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Ajax-PAOK: a lei do mais forte

Depois de na passada terça feira empatar a duas bolas em casa, o PAOK levou a eliminatória para ser discutida em Amesterdão. Foi então no reduto dos holandeses que os comandados de Abel não conseguiram superiorizar-se aos semifinalistas da edição passada da Champions. Deixamos a análise ao que foi o confronto entre ambas as equipas nesta segunda mão.

Linhas gerais deste novo Ajax

Sem De Ligt e Frenkie De Jong, o Ajax começa a temporada naturalmente menos forte que o ano passado, embora tenha mantido a grande maioria do elenco que os levou à conquista do campeonato nacional e à grande campanha a nível europeu. Apresentam-se num 4-3-3 muito dinâmico que privilegia a posse de bola onde os laterais têm bastante liberdade para atacar, por força do posicionamento de Blind (como médio muito recuado junto aos centrais em organização defensiva) e Mazraoui/Marin a ocuparem zonas mais centrais do terreno. Van de Beek é um jogador chave no processo ofensivo da equipa e vamos explorar isso mais à frente. Por sua vez Ziyech, Neres e Tadic são os três da frente de ataque que, com extrema liberdade, criam dinâmicas entre si para facilitar situações de finalização por força da linha defensiva contrária estar desposicionada.

Domínio do Ajax contra transições rápidas dos gregos

Os três penaltis concedidos pelo PAOK são uma situação atípica no futebol, mas acabam por delinear a superioridade que teve a equipa da casa ao longo de praticamente todo o jogo. A estratégia de Abel passava por ter um bloco alto numa primeira fase de pressão, que recuava para o seu meio campo assim que o Ajax conseguia colocar a bola em um dos seus médios. Em caso de recuperação de bola, a velocidade em condução de Pelkas e Biseswar aliada à sua criatividade comandavam a transição ofensiva, explorando uma equipa desequilibrada e com muito espaço no seu meio campo, fruto dos jogadores que chegam ao último terço em situação de organização ofensiva.

Biseswar fez dois golos e uma ótima partida, acusando desgaste já na parte final. Pelkas, o capitão, recuperou bolas importantes e saiu sempre bem com a bola controlada, mas faltou-lhe decidir melhor e ser mais assertivo no último passe (onde costuma ser exímio). Com a entrada de Swiderski para o seu lugar, a equipa ficou mais desligada do seu modelo de jogo, uma vez que as suas características não lhe permitem ligar o jogo entre a linha média e a linha ofensiva e a equipa pedia isso.

Ziyech: futebol para outros voos

De um 4-3-3 (por vezes inicia-se com um 4-2-3-1 devido à pressão alta que exercem) em organização defensiva, o Ajax adota uma variante com quatro homens na frente no momento ofensivo. Aquando da recuperação de bola, van de Beek encosta a Tadic por forma a desbloquear linhas de passe nas zonas entre linhas e de finalização. Para que isto seja possível, a colaboração de Neres e de Ziyech é também ela fundamental, sempre com a incorporação dos laterais. Há alturas do jogo em que os quatro combinam num espaço reduzido do terreno, sem qualquer posição definida, dificultando a tarefa defensiva do PAOK.

A exibição de van de Beek e Ziyech só não ficou materializada com golos porque Paschalakis defendeu quase tudo o que havia para defender (até um penalti). Sem retirar mérito a Dusan Tadic ou Donny van de Beek, foi o marroquino quem fez por merecer a distinção de melhor em campo pela quantidade de oportunidades de golo que criou. Colocou os seus colegas mais que uma vez em situações favoráveis junto à grande área através do passe e ainda proporciona uma das melhores oportunidades do jogo ao deixar van de Beek só com o guarda redes pela frente. É um extremo que oferece muito mais que velocidade ou cruzamentos, pois pisa terrenos interiores com muito à vontade devido à forte componente técnica e visão de jogo. Dois remates muitos perigosos à baliza, uma assistência, está envolvido no lance do primeiro penalti e executou com sucesso seis passes chave.