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Eduardo Camavinga

Eduardo Camavinga, nascido Miconje, Angola, criado em França, hoje um gaulês convicto a exibir a cor azul nos relvados pela selecção sub21 francesa. Camavinga é um dos jogadores jovens mais procurados do mundo neste momento e não é por acaso, aos 16 anos estreou-se pela equipa principal do Rennes, onde ainda hoje actua. Com tão tenra idade não se deixou intimidar nos seus primeiros passos na Ligue1, mostrando sempre uma enorme personalidade, é um jogador geralmente concentrado e claro, com uma qualidade acima da média para alguém da sua idade.

Nesta temporada já actuou no meio campo dentro de um 4-4-2, 4-2-3-1 ou até 5-3-2. Camavinga é um médio muito completo, com a capacidade defensiva e fisionomia típica de um médio defensivo, a capacidade de transporte de um médio ‘box-to-box’ e qualidade de passe de um organizador de jogo. Participa muito bem em todos os momentos do jogo, sendo ele o farol da sua equipa, dando-se ao jogo e aos seus colegas, procurando sempre ter iniciativa no jogo, demonstrando uma enorme personalidade para alguém tão jovem.

Com bola é um jogador muito importante, procura sempre aproximar-se dos defesas para iniciar a organização ofensiva da equipa, é ele quem tem mais qualidade com bola e também a confiança para o fazer.

Na fase de construção não se deixa intimidar pela pressão dos adversários, mostrando uma frieza arrebatadora, conseguindo executar passes sob pressão (tem uma média de 91% em passes completos) e também muitas vezes consegue o drible sem problema (Completa em média 72% dos dribles) saindo da zona de pressão para colocar um passe ou saindo na transição.

Quando a equipa está num momento mais avançado na construção ofensiva, Camavinga demonstra uma grande maturidade no seu jogo, pois em vez de tentar jogar rápido num tipo de jogo mais directo, é em vez disso capaz de manter a compostura e calmamente procura manter a sua equipa em posse identificando bem espaços demasiado sobrelotados, espaços abertos e opções viáveis de passe para também por vezes entrar em combinações à “boca” da área.

Mas algo interessante nesta fase é que Camavinga também tenta aumentar a velocidade do jogo imediatamente, pedindo logo desde trás a bola no espaço, com o objectivo de aproximar rapidamente a equipa do ataque.

Ainda nesta vertente do aumento do ritmo de jogo, Camavinga tem uma qualidade de transporte muito boa, muitas vezes pegando na bola galgando terreno até ao meio campo defensivo do adversário, criando depois muitas situações de sobreposição seja no centro ou no ‘meio-espaço’.

Talvez a sua melhor característica no momento ofensivo seja a sua leitura de jogo e o jogo sem bola. Camavinga é um jogador que está em constante movimento, procurando oferecer linhas de passe e baralhando sempre marcações, mas são as suas corridas de engodo que dão brilho ao seu jogo, seja para receber a bola orientando logo o seu corpo para sair rapidamente na transição ou para arrastar a marcação do adversário criando espaços para a sua equipa explorar.

No momento defensivo, ou não fosse ele um médio defensivo na sua essência, mostra também uma enorme qualidade, seja através das suas acções individuais no 1v1 ganhando 56% dos desarmes, 57% dos duelos individuais e 54% das bolas pelo ar. Mas é na sua capacidade de leitura e de cobertura que ele mostra o seu melhor no momento defensivo, conseguindo cobrir uma área considerável devido à sua velocidade, mas também estando sempre bem posicionado controlando linhas de passe ou o espaço à volta da bola, estando sempre em cima da acção.

Mas tem um aspecto onde pode claramente melhorar, pois ainda lhe falta alguma consistência na transição defensiva, não por demonstrar pouca qualidade neste momento, bem pelo contrário, pois devido à sua capacidade atlética e capacidade de desarme consegue participar muito bem nestas acções, mas o problema está na frequência com que as faz, pois às vez alheia-se neste momento deixando a equipa partida e ele aqui pode ser muito importante.

Aos 17 de idade é um jogador que está na ‘shortlist’ de qualquer equipa grande na Europa e acaba por ser já uma opção viável para essas equipas mesmo em tenra idade devido sobretudo à sua maturidade, não sendo normal de todo que um miúdo desta idade pareça que já anda no futebol sénior há muitos anos.