Destaques Copinha 2018

Destaques Copinha 2018

Organizada pela Federação Paulista de Futebol, a Copa São Paulo de Futebol Júnior, carinhosamente chamada de Copinha, é a maior competição de futebol sub-20 do Brasil. Este ano marcou a 49ª edição deste torneio e estiveram presentes um total de 128 equipas, divididas em 32 grupos. É, portanto um torneio que reúne os melhores talentos que o Brasil tem para oferecer ao mundo do futebol e onde despontaram craques como Raí, Deco, Rogério Céni, Kaká ou Neymar.  

A fase final da competição foi disputada na última semana de Janeiro e viu o Flamengo sagrar-se campeão, tendo defrontado na final a sempre aguerrida formação do São Paulo.

Assim, trazemos uma lista de alguns dos jogadores que mais se destacaram na prova.

 

Matheus Dantas – 19 anos – Defesa Central – Flamengo

O jovem central, que atua preferencialmente no lado direito da zaga, revelou ser um dos melhores defesas de toda a prova. Mas nem tudo tem corrido bem na precoce carreira de Matheus, uma vez que nos meses anteriores à Copinha teve que ultrapassar duas lesões no ligamento cruzado do joelho direito. Deu a volta por cima e mostrou que já uma opção válida para o plantel principal do Flamengo, tendo inclusivamente já sido chamado por Paulo César Carpegiani para disputar a partida a contar para o Campeonato Carioca, frente ao Volta Redonda, onde entrou para jogar os últimos 10 minutos da segunda parte.

Dantas destaca-se essencialmente pela sua capacidade na primeira fase de construção. Quer seja um passe de ruptura que rompe as linhas defensivas adversárias, quer seja um passe aéreo em busca da referência ofensiva (Vitor Gabriel), sente-se extremamente confortável neste momento do jogo. Apesar de preferir este tipo de lance, não são raros os lances em que o podemos ver a queimar linhas em condução.

Demonstra ser eficaz no jogo aéreo, revelando uma boa técnica de cabeceamento e timing de salto, sobrepondo-se praticamente sempre aos atacantes. Na outra àrea, é sempre sinónimo de perigo nas bolas paradas ofensivas, incluindo os livres diretos frontais.

Defensivamente não mostrou ser um central muito agressivo, nem particularmente forte nos duelos em 1v1, preferindo sempre jogar em antecipação. Revelou igualmente algumas dificuldades na fase de transição defensiva, devido a alguma falta de velocidade de ponta, que poderá suprir através do aprimoramento do seu sentido posicional e comando da linha defensiva.

 

Igor Liziero – 20 anos – Médio Defensivo – São Paulo

Igor Liziero já não é um completo estranho no panorama do futebol brasileiro. Acumulou várias internacionalizações pelas camadas jovens (chegou inclusive a representar o Brasil no Mundial de Sub17 em 2015) e chegou à sua terceira Copinha consecutiva como um dos jogadores mais rodados em prova. Embora ainda não tenha sido recompensado com uma chamada ao futebol sénior, é o jogador que, pela maturidade do seu jogo, melhor está preparado para ser “lançado às feras”.

Liziero é um médio defensivo na linha de Sérgio Busquets, Weigl ou do seu compatriota Arthur, um deep-lying midfielder, que em organização ofensiva foi sempre a grande referência da turma do São Paulo, ora baixando para terrenos entre os centrais numa construção a três, ora providenciando linhas de passe entre as linhas adversárias quando o São Paulo optava por construir usando apenas os centrais.

Tecnicamente muito evoluído, era a sua visão e seu pé esquerdo que controlava todo o jogo ofensivo do São Paulo e a sua voz que comandava as movimentações dos seus colegas. E como é capaz de passar com precisão para qualquer parte do campo, facilitava sempre as suas ações. Além disso, sempre que tem espaço gosta de acelerar o jogo, mesmo que por vezes o faça nas alturas erradas.

Mostrou sempre uma grande disponibilidade na reação à perda da bola, agressividade em transição defensiva e uma boa ocupação de espaços em organização defensiva.

 

Jonas Toró – 18 anos – Extremo Esquerdo – São Paulo

Se Liziero era o comandante, Jonas Toró era o artilheiro da armada tricolor. Aquele que na nossa opinião foi o melhor jogador do torneio, terminou a prova com 6 golos em 9 jogos, sendo o melhor marcador.

Juntantando uma aceleração fora do comum a uma agilidade igualmente impressionante, Jonas Toró foi um autêntico quebra cabeças para as defesas adversárias, pelas suas movimentações e através de lances de 1v1 ofensivo, onde consegue sempre encontrar soluções, mesmo em espaços extremamente congestionados. Toró é um extremo de “pé trocado” e tira enorme proveito desse facto, tentando, sempre que possível, enquadrar a bola para o espaço interior e rematar à baliza. E que bem que remata! Apesar de ser um fantasista, é um jogador batalhador que nunca dá um lance por perdido e que se sacrifica defensivamente em prol da sua equipa.

Assim, possui um leque de características que lhe permitirão, um dia mais tarde, saltar para os palcos Europeus.

Embora no papel Toró comece no flanco esquerdo, é extremamente comum aparecer a pisar as zonas do ponta-de-lança (o São Paulo jogou com um falso 9), sendo mesmo a principal referência atacante da sua equipa.

Precisa de melhorar a sua vertente disciplinar, uma vez é um jogador que tem por hábito discutir com os árbitros e protestar veemente as suas decisões.

 

Vitor Gabriel – 18 anos – Avançado – Flamengo

Outro dos jogadores já convocados por Paulo César Carpegiani para as partidas do Campeonato Carioca, Vitor Gabriel aparece na Copinha como a grande esperança para o ataque do Fla e correspondeu com 4 golos em 8 jogos, 2 deles na meia final contra a Portuguesa.

Avançado possante, é um jogador com um estilo que se assemelha  ao do pivôt no futsal. Oferece muitos apoios frontais e quando recebe, de costas para a baliza, guarda eximiamente a bola e tem a técnica e aceleração necessária para ultrapassar os seus marcadores diretos. Dentro de àrea, demonstra uma capacidade de finalização ímpar, seja na resposta a cruzamentos, seja após envolvimento com o jogo interior produzido pelos seus colegas.

Tal como o já referido Toró, demonstra alguns problemas no capítulo disciplinar, tendo inclusivamente falhado a final frente ao São Paulo pois foi sancionado com um cartão amarelo na meia final, por ter provocado os adeptos adversários durante os festejos de um dos seus golos.

Sobre o Autor

David Almeida

Engenheiro de formação, é no futebol que reside a sua paixão. Desde muito cedo sempre demonstrou um especial interesse nas vertentes de análise tática e de scouting de jovens talentos.

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