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Ataque Posicional, Contra-Ataque e Ataque Rápido. Como distingui-los?

Reflectindo e observando o jogo de futebol à nossa volta, vemos muitas vezes dentro dos média – jornais, programas televisivos, comentários nos jogos de futebol – aspectos ambíguos quando se fala destes três conceitos: Ataque Rápido, Contra-Ataque e Ataque Posicional. Mas afinal, o que são e quem criou esses três conceitos?

Estes conceitos são chamados de Métodos de Jogo (MJ), e foram estudados e «criados» por um dos senhores da sistematização, estruturação e teorização do Jogo de Futebol em Portugal, de seu nome Jorge Castelo. Este dividiu o método de jogo em dois: Métodos de Jogo Ofensivos e Métodos de Jogo Defensivos. Hoje, apenas abordaremos os MJ Ofensivos.

Concepções conhecidas e dominadas – esperemos nós – pelos treinadores de futebol, porém são conceitos utilizados muitas vezes de forma errada, por comentadores e jornalistas. O objectivo deste artigo é elucidar e informar, com uma união da prática e da teoria, porque a “teoria é uma reflexão sobre a prática, e a prática não sobrevive sem a teoria” – com exemplos em jogo destes três conceitos. Afirmar “A equipa sai agora em contra-ataque” quando na verdade é um Ataque Rápido… é pura contra-informação!

O que é um Método de Jogo Ofensivo?

Segundo o autor (Castelo, 1994) e citando-o de forma simples: “O método de jogo ofensivo estabelece a forma geral de organização das ações dos jogadores no ataque, definindo/estabelecendo um conjunto de princípios que visam a racionalização do processo ofensivo, de forma a assegurar a progressão/finalização e a manutenção da posse de bola.”

Ataque Posicional

É o método de jogo mais fácil de entender do ponto de vista teórico-prático. É um MJ caracterizado segundo o autor (Castelo, 1994) essencialmente por:

  • Elevada elaboração do processo ofensivo (Temporização – Maior dispêndio temporal)
  • Elevado número de Coberturas Defensivas
  • Muitos Jogadores (praticamente todos) envolvidos no Processo Ofensivo
  • Ações de maior segurança, no sentido de manter a posse de bola

Pegamos o exemplo do Bétis em Barcelona, de Novembro de 2018, quando Quique Setién era treinador da equipa de Sevilha. Um protótipo de Ataque Posicional:

Ataque Rápido e Contra-Ataque? Quais são as maiores diferenças?

Aqui surgem as maiores dificuldades na distinção destes dois métodos de jogo.

De forma sucinta e explícita, o Ataque Rápido é caracterizado pelo momento ofensivo da equipa em que o adversário se encontra organizado (linhas defensivas estabelecidas), onde observamos uma série de rápidas movimentações em profundidade – com maior utilização de desmarcações em rotura – e com uma utilização de um menor número de jogadores neste momento ofensivo, em comparação com o Ataque Posicional. Existe uma menor temporização do jogo, procurando rapidamente a chegada a zona mais adiantadas no terreno.

A exemplificar, ficam aqui dois lances do SC Braga, então treinado por Ricardo Sá Pinto:

Por outro lado, o Contra-Ataque está mais associado ao momento do ganho da posse de bola (transição ofensiva), ou seja, é caracterizado pelo momento ofensivo da equipa, quando o adversário se encontra desorganizado no seu momento defensivo. Podemos classificar Contra-Ataque, quando a equipa que tem a posse de bola se encontra em vantagem, no sentido em que o adversário esteja com as suas linhas corrompidas/desorganizadas. Este método de jogo é caracterizado por rápidas movimentações dos jogadores em profundidade e poucos jogadores presentes neste MJ.

Por fim, é importante salientar que os métodos de jogo são conceitos teóricos. Porém, possuem um efeito prático naquilo que o treinador pretende para o seu modelo de jogo ou estratégia. O jogo de futebol não é estático, engloba-se num sistema aberto e dinâmico. Entender e relacionar os momentos de jogo, com os métodos de jogo, com os objectivos pretendidos, com os resultados e efeitos de cada um, é procurar entender o jogo do ponto de vista teórico-prático.

Quem só teorizanão sabe. Quem só pratica, repete. O saber nasce da conjugação da teoria e da prática.” (Manuel Sérgio)