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Mister Jesus desviou a Libertadores para o Rio

Jorge Jesus tornou-se na final disputada na capital do Perú, no primeiro português a conquistar a Copa Libertadores e apenas no segundo europeu a fazê-lo.

Final épica com direito a luta, suor, lágrimas e uma reviravolta inesperada ao cair do pano.

Equipas Titulares

  • Titulares já divulgados na conferência de imprensa de antevisão da final. Enquanto o River, sabendo de antemão qual os onze, sabia-se como iria jogar. Já o Flamengo poderia com os mesmos jogadores, alternar entre sistemas tácticos 4-2-3-1 (como iniciou o jogo) e o 4-4-2 (como passou a jogar após ter se visto a perder logo aos 12 minutos de jogo)
  • Contudo, poucos esperariam que Los Millionarios aparecessem tão personalizados e intensos logo no inicio do encontro, não permitindo que os brasileiros jogassem, recorrendo a um bloco alto com forte agressividade defensiva e ofensiva, disputando cada lance como se fosse o último
  • Ganhou quase todos os lances divididos no primeiro tempo, não permitiu que os comandados de Jorge Jesus pudessem colocar no terreno de jogo a sua forma ofensiva de jogar, forte pressing sobre o portador da bola e o cortar das linhas de passe dos jogadores referência para saídas em contra ataque e ataques rápidos: Gabriel Barbosa e Bruno Henrique.
  • Ainda conseguiram bloquear outra das referências cariocas, principalmente no transportar do jogo e capacidade para queimar linhas de pressão, falamos de Gerson
  • Quando sentiam dificuldades em conseguir cumprir com as marcações e pressing, a falta era o recurso utilizado para travar as investidas oponentes, ou não estivéssemos a falar da equipa com maior número de faltas registadas na prova.
  • Flamengo sentiu-se “amarrado”, sem que o portador da bola tivesse tempo para pensar e executar, sempre pressionados por 1 ou 2 adversários argentinos por perto
  • Esta estratégia estudada e executada por Gallardo, serviu para desde o minuto inicial, inquietar os jogadores do Mengão, trazendo desconforto e nervosismo próprio de quem disputa uma final. Por sua vez, os jogadores da equipa de Buenos Aires, iam demonstrando toda a sua raça e experiência na defesa pelo título conquistado na época passada, sentindo-se confortáveis no jogo.
  • Além de neutralizar as peças chaves do jogo adversário através de uma pressão alta e agressiva, ofensivamente também demonstraram essa mesma agressividade. Procuraram verticalizar o seu jogo, recorreram a um jogo mais directo, simples e eficaz, explorando sempre as desmarcações em largura e profundidade dos seus avançados centro, especialmente Borré.
  • Num desses movimentos habituais no seu modelo de jogo, já haviam deixado um aviso minutos antes com chegada à linha de fundo e passe rasteiro e recuado para finalização na marca da grande penalidade. Após o aviso, aos 12 minutos jogada fotocopiada e o golo chegou colocando justiça no marcador.
  • A simplicidade de processos foi a tónica para o fluir do seu jogo com o construtor recuado Enzo Perez sempre a jogar rápido e bem, e o médio construtor ofensivo Palacios, a conseguir definir os timings certos para verticalizar e lateralizar o jogo.
  • Em zonas frontais nas imediações da entrada da grande área, as ordens eram claras: tentar alvejar a baliza contrária, mesmo que de longe e não hesitar.
  • A equipa técnica portuguesa certamente não estaria a contar com uma entrada tão forte da equipa argentina.
  • A linha de 4 defesas mostrou-se sempre compacta, não permitindo penetrações da bola nos espaços entre central-lateral. Ia também, tentando controlar ao máximo a profundidade nas suas costa, bem como o acompanhar dos movimentos em largura por parte dos atacantes, ora pelo acompanhamento dos laterais, ora pelas dobras eficazes de ambos os centrais.
  • Contudo, equipa ia mostrando pouca agressividade defensiva e ofensiva.
  • Meio campo ia chegando quase sempre tarde ao pressing sobre o portador da bola, concedendo demasiado espaço e tempo para pensar e executar. Como estratégia estaria definido uma pressão em bloco alto a condicionar de forma agressiva o adversário com bola. No entanto, a falta de agressividade foi obrigando a equipa a ir recuando linhas e permitir que adversários fossem crescendo no relvado.
  • Com bola, e tal como referimos na analise de antevisão à final, seria necessário realizar-se um circulação de bola rápida e com fortes variações do centro de jogo, obrigando o losango oponente a bascular nos vários corredores de jogo desgastando-se, e assim fugir às fortes zonas de pressão por ele exercidas, algo que na primeira parte não se verificou
  • Após o intervalo, os rubro negros apareceram no Monumental de Lima mais tranquilos do ponto de vista anímico. No entanto, os do River iam mostrando querer manter a intensidade de jogo bem alta, bem como a intenção de condicionar a primeira fase de construção de jogo a 3 dos brasileiros, através da pressão dos seus dois avançados centro, como o auxílio de De La Cruz tentando gerar situações de igualdade numérica nesse sector. Palacios controlava Arão e ajudava Enzo que continuava a perseguir bem de perto o transportador de bola Gerson, evitando que progredisse no terreno de jogo. Para concluir, os médios interiores fechavam os laterais Rafinha e Filipe Luís.
  • A história desta final começa a alterar-se a partir sensivelmente dos 70 minutos de jogo, quando se vai sentindo a quebra física da armada Argentina. Como consequência natural, baixam os níveis de intensidade na pressão ao portador da bola, maior permissão para saídas em contra ataques do adversário e o natural recuar de linhas, mesmo que a intenção claramente não fosse essa.
  • O técnico Gallardo ainda procura através do banco refrescar algumas posições com a entrada da potencia física do Avançado Pratto, entrada de Pablo Díaz em detrimento do lateral Casco que cansado não iria conseguir fazer o acompanhamento devido perante a velocidade de um extremo veloz.
  • No entanto, aos poucos e poucos foram surgindo os espaços que Jorge Jesus tanto pretendia, e o “Fla” foi conseguindo aproximações ao último terço ofensivo com maior tranquilidade e segurança. A entrada da visão de jogo e de passe de Diego foi importante para ajudar a alterar o rumo dos acontecimentos, bem como a passagem para um losango, encaixando no sistema táctico adversário
  • Enquanto uns iam caindo aos poucos e poucos, outros iam ganhando nova vitalidade. Os sediados no Rio de Janeiro, iam conseguindo com trocas posicionais entre Diego, Everton e Vitinho confundir marcações adversárias.
  • Até que aos 89 e 92 minutos o impensável acontece: Gabigol faz jus ao apelido que a torcida lhe deu, e consegue a reviravolta algo inesperada no marcador, desviando a rota da Copa Libertadores de Buenos Aires para o Rio de Janeiro, direitinha para o museu do Flamengo, 31 anos depois.
  • Enquanto o River Plate teve a capacidade para manter o Mengão bem longe do seu último terço defensivo, através de uma forte intensidade, rigor posicional, pressão alta num bloco subido e bem compacto, conseguiu ter o total controlo do jogo. A partir do momento em que há uma quebra física que permite ao Flamengo subir no terreno e ter a iniciativa de jogo, os erros defensivos presentes no modelo de jogo da equipa de Gallardo vieram ao de cima e alterou de forma irremediável a história desta final.

As Figuras do encontro

Enzo Pérez – Não só pelo número de bolas que foi recuperando ao longo de todo o encontro, como também pela forma simples que pautou o jogo da equipa desde trás.

Palacios – A forma simples e pratica como pautou todo o jogo ofensivo da equipa com visão de jogo e qualidade de passe/remate, marcaram esta final.

Borré – Lutou, pressionou, deu velocidade ao ataque da sua equipa, ganhou vários lances divididos, importante nos apoios frontais dados, desmarcações em profundidade e largura. Fez de tudo, um avançado completo…

Gabriel Barbosa- Mesmo desaparecido na maior parte da final, mas na hora que a sua equipa precisava dele, ele mostrou-se letal marcando dois golos que levaram o troféu para casa.

Bruno Henrique– O mesmo pode-se dizer do companheiro de ataque. No momento que a equipa precisou dele, não teve receio de “partir para cima” dos adversários e através da sua visão de jogo e passe, ajudar a desbloquear o jogo.

Pablo Marí- Mal se deu por ele, mas foi extremamente eficaz. Controlou o jogo aéreo, impedindo passes nas costas da defesa entrarem. Além disto, foi comandando a linha defensiva e controlando como pôde, os movimentos em largura de Borré, através das dobras ao seu lateral.