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O que Jesé Rodríguez pode trazer ao modelo de Silas

Jesé Rodríguez foi um dos reforços do Sporting para a temporada 19/20. O espanhol de 26 anos chega emprestado, proveniente do PSG. Vamos analisar o seu percurso, algumas estatísticas, e como entra no contexto do Sporting.

Percurso

Formado no Real Madrid, na época 13/14 Jesé era visto como um dos jovens mais promissores do futebol espanhol. Foi companheiro de Cristiano Ronaldo, e fez um total de 94 jogos pelos “Los Blancos”, marcando 18 golos.
Apesar de boas exibições, e de mostrar qualidade, foi perdendo o espaço no Real Madrid e foi vendido ao PSG em 16/17, por 25 milhões de euros. Fez apenas 14 jogos pelo clube francês, e foi emprestado ao Las Palmas na segunda metade da época.

Desde então que a carreira de Jesé tem sido marcada por sucessivos empréstimos, exibições irregulares, e críticas devido ao excesso de peso. Em 17/18 esteve emprestado ao Stoke, onde apenas fez 14 jogos; em 18/19 foi emprestado ao Bétis na segunda metade da época, onde realizou 18 partidas. Nestas últimas três épocas, Jesé marcou um total de 8 golos e fez 4 assistências, números que comprovam uma decadência na sua forma.

Chega finalmente ao Sporting na presente temporada, com objetivo de relançar a carreira e reencontrar a forma que outrora viveu.

Extremo rápido e técnico

Jesé Rodríguez começou a dar nas vistas na equipa B do Real Madrid, o Castilla. No gigante espanhol, jogou maioritariamente a extremo. Destacava-se por ser muito rápido, por criar várias oportunidades, ser um extremo desequilibrador que aparecia bem no espaço. Quando jogava na esquerda, tinha tendência para puxar para o meio e definir a jogada. Mais à direita procurava mais o 1v1, a corrida e as desmarcações.

Jesé oferecia assim velocidade, técnica, e desequilíbrio à equipa do Real Madrid. Foram estas as qualidades que o espanhol mostrou ao mundo, e que lhe valeram a transferência para o PSG.

Contexto no Sporting

Jesé chegou ao Sporting num período conturbado da equipa. Os leões estão a viver uma crise de resultados, e a contestação já está a chegar ao presidente Frederico Varandas. Silas já é o segundo treinador de Jesé no Sporting, e reforços como ele estão obrigados a mostrar qualidade imediata nesta fase mais complicada.

Com Leonel Pontes, o espanhol jogou a segunda parte no empate contra o Boavista; esteve fora da equipa contra o PSV; jogou 15 minutos na derrota com o Famalicão; 83 minutos na derrota com o Rio Ave. Já com Silas, jogou 60 minutos na vitória frente ao Aves; e foi suplente não utilizado na vitória contra o Lask Linz.

Posto isto, as performances de Jesé ainda não justificaram uma titularidade absoluta, nem com Leonel Pontes, nem com Silas. Mas o espanhol, de raiz extremo, tem jogado numa dupla de avançados com Bolasie ou Vietto. Mas a estatística mostra que avançado não é a melhor posição de Jesé. Vejamos a tabela (golos e assistências apresentam-se por posição).

Desde 13/14 que Jesé fez um total de 33 jogos a extremo direito, 65 a extremo esquerdo e 34 a avançado. Os seus números mostram que é como extremo, preferencialmente esquerdo, que Jesé rende mais. A extremo direito marcou um total de 9 golos e fez 3 assistências; à esquerda marcou 9 golos e fez 10 assistências; e a avançado marcou 4 golos e fez 3 assistências.

A forma atual de Jesé no Sporting pode não ser a melhor, mas a formação para já utilizada não parece ser aquela que retirar-lhe-á as suas melhores qualidades. Isto porque o 4-4-2 losango é uma tática sem extremos, e o espanhol posiciona-se como um dos avançados centrais.

Momento atual

Nesta imagem podemos ver como se estrutura o 4-4-2 losango do Sporting: a vermelho estão os 4 defesas, a branco os 4 médios (um recuado, dois mais abertos, e um mais avançado) e a preto os dois avançados.

Jesé tem sentido dificuldades a jogar no sistema acima apresentado. Como referido anteriormente, é extremo de raiz e não rende tanto na dupla de atacantes.

A sua maior debilidade é o posicionamento no ataque. Como avançado móvel deve ser isso mesmo, móvel. No entanto, está constantemente parado entre o central e lateral adversário. Raramente procura recuar para servir como linha de passe, não se solta de marcação e procura pouco o jogo.

Como podemos ver na imagem, Jesé está posicionado entre dois jogadores, marcado. Há imenso espaço livre no local destacado, onde o portador da bola poderia colocar a bola. Jesé não procura recuar para ser linha de passe ou ligar o jogo, nem procura soltar-se de marcação e fazer um movimento para a lateral onde poderia cruzar.

As qualidades de Jesé vêm ao de cima quando ele tem a bola no pé. No entanto, o seu mau posicionamento na dupla de avançados não permite isso. Ele é pouco ativo no ataque, e apático, parecendo, por vezes, que está desligado do jogo. Como o seu posicionamento não é o melhor, os poucos movimentos de rotura ou para a lateral que faz são intercetados.

Neste momento Jesé estica mais que o habitual, mas não dá largura suficiente nem se afasta da marcação do adversário. Isto facilita a ação defensiva do adversário, que consegue marcá-lo imediatamente não dando nem espaço nem tempo para Jesé decidir.

Mas nem tudo é mau no jogo de Jesé. Quando consegue ter bola na lateral, como habitualmente tinha quando atuava a extremo noutras equipas, mostra qualidade na decisão e no 1v1.

Neste momento Jesé conseguiu soltar-se de marcação e fazer um movimento para a lateral do campo. Foi melhor no 1v1 com o defesa contrário, e fez um excelente passe para o coração da área, onde tinha um colega pronto para finalizar.

Conclusões

As performances de Jesé não têm sido as expectadas. Mas para avaliar isso temos de analisar também o contexto da equipa. A tática sem extremos e jogar numa dupla de avançados não favorece o seu estilo de jogo. O Sporting encontra-se numa fase de transição de treinador, e sistemas novos podem ser testados e implementados com Silas, e Jesé pode ser melhor aproveitado. Por outro lado, a crise de resultados exige qualidade exibicional imediata, e Jesé pode ser afetado por esta situação vivida no Sporting.