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West Ham 2 – 3 Tottenham: As primeiras ideias de Mourinho

O Tottenham não vencia um jogo fora para a Premier League desde Janeiro. Com José Mourinho no comando técnico, os Spurs, chegaram, viram e vencer. 70 minutos de grande qualidade, com o West Ham a aparecer nos minutos finais e a reduzir para a desvantagem mínima. A equipa quebrou psicologicamente e fisicamente mas acabou por vencer e conquistar os 3 pontos no primeiro jogo do técnico português ao serviço do clube londrino.

Saída a 3

O Tottenham entrou em campo com Aurier, Sánchez, Toby e Davies no quarteto defensivo. Com bola, o lateral direito costa-marfinense jogou mais profundo e dentro do seu meio-campo ofensivo, com a saída de bola a ser feito com os outros três elementos. Winks e Dier pouco interventivos na primeira fase de construção.

Saída a 3 com o West Ham a ser “convidado” para pressionar e abrir espaços entre os sectores. Normalmente era Sánchez quem procurava mais os passes de ruptura para dentro do bloco adversário onde apareceram os jogadores da frente de ataque. Pellegrini sentiu dificuldades em travar a saída de bola que Mourinho preparou mas a sua equipa acabava por ganhar a bola quando o passe de ruptura entrava. A ideia de gerar espaço com a saída a 3 e com o adiantamento de Aurier foi bem trabalhada mas faltou algum critério e qualidade de passe para as jogadas serem melhor definidas.

Dele Alli em zona central

Uma das surpresas do primeiro onze de José Mourinho no Tottenham foi o posicionamento de Dele Alli e consequentemente de Son e Lucas. O médio inglês jogou numa zona mais central e no apoio a Kane, mais próximo da zona de finalização. Com a sua qualidade técnica, capacidade de passe e visão de jogo, praticamente todas as jogadas de perigo dos Spurs saíram dos seus pés. O sucesso do Tottenham na era Mourinho pode passar pelo posicionamento de Dele Alli numa zona do campo onde é mais interventivo, tem capacidade para desequilibrar e está mais próximo do centro do jogo para decidir bem.

Recebeu enquadrado sempre entre-linhas nas costas do sector intermédio do West Ham para depois virar para jogo e ligar com os três colegas da frente. Estes dois lances são idênticos na forma com Alli recebe com espaço, enquadra-se com a baliza e depois solta em Kane que estava em fora de jogo. Terminou o jogo com uma assistência, 78% de eficácia de passe e 2 passes chave.

Quarteto ofensivo

Com Son e Lucas nos corredores laterais a equipa ganhou mais amplitude e capacidade de desequilíbrios nas faixas, pela capacidade técnica e velocidade dos dois extremos, o Tottenham foi sempre mais eficaz nos duelos 1×1.

O extremo sul-coreano jogou mais aberto na esquerda uma vez que como lateral teve Ben Davies que ocupou uma posição mais recuada devido à saída a 3 e não procurou muitas vezes sair para apoiar o ataque. Do outro lado, Lucas dividiu o espaço entre o corredor direito e o ataque à zona do segundo poste, libertando assim Aurier para aparecer no último terço. Foi dessa forma que nasceu o terceiro golo do Tottenham.

O quarteto ofensivo (Alli, Son, Lucas e Kane) demonstra uma grande facilidade na forma como combinam entre si e ligam as jogadas no último terço. A dinâmica e mobilidade que apresentam, tornam a frente de ataque do Tottenham como uma das mais fortes a nível europeu.

Uma das características do Tottenham nos últimos anos era a capacidade para sair em transições rápidas e potenciar a velocidade dos jogadores da frente. Mourinho vai continuar a potenciar esta situação até porque é um momento de jogo que trabalha muito bem. Com Son e Lucas nas faixas podemos ver um Tottenham mais vertical e com capacidade para explorar os espaços deixados nas costas da defesa contrária.

Problemas nas laterais e pressão alta

Esta temporada o Tottenham tem vindo a sofrer muito com a sua organização defensiva, fruto das lesões e também da inconsistência de alguns jogadores. Existe a necessidade de estabilizar o sector defensivo nos próximos jogos, antes da possibilidade de colmatar algumas carências no mercado de Inverno.

Antonio, extremo do West Ham, entrou ao intervalo e mexeu com a partida. Tanto no corredor direito como no esquerdo. Esteve ligado aos dois golos do West Ham pela sua capacidade de explosão. No primeiro é ele que recebe e serve o lateral direito Fredericks para o cruzamento. Na sequência do lance é o mesmo Antonio que finaliza. No lance do segundo golo consegue ultrapassar Sissoko e Aurier num lance que devia ser inofensivo. Acaba por ganhar o canto e no seguimento disso o West Ham chegou ao 2-3. A equipa apresenta alguns problemas nos corredores laterais que precisa de resolver para crescer no plano defensivo.

Os Spurs também sentiram algumas dificuldades no momento de transição defensiva, especialmente quando Aurier subia e depois no momento da perda a bola acabava por entrar no corredor direito sem ninguém a compensar a subida do costa-marfinense. Neste lance o West Ham desperdiçou uma excelente oportunidade que podia ter mudado o rumo do jogo quando ainda estava 0-0. Faltou critério e qualidade de passe no momento final do lance mas será um aspecto que José Mourinho irá trabalhar nos próximos jogos para que a sua equipa esteja melhor preparada no momento da perda e organizada para não sofrer contra-ataques dos seus adversários.

Apesar dos problemas nos corredores laterais, o Tottenham mostrou alguns comportamentos colectivos diferentes no momento de pressão. A equipa procurou subir as suas linhas e pressionar mais em cima, reagindo forte à perda de bola e forçando ao erro contrário.

O primeiro golo nasceu precisamente pela pressão alta do Tottenham, em duas situações seguidas. Duas jogadas que o Tottenham pressionou e não permitiu ao West Ham sair do seu meio-campo. Recuperou a bola rapidamente e procurou atacar a baliza contrária. A bola acaba por entrar em Dele Alli que em posição frontal serve Son para construir a primeira vitória de José Mourinho no comando técnico do Tottenham.

O caminho é longo mas os Spurs têm um plantel de grande qualidade, principalmente no plano ofensivo. José Mourinho pode ter o projecto que ambicionava há muito tempo. Um clube sustentável e em crescimento, com uma filosofia adequada à nova equipa técnica e com a possibilidade de potenciar os jogadores do plantel, desenvolver os jovens da Academia e reforçar o plantel para levar o Tottenham para o patamar desejado. Com tempo e espaço os Spurs podem tornar-se um dos projectos mais interessantes a nível europeu mas também será preciso investimento. É importante definir as situações dos jogadores que estão a terminar o contrato e que podem ter um papel fundamental no futuro do clube, como tiveram nos últimos anos (Toby Alderweireld, Jan Vertonghen e Christian Eriksen).