Menu Fechar

Raio X Táctico: Eintracht Frankfurt

Ao cuidado do Sport Lisboa e Benfica deixamos um Raio X completo do seu próximo adversário nestes quartos de final da Liga Europa que pode permitir à equipa Portuguesa a passagem a mais uma meia final da prova. Para isso terá de ultrapassar uma das sensações da temporada, os alemães do Eintracht.

Equipa Sensação tanto da Bundesliga como da Liga Europa

A realizar uma época de sonho, o modesto clube encontra-se no 4º lugar da Bundesliga, apenas ultrapassado por Bayern Munique, Dortmund e Leipzig, o último com uma diferença de apenas 3 pontos…

Já nas competições europeias, além de não ter perdido qualquer jogo até ao momento e ser a única equipa germânica ainda presente na Europa, conseguiu também eliminar o sempre poderoso Inter de Milão nos oitavos de final, após vitória em San Siro por 0-1, isto após um empate sem golos em casa para a 1ª mão, conseguindo o estatuto de uma das surpresas da prova, a par do Slavia de Praga.

O sistema tático

O treinador austríaco Hutter trabalhou os seus princípios de jogo alicerçados num sistema de 3-4-1-2, bastante ofensivo e sempre muito difícil de operacionalizar. Este dispositivo tático por não ser muito recorrente nos tempos que correm, atribui à equipa uma certo grau de imprevisibilidade, não dando grandes referências de marcação a adversários que demoram a conseguir adaptar-se e a perceber as suas especificidades.

Ofensivamente tenta recuperar a posição do médio ofensivo (o denominado número 10) que actua nos espaços entre linhas adversárias e posicionado nas costas de dois atacantes, assumindo importância extrema nas dinâmicas ofensivas da equipa e explorar do jogo interior, principalmente no que ao último passe diz respeito.

Na construção de jogo, saída desde trás através dos 3 centrais bem abertos (campo grande), procurando sobretudo saír pelos corredores laterais e já no meio campo ofensivo, há então o explorar/desiquilibrar do jogo interior. Quando pressionados de forma alta e agressiva pelos opositores, não hesitam em jogar longo, algumas das vezes sem grande critério, na tentativa essencialmente de não cometer falhas /perdas de bola em zonas consideradas perigosas.

É nas transições Defesa-Ataque em velocidade onde podem causar maior perigo. Após a recuperação do esférico, há uma nítida preocupação em tentar um passe vertical que encontre na frente um jogador ofensivo, queimando linhas adversárias e conseguindo após esse verticalizar do jogo, ligar vários passes ao primeiro toque pelo corredor central com combinações constantes entre os 3 homens da frente (2 Acs + MO), culminando com um passe de rutura nas costas da defesa contrária, normalmente isolando um dos atacantes frente à baliza adversária.

Defensivamente, optam por uma pressão média/baixa, tendo como principal missão o fechar dos espaços. Mais do que uma equipa pressionante com rápida reação à perda da bola, procura essencialmente recuar, reposicionar-se defensivamente e conseguir ocupar os espaços com inteligência e organização. Com dois médios centro com bom posicionamento, leitura e antecipação defensiva (Rode e Gélson Fernandes), em organização defensiva pode promover-se a inversão do triângulo, dependendo sempre do médio ofensivo que estiver a actuar. Passamos a explicar: caso em jogo esteja Gacinovic, Willems ou de Guzmán após a perda de bola, o jogador dessa posição recua e posiciona-se a par do outro médio centro, ajudando a defender em largura atravês da presença de dois médios interiores, com um médio mais defensivo nas suas costas (Gélson ou até mesmo Hasebe). Caso a opção recaia em Rebic no vertice ofensivo do triângulo, este não irá recuar em organização defensiva, permanecendo nas costas dos atacantes sem grandes preocupações defensivas, enquanto atrás permanece apenas a dupla central de médios lado a lado, sendo que o controlar e preenchimento da largura defensiva se dará pelo não “afundar” excessivo dos Alas que se mantêm na mesma linha dos médios. Neste caso, apenas com o ganhar da linha de fundo por parte do adversário, haverá o natural recuar do Ala para tentar fechar o respetico corredor.

Ainda alertar para o organizado comportamento defensivo no último terço do terreno, com constantes coberturas defensivas, tanto da parte do defesa lateral sempre a ler o jogo e dobrar o seu Ala quando necessário com a devida compensação do médio mais recuado, como do libero que sempre que necessário dobra o defesa lateral.

Equipa Provável

O Tridente Ofensivo

Chamamos desde já a atenção para o trio atacante desta jovem equipa, não somente pela qualidade individual que cada elemento tem e que é bastante, mas antes pelo tipo de movimentações/desmarcações inerentes aos princípios de jogo da equipa e que são muito difíceis de ser contrariados.

Senão vejamos:

O tridente ofensivo nos 3 jogos observados pela Proscout foi sendo consecutivamente alterado, tanto no início como no decorrer dos encontros, e mesmo com intervenientes diferentes os comportamentos, dinâmicas e desequilíbrios nas organizações defensivas adversárias foram constantes.

Acreditamos que os 3 da frente que melhor se complementam serão :

  • Rebic – Assumindo a posição de médio ofensivo colocado nas costas dos dois atacantes, procura sempre passes de ruptura para as costas das defesas adversárias, ou promove trocas de posição com o atacante que baixa para o espaço entre linhas, enquanto o Croata realiza o movimento contrário com desmarcações de rutura nas costas dos defesas. Ainda aparece nos corredores laterais para oferecer linhas de passe e gerar situações de superioridade numérica.
  • Jovic – Como avançado rápido, móvel e fortíssimo no 1×1, capaz de recuar para pedir bola no espaço entre linhas e rapidamente rodar e realizar passes de ruptura nas costas dos centrais adversários. Também capaz de fazer a movimentação inversa, ao efectuar ele próprio, as desmarcações de ruptura nas costas dos defesas adversários e que por diversas vezes lhe permitem ficar isolado na ” cara dos guarda-redes”.
  • Haller – Gigante de 1,90 m, forte fisicamente, sendo a referência ofensiva para a equipa poder recorrer a um futebol mais directo. Forte a segurar a bola “entre linhas”, permitindo a realização de movimentos em profundidade do outro atacante. Fortíssimo no jogo aéreo e com forte presença na área.

No entanto, ainda poderão surgir:

  • Gacinovic – Capaz de melhor realizar a ligação meio-campo / ataque com grande capacidade no último passe. Ainda permite que defensivamente, o meio campo fique mais preenchido ao recuar e ajudar a formar um trio de médios.
  • Gonçalo Paciência- O Português não fazendo parte das primeiras escolhas, tem tido alguma utilização, essencialmente quando a equipa passa por momentos de maior “aperto”, necessitando de chegar ao golo. Normalmente entra com o decorrer do jogo para formar uma dupla junto de Haller, para tentar tirar partido da presença física/jogo aéreo dentro da área de ambos.

Haverá ainda a hipótese da dupla atacante ser constituída por Rebic e Jovic que procuram não só o explorar da profundidade, como também realizam movimentações em largura, aparecendo nos corredores laterais e assim conseguir situações de superioridade númerica e realização diagonais para o corredor central, não se dando tanto à marcação. Com esta dupla a equipa ganha qualidade técnica, imprevisibilidade, velocidade e capacidade de finalização na frente. Importante solução para jogos de maior grau de dificuldade, perante equipas pressionantes e que concedam espaços atrás para explorar a profundidade e os contra-ataques rápidos.

A Polivalência do plantel

Chamou-nos ainda a atenção, o recorrer a vários jogadores para desempenhar diferentes posições e papéis no terreno de jogo, sem influenciar o rendimento e produtividade da equipa: Hasebe que desempenha tanto funções de médio mais recuado, como de libero. Willems que pode actuar como Ala direito ou como médio centro. O caso do já falado Rebic que tanto ocupa a posição de médio ofensivo, como avançado centro ou até médio direito. Mesmo o possante atacante Haller, nos movimentos que realiza ao longo dos jogos, nomeadamente no recuar para o espaço entre a defesa e meio campo adversários, trocando de posição com o jogador que ali actua, revela um conhecimento profundo da posição do médio mais ofensivo, sabendo exatamente como agir nessa zona e quais os comportamentos que deve ter. O próprio Gacinovic já desempenhou o papel na dupla de médios centro, colocada na frente do trio defensivo.

Defendemos que outros casos possam se suceder, dado às características de jogadores como Kostic que tendo jogado como Ala esquerdo nas partidas analisadas, onde demonstrou grande capacidade de cruzamento, boas entradas em zonas de finalização, capacidade de finalização acima da média, capacidade técnica, fora a execução perfeita de livres directos! Acreditamos assim que mesmo o Sérvio seja capaz de actuar com rendimento noutro tipo de posições, talvez como médio ofensivo ou até a avançado.

Isto não só revela leitura táctica de jogadores e treinador, como também demonstra que serão aspectos muito bem trabalhados no processo de treino, onde todos estão envolvidos e muito bem identificados com o modelo de jogo da sua equipa.

Aspectos a explorar

  • O seu corredor esquerdo, dado que Kostic ofensivamente é um perigo à solta no flanco, mas defensivamente apresenta alguma lentidão no na transição defensiva e a fechar o seu flanco;
  • Alguma falta de velocidade e coordenação motora por parte dos seus 3 defesas, principalmento do veterano Hasebe (35 anos) e Hinteregger.
  • Alguma incapacidade dos defesas para construir jogo sob pressão. Uma pressão alta e agressiva sobre portador da bola, vai obrigar ao recorrer a um jogo mais directo sem critério no passe longo, não permitindo que os defesas consigam ler o jogo de frente sem oposição e transportar bola invadindo o meio campo adversário.
  • Procurar sempre que se encontrem no último terço do terreno ofensivo pelo corredor central, retirar a profundidade aos atacantes e não permitir que o médio ofensivo (ou o jogador que apareça nessa zona do terreno) tenha tempo e espaço para puder executar o último passe para as costas da defesa. Controlando esses espaços, consegue-se anular grande parte do processo ofensivo da equipa e deixá-la desconfortável.

Conclusão

Após se ficar a conhcer os nomes das equipas que compõe os quartos de final da Liga Europa (SL Benfica, Eintracht Frankfurt, Slavia Praga, Villareal, Nápoles, Arsenal e Chelsea) os media foram unánimes em considerar este sorteio como favorável para a equipa lusitana, talvez motivada pela presença de alguns plantéis milionários e de clubes com um valor histórico incalculável.

Na nossa opinião e análise os “encarnados” terão pela frente dois jogos de altíssima exigência, perante um plantel com qualidade individual e mais importante ainda, organização e qualidade coletiva!
Tanto em Lisboa como em Frankfurt, os comandados de Lage podem esperar uma equipa táticamente muito evoluída que sabe o que fazer em cada momento do jogo, vertical, objectiva, competitiva, organizada e que acima de tudo vale pelo seu todo…

Não temos qualquer tipo de dúvidas que iremos assistir a uma eliminatória muito dividida e só um Benfica muito forte poderá carimbar a tão desejada passagem e assim ficar mais perto do sonho europeu.