira no PAOK. Propusemo-nos a analisar os primeiros passos do ex treinador do Sporting Clube de Braga no clube de Salónica, antes dos primeiros encontros oficiais com o Ajax para a 3ª pré eliminatória da Liga dos Campeões (6 e 13 de Agosto).

As ideias de Abel para o atual campeão grego têm como base as linhas condutoras que se viam em Braga, com uma pequena alteração nas dinâmicas da equipa, utilizando os médios interiores em movimentos associativos com os respetivos alas. Atuando nas costas de Akpom, Pelkas e Biseswar são as duas unidades chave para o sucesso do modelo de jogo do PAOK, uma vez que a definição das jogadas no último terço fica quase em exclusivo a cargo de ambos. O grego ocupa a meia direita do setor entre linhas, enquanto que o holandês descai mais sobre o corredor esquerdo. Tecnicamente são os jogadores mais evoluídos do plantel, pois jogam com extrema facilidade ao primeiro toque, decidem quase sempre bem e são ótimos a encontrar espaço na defesa contrária, ideal para marcar a diferença nesta zona do terreno.

A profundidade oferecida pelos alas junto à linha lateral, fá-los agir como autênticos extremos no momento de organização ofensiva, passando a equipa grega a jogar com apenas três homens na linha defensiva, apoiados de perto por um duplo pivot. El Kaddouri demonstra à vontade em ter a bola na sua posse, arriscando um pouco mais, enquanto que Misic/Douglas têm pouca chegada ao último terço, claramente talhados para tarefas mais defensivas e preocupados com possíveis transições do adversário aquando da recuperação da bola. É por isto que as combinações entre Giannoluis-Biseswar e Jaba-Pelkas são preponderantes a desbloquear as defesas contrárias. É muito recorrente vermos a movimentação do médio interior a atrair os defesas contrários para poder soltar no respetivo ala, possibilitando-lhe a facilidade de cruzar sem oposição onde surgirão Akpom (o PL utilizado durante toda a pré-época) e o médio interior do lado oposto.

Em organização defensiva, apresentam um 4-4-2 clássico juntando Pelkas a Akpom, pressionando alto e de imediato num primeiro momento. Só depois recuam e mantêm os blocos coesos já no seu meio campo, caso o adversário consiga ultrapassar esse constrangimento que havia sido imposto. Uma das principais lacunas do campeão grego parece ser o jogo aéreo, uma vez que as bolas paradas defensivas têm causado enorme dor de cabeça, com maior evidência no jogo frente ao Anderlecht. Os comandados de Kompany criaram diversas situações de golo através deste tipo de lances e o resultado poderia ter sido diferente.

Em suma, o PAOK parece muito bem posicionado para atacar a revalidação do título grego, visto que tem ultrapassado os desafios de pré-época com categoria e elevação. Estilo de jogo atrativo e sujeito a diversas nuances táticas no decorrer dos encontros, que privilegiam um futebol de posse e reação rápida à perda da bola. O Ajax vai ser o primeiro grande desafio de Abel, uma vez que necessita de ultrapassar um dos semifinalistas da passada edição da Champions League para sonhar com a entrada na fase de grupos da prova. Muita sorte, professor.