Destaques MLS 2017

Destaques MLS 2017

Entre surpresas e desilusões, a edição de 2017 da Major League Soccer foi uma das temporadas mais entusiasmantes de futebol no espectro mundial com grandes momentos para todos os gostos. Com a adição do Los Angeles FC na temporada que se avizinha, as hostilidades prometem estar num patamar ainda mais elevado em 2018, com o dérbi de Los Angeles e cada vez mais estrelas e jogadores de elite a pisar em solo norte-americano.

A temporada 2017 proporcionou a todos os amantes do soccer momentos sensacionais, como a consumação da missão de Giovinco e do Toronto FC na conquista da MLS Cup, mas também momentos espetáculo que têm vindo a ser tradição do futebol desse país. Entre todos os grandes momentos houve também aqueles que foram menos bons, como a grande desilusão que algumas formações constituíram na temporada passada, tendo em conta a expectativa depositada nas mesmas.

Entre grandes prestações individuais e momentos de brilhantismo, é tempo de eleger os 10 melhores jogadores da Major League Soccer na temporada passada, independentemente da prestação da respetiva equipa. E, com a crescente competitividade do campeonato, a escolha nunca seria fácil. E, portanto, também é mandatária a presença de menções honrosas. Os seguintes jogadores fizeram épocas fantásticas no seu próprio direito, mas acabam por não ser suficiente para os incluir no top10 dos melhores jogadores da MLS 2017.

 

Justin Morrow

Com o principal foco do Toronto FC a ser indiscutivelmente o caudal ofensivo liderado por Sebastian Giovinco, é fácil esquecer que a defesa da formação canadiana foi extremamente sólida durante toda a temporada de 2017, muito graças a um dos líderes da equipa.

De características sobretudo defensivas, Morrow é extremamente versátil e atuou em 3 posições durante a temporada: central, lateral-esquerdo e médio-esquerdo. Apesar de não ter a braçadeira (que pertence a Michael Bradley), Morrow é o tipo de jogador que incentiva os colegas durante toda a partida, não se ficando por aí e mostrando uma grande solidariedade e solidez defensiva durante a temporada. Acrescendo a isso, 8 golos durante a temporada regular para um jogador que fez metade dos seus jogos na temporada a defesa não é um registo que possa passar em claro.

           

Tim Melia

Num campeonato que tem características e equipas extremamente ofensivas, o guardião do Sporting Kansas City foi o menos batido durante a temporada. Em 31 partidas disputadas na fase regular (e só não foi totalista porque se lesionou precisamente na 31ª jornada) sofreu apenas 24 golos, um registo fenomenal que acabou por ser vital para a presença da formação de Kansas City nos playoffs (por apenas 3 pontos).

Melia enfrentou 116 remates à baliza na fase regular, defendendo 91 desses remates, o que equivale a um registo de 78.4% de remates salvos. Com um mínimo de 15 partidas disputadas, Melia foi o único guardião a ter uma média inferior a 1 golo sofrido por partida, com 0.77GS por partida.

 

Jack Harrison

Se é verdade que David Villa foi o principal obreiro do New York City FC graças aos seus 22 notáveis golos durante a campanha da equipa de Patrick Vieira, é igualmente verdade que o extremo direito da formação nova-iorquina foi o elemento mais proativo no ataque da equipa.

Com uma margem de progressão assustadora, tendo terminado ainda a temporada com 20 anos, o inglês é o típico extremo irrequieto. Terrível em termos de marcação para os adversários, brilhante com a bola nos pés e uma autêntica pulga no flanco, Harrison terminou a fase regular da MLS com 10 golos e 3 assistências, sendo o principal catalisador da avalanche ofensiva do NYCFC pelas alas.

Pertencente aos quadros do Manchester City, a fenomenal época em Nova Iorque valeu-lhe um empréstimo ao Middlesborough, do Championship inglês.

 

Ola Kamara

Depois da saída de Kei Kamara para New England, os Columbus Crew procuravam um novo goleador que pudesse calçar as botas do avançado da Serra Leoa. E se é verdade que o norueguês correspondeu na época de estreia, o nórdico tornou-se ainda mais na referência ofensiva da equipa do estado de Ohio.

Com 18 golos em 34 partidas pela formação do português Pedro Santos, Kamara fez uma fantástica dupla com o argentino Federico Higuaín, irmão do goleador que todos nós conhecemos. A época valeu-lhe a transferência para os LA Galaxy que procuram reconstruir a equipa depois de uma época miserável.

 

Ignacio Piatti

Um dos jogadores mais entusiasmantes e brilhantes da Major League Soccer desde a sua chegada em 2014, o extremo argentino dos Montreal Impact continuou a dar cartas no campeonato, embora isso não tenha sido suficiente para catapultar os canadianos para uma presença na fase de apuramento de campeão.

Com explosões fenomenais da ala esquerda para o meio, algo que já lhe proporcionou grandes golos e momentos ao longo das últimas épocas, o sul-americano que recentemente fez 33 anos terminou a temporada com 17 golos e outras 5 assistências, contribuindo diretamente para mais de 40% dos golos da formação canadiana.

 

            Feitas as menções honrosas, está na hora de eleger os 10 melhores jogadores da Major League Soccer 2017, entre os quais algumas possíveis surpresas ou jogadores que, em qualquer outra lista, não estariam presentes por uma ou outra razão.

 

Joe Bendik

Se é verdade que a temporada do Orlando City foi para esquecer, tendo terminado em penúltimo na conferência este, os registos defensivos da equipa da Florida teriam sido muito, muito piores não fossem as constantes exibições brilhantes de Bendik. Os 52 golos sofridos nas 33 partidas que disputou não fazem justiça perante a importância do guardião da equipa que viu Kaká despedir-se do futebol nesta temporada.

Com 173 remates desferidos na direção da sua baliza, o guarda-redes natural de Nova Iorque defendeu 116 dos mesmos e ainda terminou a temporada com 7 partidas sem sofrer golos, o que não deixa de ser um registo notável tendo em conta a inconsistência da barreira defensiva que tinha à sua frente.

Pese embora os 1.52 sofridos por jogo, os 68% de remates defendidos durante a temporada, tendo em conta o elevadíssimo número de vezes a que foi chamado a intervir, fazem de Bendik um dos destaque da MLS em 2017.

 

Victor Vazquez

Tal como Justin Morrow nas menções honrosas, o trabalho do médio do Toronto FC foi ofuscado durante a temporada pelo espetáculo ofensivo oferecido por Jozy Altidore e especialmente Sebastian Giovinco.

Preferencialmente médio de características mais equilibradas, a polivalência de Vazquez faz com que possa jogar em qualquer posição no meio do terreno sem grandes problemas. A sua assertividade e simplicidade de processos fez com que, junto de Michael Bradley, se tornassem peças indispensáveis no xadrez da formação canadiana que acabou por vencer a MLS Cup com distinção.

Eficaz nos processos defensivos e ofensivos, os registos do espanhol no futebol norte-americano ganham ainda mais brilho quando se percebe que esta foi a sua época de estreia: 8 golos e 10 assistência na fase regular, assim como importantíssimos 2 golos e outra assistência nos playoffs. Os 31 anos e a chegada a uma nova realidade competitiva não impediram Vazquez de se tornar num dos destaques da Major League Soccer em 2017.

 

Miguel Almirón

O primeiro de dois jogadores do Atlanta United na lista, o internacional paraguaio teve uma época absolutamente incrível pela equipa de Tata Martino. Na temporada de estreia desta equipa na MLS, a equipa do estádio de Georgia foi levada a cabo da batuta de Almiron, o principal criador ofensivo e criativo da equipa que durante toda a temporada teve um sabor sul-americano.

A combinar ou a servir Josef Martínez, o venezuelano que mais tarde estará presente nesta mesma lista, o médio ofensivo de 24 anos apontou 9 golos e serviu os seus colegas por outras 8 ocasiões. Mais do que isso, a sua proatividade e iniciativa ofensiva foram das armas mais importantes que o antigo técnico do Barcelona dispôs durante toda a temporada.

Brilhante com a bola nos pés, a criar, distribuir e mesmo a finalizar, Almiron foi e será, nas próximas temporadas, um dos talentos que mais vale a pena acompanhar no futebol norte-americano.

 

Nemanja Nikolic

Depois de um par de épocas notáveis pelo Légia de Varsóvia, onde apontou 55 golos em apenas duas temporadas, a fasquia estava alta para a chegada do magiar a Chicago e ao futebol norte-americano. Porém, por muito que as expectativas fossem altas, seriam poucos os que esperavam uma época tão explosiva por parte de Nikolic.

Depois duma fenomenal primeira metade de época, 9 jogos seguidos sem golos por parte do avançado não o impediram de terminar a fase regular em grande, com 8 golos em 7 partidas.

Embora a precoce eliminação dos Chicago Fire nos play-offs, às mãos dos sempre perigosos New York Red Bulls, a presença do húngaro no futebol norte-americano é já inegável. Típico avançado de área e letal a finalizar, o futuro dos Chicago é otimista enquanto Nikolic for o comandante ofensivo da equipa.

 

Sacha Kljestan

O rei das assistências no futebol norte-americano e o grande criativo dos New York Red Bulls. Depois duma proveitosa experiência europeia no Anderlecht, o americano assumiu a braçadeira dos nova-iorquinos da melhor forma possível esta temporada, terminando a época com 17 assistências e, quiçá, solidificando o seu estatuto na seleção do seu país.

Atuando primordialmente a médio ofensivo, mas podendo jogar mais atrás ou mesmo a ponta-de-lança, Kljestan foi a principal referência da equipa pertencente do grupo Red Bull, numa temporada que só terminou nos play-offs, às mãos dos campeões Toronto FC.

Além de líder dentro do campo, foi o maestro e a grande referência nas 35 partidas que disputou na MLS.

 

Josef Martínez

O avançado mais explosivo da Major League Soccer. Nem uma lesão na coxa que o viu afastado dos relvados por 2 meses travou o goleador venezuelano que, na sua época de estreia na MLS, apontou 19 golos em 20 jogos na fase regular, juntando ainda outra assistência.

Uma presença possante e uma força inconfundível, Martínez será um caso sério na temporada de 2018 se se conseguir distanciar das lesões que tantos jogos que lhe custaram na época passada.

Depois de 3 temporadas sem grande sucesso em Itália, no Torino, o venezuelano finalmente alcançou o protagonismo ofensivo e os minutos de jogo que tanto precisava para se fazer notar. E a verdade é que se fez notar, e muito bem, no futebol norte-americano.

 

Romain Alessandrini

As expectativas estavam altas para os adeptos dos LA Galaxy, com bastantes e valiosos reforços que podiam levar a equipa a uma boa prestação nos play-offs. A verdade é que a equipa da Califórnia terminou em último na sua conferência e necessita, urgentemente, de uma reavaliação do projeto competitivo. Mas Alessandrini foi a luz ao fundo do túnel…

Na sua época de estreia no futebol norte-americano, o francês de 28 anos teve rasgos de brilhantismo durante toda a temporada. É injusto apelidar o gaulês como o “melhor dos piores” do LA Galaxy porque, no seu próprio direito, foi um dos principais pontos de interesse da competição na época de 2017.

Com os seus fenomenais dribles e velocidade, ainda para mais para a realidade defensiva da Major League Soccer, 13 golos e 12 assistências valem-lhe um lugar nesta lista. No caso de uma temporada positiva da formação de Los Angeles, Alessandrini poderá muito bem ser um caso sério nos play-offs em 2018.

 

David Villa

Velhos são os trapos. Fazendo toda a temporada de 2017 com 35 anos, o internacional espanhol foi o melhor marcador da MLS em 2017, apontando 24 golos em 33 jogos (22 na fase regular + 2 nos play-offs). Com a sua classe e subtileza que é característica, grandes golos e momentos andam sempre de mão dada com ‘Villa Maravilla’, o principal obreiro da espetacular temporada da equipa de Patrick Vieira.

Não só líder em termos de golos, mas também capitão de equipa, Villa transmite uma experiência inestimável a todos os restantes elementos do plantel nova-iorquino, sendo um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento de Jack Harrison (presente nas menções honrosas), sendo também ele uma espécie de mentor para o britânico fora dos relvados.

Não é a idade que o impede de ser menos móvel ou de correr menos. Entre finalizações magistrais e golos do meio-campo, Villa é uma das presenças inigualavéis no futebol norte-americano.

 

Sebastian Giovinco

Se alguém lhe disser que um jogador se pode tornar uma lenda viva do clube em apenas 3 temporadas, é normal torcer o nariz e fazer questões. Porém, no caso de Giovinco, é a melhor definição possível. A conquista da MLS em 2017 foi a cereja no topo de bolo e o italiano é o jogador mais importante da história do clube, seja pelos efeitos mediáticos, seja pelas prestações dentro do campo.

A formiga atómica tem o it factor que o permite resolver uma partida num golpe de brilhantismo e foi muito por causa do seu talento que o Toronto celebrou no final de 2017 a sua primeira MLS Cup.

Em 29 jogos na competição registou 17 golos e 7 assistências, entre eles jogadas de mestria e fantásticos golos de livre que tanto vão marcando o seu tempo na formação canadiana. Uma fantástica adaptação ao Canadá e ao futebol norte-americano são fatores favoráveis a que as suas campanhas em Toronto tenham sido marcadas por tantos momentos de destaque.

Normalmente atrás de Jozy Altidore, na função de segundo-avançado, Giovinco não se limita a marcar golos, sendo ele também o principal construtor de jogo no último terço dos canadianos.

 

Diego Valeri

Aos 31 anos, o antigo médio do Porto chegou ao melhor momento na carreira que culminou na conquista do MVP de 2017 na Major League Soccer, com toda a justiça. Golo atrás de golo e recorde atrás de recorde marcaram a temporada do médio ofensivo argentino que se foi tornando, ao longo dos últimos anos, uma das principais atrações do futebol norte-americano.

Longe de lesões e problemas físicos que poderiam afetar o seu rendimento e consistência durante a temporada, Valeri bateu o recorde da MLS e marcou em 9 (!) partidas consecutivas, num registo que terminou com 10 golos em 9 partidas. É necessário dizer que este registo para um médio-ofensivo, em qualquer campeonato do globo, é absolutamente incrível.

Mais do que marcar golos e despejar passes para os colegas (23 golos e 10 assistência na junção da fase regular com os play-offs), todo o jogo dos Portland Timbers passa, de uma for ou outra, pelo sul-americano. Além de finalizador, Valeri é criador. O maestro no último terço, não se sente desconfortável em qualquer momento ou função que tenha de levar a cabo.

Polivalente com os pés, passa, dribla ou finaliza com a maior tranquilidade e categoria. É por essas mesmas razões, acrescendo aos seus registos fenomenais, que Valeri foi eleito o jogador mais valioso da Major League Soccer em 2017 e continua a ser a peça fundamental dos Portland Timbers.

 

Com a chegada do Los Angeles FC à Major League Soccer, tendo também em conta as prestações dos jogadores mencionados nesta publicação, o futebol norte-americano acaba por ser cada vez mais um foco de interesse para os adeptos do futebol por todo o globo. Apertem os cintos; a MLS 2018 vai ser verdadeiramente fantástica.

Sobre o Autor

Luís Barreira

Nascido em 1997, nos Açores, é apaixonado por futebol desde que se lembra. O interesse por nichos, especialmente pelo futebol nórdico, também não é recente. Atualmente estuda Comunicação e Jornalismo em Lisboa e espera ter o futebol como base da sua carreira profissional.

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