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O (sobre)vivente

Prometeram-lhe a Primeira Liga. Criaram-lhe memórias que nem ele mesmo as tinha ainda vivido. Fizeram-lhe ver que o futuro seria mais comprometedor se por cá ficasse, sem sequer pensar em vir. Antes de dizer “sim” já lhe tinham dado a lista de tudo o que devia de trazer. Foi-lhe mostrado um relvado totalmente diferente do pelado em que jogava. Colocaram a sua foto ao lado da do Cristiano e sobrepuseram a dele por cima.

Ele veio. Aceitou o sonho que nunca pensaria viver. Mudou-se para este país de que o tamanho não o caracteriza pela cultura. Que coloca a “um canto” países de dimensões maiores. Que todos nós somos capazes de ser o que queremos desde que sejamos a melhor versão de nós mesmos.

Ele adorou chegar cá e ver que todos nós para jogar futebol conseguíamos ter condições de “luxo” que nos permitiam usar chuteiras de marca, equipamento lavado. Viu e sentiu que por cima dele estava um treinador capaz. Capaz o suficiente para o fazer integrar não só na equipa, como na mensagem da mesma.

Treinador esse que estava longe de ser aquele que acabamos todos por querer vir a ser: da liga prometida. Da Primeira de todas. Da Liga onde o sonho se realiza na sua totalidade.

A verdade é que ele veio, aquele sonhador que tanto lhe prometeram e que tanto os seus olhos acabaram por ver: aquele estádio cheio, aos gritos. O suar da camisola após X quilómetros corridos com os cânticos a sobreporem-se ao apito do árbitro. A responsabilidade de se guiar atrás de um símbolo que mais de milhões de pessoas carregam ao peito.

Ele viu, e com ele milhares viram. E hoje só se ficaram pela visão que ficou presa no seu subconsciente, até porque o consciente estava filiado ao clube da terra. O clube que por muito amor que os que lá viveram e vivem, não consegue substituir o sonho.

Maldito sonho, malditas promessas. Estavam eles (na sua imaginação) de serem os viventes, vibrantes daquele mundo! Infelizmente juntam-se aos mais que a maioria, que o que os faz (sobre)viver é a paixão que trazem pelo futebol. É o amor que se tem pela bola quando ela se encontra na nossa pose.