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O Rei Leão das Taças

No mítico estádio do Jamor, jogou-se mais uma final da Taça de Portugal. À importância do troféu, juntava-se o desejo de ambas as equipa em poder salvar uma época que culminou com a conquista do campeonato pelo seu eterno rival SL Benfica.

O Futebol Clube do Porto tinha a motivação de juntar à Supertaça conquistada no início da época, a prova rainha do futebol português.  

Já o Sporting Clube de Portugal ansiava por terminar a temporada com a conquista de dois títulos no mesmo ano, as duas taças internas, algo inédito nos últimos tempos para os lados de Alvalade.

Sistema tático idêntico e estratégias de jogo

Na ficha de jogo, ambas as equipas apresentaram o mesmo sistema tático 4-2-3-1.

Os leoninos desde cedo demonstraram querer assumir o domínio do jogo e o ocupar zonas avançadas no terreno. Pressão alta, tentando condicionar o sair a jogar do rival, embora concedesse espaços para o portador da bola ultrapassar essas mesmas zonas de pressão e progredir.

Essencial a colocação de Acuña no papel de lateral esquerdo, que em conjunto com Diaby e os movimentos em largura de Wendel, dinamizaram esse corredor, colocando sérios problemas ao adaptado lateral Militão, originando diversas situações de superioridade numérica, dado o pouco auxílio defensivo prestado por Marega ao seu defesa direito que o ia colocando em momentos de algum embaraço.

O lado negativo dessa estratégia foi o excesso de liberdade concedida ao Maliano, sempre a explorar as costas/ausência do lateral, com o próprio Herrera com movimentos em largura para explorar também ele, esses espaços.

Keizer demonstrou ter bem estudadas essas situações e preparou a equipa para neutralizar essas ações, recorrendo às coberturas/dobras importantíssimas do central Mathieu que foi resolvendo os problemas, enquanto Gudelj juntava-se à linha de defesas para dar o respetivo auxílio.

Perante a forte pressão alta e agressiva do adversário, o Sporting ia passando por dificuldades na sua 1ª fase de construção de jogo, demonstrando incapacidade para sair com critério desde trás, sendo forçado em diversos momentos, a recorrer ao passe longo que culminava quase sempre com o ganhar da 2ª bola por parte dos Dragões.

Esta forte pressão exercida, originou mesmo que passados 15 minutos de jogo, o Sporting fosse forçado a recuar cada vez mais no terreno e o Porto a conseguir ter o domínio e controlo do jogo.

Com o intervalo vieram as mudanças….

Ao intervalo, e com o resultado preso num empate a uma bola, Sérgio Conceição sem gastar qualquer substituição, alterou a tática para 4-4-2, com a passagem de Otávio para extremo direito e Marega a juntar-se a Soares numa dupla na frente de ataque. De referir que o jogo interior esteve sempre presente com Brahimi e Otávio a ocupar os espaços entre linhas e corredor central, com Danilo e Herrera mais recuados a compor o quarteto.

Houve ainda a preocupação do explorar mais o corredor esquerdo, através dos movimentos em largura de Soares/Marega, tentando aproveitar alguma intranquilidade defensiva de Bruno Gaspar, exacerbada pelo facto de já contar com um cartão amarelo.

O técnico holandês, analisando do banco as dificuldades que isso causou à sua equipa, tomou a decisão que se revelaria decisiva: entrada de Bas Dost e troca tática para o 3-4-1-2.

A dança tática dos 3 defesas

Adaptados que estavam a um dispositivo tático de 3 defesas, os comandados de Marcel Keizer pretendiam sobretudo:

  • Ter dois avançados como referências na área, fortes no jogo aéreo e com grande capacidade de finalização;
  • Futebol mais pragmático, assente em mais cruzamentos para a área e colocação rápida da bola em zonas de finalização;
  • Não alterar a disposição dos 3 médios que iam realizando um bom jogo
  • Ter mais linhas de passe na frente, mesmo correndo o risco de se expor em demasia ao contra-ataque adversário

Já no prolongamento, os efeitos foram os pretendidos e a equipa chega ao 2-1 através de Bas Dost, a responder ao cruzamento de Wendel.

O técnico portista decide arriscar tudo, reorganizando o onze agora num 3-4-3, pensando em dar maior largura ao seu jogo, apostar nos cruzamentos para a área e colocar sempre 4 jogadores em zonas de finalização (3 atacantes + ala contrário).

Chegam ao empate no último minuto do prolongamento e arrastando a final para a decisão nas grandes penalidades. Nesta ‘lotaria’ a sorte coube uma vez mais ao clube de Alvalade, repetindo a façanha obtida na Taça da Liga com o mesmo adversário e com o mesmo herói: o guarda redes Renan.

Dados estatísticos e curiosidades

  • O FC Porto termina o encontro com domínio na posse de bola 54% contra 46% o que revela bem o equilíbrio vivido ao longo de toda a partida
  • Mesmo não vencendo o jogo, os portistas lideraram as estatísticas de maior número de remates 22 contra os 9 do Sporting, 10 deles foram à baliza contra os 4 dos leões
  • 12 dos remates efetuados foram para fora, o que explica bem que um dos principais problemas do azuis e brancos nesta final foi a ineficácia ofensiva
  • Jogo intenso e com duas equipas pressionantes. A estatística comprova-o com as 20 faltas cometidas por cada uma ao longo do jogo, números bem altos

Final imprópria para cardíacos esta

Taça de Portugal entregue ao justo vencedor Sporting Clube de Portugal, ao qual a Proscout o parabeniza por mais esta conquista, bem como ao digno vencido Futebol Clube do Porto e a todos os outros clubes que participaram nesta que é a maior das festas do futebol português.