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Análise SC Braga x SL Benfica

A 31ª  jornada da Liga NOS não defraudou expectativas, e as deslocações de FC Porto e SL Benfica a Vila do Conde e a Braga respectivamente, revelaram-se complicadas e mexeram com as contas do título.

Bruno Lage sabia de antemão do deslize dos “Dragões”, empate a 2 bolas com o Rio Ave, e que não podia cometer os mesmos erros das eliminatórias em Frankfurt e Alvalade: tudo o que não fosse uma vitória, ou deixaria igual o topo da classificação, isto em caso de empate, ou recolocava azuis e brancos no primeiro posto, a depender apenas de si para a reconquista do bicampeonato!

Jornada de loucos!

O empate da sua equipa despertou a fúria dos adeptos portistas, mas um desaire das águias no Minho, transformaria um resultado negativo em positivo num curto espaço de tempo.  

Foi um Braga pressionante, agressivo e à procura da vitória o que apareceu na Pedreira, condicionando a 1ª fase de construção do Benfica e a não deixar ligar o seu jogo, sobretudo com um pressing forte sobre Ferro, Samaris e Florentino elementos importantes na construção de jogo.

Ofensivamente procurou explorar o espaço entre linhas nas costas dos médios Samaris e Florentino, através dos movimentos de Paulinho, Horta e Fransérgio.

 O primeiro golo é o reflexo da intensa pressão realizada sobre o portador da bola, consequente recuperação e transporte com penetração na área. Fransérgio acabou derrubado, grande penalidade concedida e convertida.

Benfica desconfortável na primeira parte

O SL Benfica não estava preparado para ser tão condicionado na sua construção desde trás, não conseguindo ligar o seu jogo e chegar a zonas de finalização. Pouco jogo interior, muito devido à dupla de médios Samaris e Florentino estar demasiado recuada no terreno de jogo.

A equipa ficou bastante desconfortável com a forte pressão dos guerreiros do Minho, e recorreu ao passe longo, sobretudo por Ferro quando conseguia ter algum espaço para poder lançar em profundidade.

Numa fase inicial do jogo, Rafa jogou sobre o corredor direito, na tentativa de explorar as debilidades defensivas do adaptado lateral Murillo, mas rapidamente regressou para a faixa contrária, onde se sente mais confortável e teve que lidar com a cerrada marcação de Ricardo Esgaio que o acompanhava em todos os seus movimentos, incluindo os interiores.

Dados Estatísticos da primeira parte:

Ao intervalo, por incrível que possa parecer, o SL Benfica acabou com maior percentagem de posse de bola 64%. Contudo, a maior parte dessa percentagem foi obtida no seu meio campo defensivo e defesa, sem causar grande incomodo ao adversário, portanto….

Teve mais bola, mas nunca conseguiu ter o domínio do jogo, como comprova o facto de apenas contabilizar 4 remates realizados, contra 10 dos minhotos, e nenhum desses remates ter sido no alvo.  

As correcções de Lage

Na 2ª parte Bruno Lage corrige posicionamentos com o recuo do Grego Samaris para saídas a 3 defesas e projetou Grimaldo pelo corredor esquerdo, na tentativa de poder ofensivamente trazer a sua qualidade individual ao jogo. Aliado a tudo isto, Pizzi passou a jogar mais pelo corredor central e a equipa explorou mais o jogo interior.

Os encarnados conseguiram dar a volta ao marcador com três golos de bola parada, mas são estas mudanças que determinam a melhoria no 2º tempo, bem como uma mudança de atitude: mais agressiva, pressionante e subida no terreno.

Com o resultado desejável a aparecer, o treinador dos encarnados ordenou que a equipa recuasse linhas, se reagrupasse e se organizasse defensivamente. Ao fazê-lo, convidou os da casa a assumir novamente a iniciativa do jogo e a subir linhas, concedendo os espaços desejados para saídas rápidas em contra-ataque. Potenciou tudo isto com as entradas dos velozes Gedson para médio centro e Salvio para extremo direito.  

Perante o domínio encarnado, os minhotos acabaram por ceder fisicamente ao ritmo alto do jogo. Abel Ferreira ainda arrisca mudança tática para 3-4-3, mas com a equipa exausta e lenta nas transições defensivas acaba por sofrer o quarto golo.

Dados estatísticos da segunda Parte:

A equipa minhota acaba o segundo tempo com apenas 2 remates realizados, sendo que apenas um foi considerado remate à baliza, contra os 10 realizados na primeira metade do encontro, o que explica bem a mudança na atitude dos visitantes…

Os encarnados mantiveram o domínio da posse de bola, agora com 54%, mas com a diferença dessa percentagem ser obtida. agora em todo o terreno de jogo. Fechou as contas com 13 remates, contra os 4 do primeiro tempo, e 9 foram considerados remates no alvo…

A reconquista está mais próxima…

Ainda faltam 3 jogos para a conclusão deste campeonato, é certo, mas a equipa do Benfica com a vitória conquistada na exigente viagem ao Minho, dá passos firmes e seguros para a conquista do seu 37º campeonato.

Esta deslocação a Braga, a par da visita que ainda terão de realizar ao reduto do Rio Ave, afiguravam-se como a grande esperança dos rivais para uma possível escorregadela e o reassumir da liderança.

Com o passar dos jogos e os encarnados a conseguir passar com distinção as provas a que vão sendo sujeitos, inquieta ainda mais os seus adversários directos, com a agravante do que se veio confirmar ser um resultado negativo do FC Porto no último jogo, gerou um clima de grande pressão e contestação para os encontros que se avizinham, e como efeito adverso natural, deixou o clube da Luz mais confortável e confiante para o que falta jogar na Liga NOS, contando com o entusiasmo cada vez maior da sua massa adepta.