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Shakhtar: as primeiras ideias de Luís Castro

No primeiro jogo oficial da temporada do Shakhtar Donetsk, o conjunto agora dirigido por Luís Castro, a nível de desempenho, completou uma boa atuação contra o Dynamo Kyiv na Supercopa da Ucrânia, no entanto, terminou derrotado com gols (em bola parada e transição ofensiva) já na reta final do duelo que contou com o time da capital do país vencedor por 2-1. Com o resultado, o treinador luso que substituiu seu compatriota Paulo Fonseca iniciou os trabalhos no Shakhtar de forma negativa, mas com melhores sensações coletivas e individuais que o marcador representa.

Escalações:

Dynamo Kyiv (4-2-3-1): Denys Boyko; Vitalii Mykolenko, Mykyta Burda, Tamás Kádár, Tomasz Kedziora; Volodymyr Shepeliev, Vitaliy Buyalskyy; Benjamin Verbic (Heorhii Tsitaishvilli, 74′), Denys Harmash (Sergiy Sydorchuk, 84′), Oleksandr Karavaiev (Carlos De Pena, 68′); Artem Besedin.

Shakhtar Donetsk (4-2-3-1): Andriy Piatov; Ismaily, Davit Khocholava, Serhiy Kryvtsov, Sergiy Bolbat; Taras Stepanenko, Alan Patrick (Dentinho, 88′); Manor Solomon (Tetê, 66′), Taison, Marlos; Júnior Moraes.

ORGANIZAÇÃO OFENSIVA:

Em um cenário de posse de bola dividida ao longo dos 90 minutos (44-56% nas estatísticas de possessão), o Shakhtar buscou sair de forma curta e elaborada desde Andriy Pyatov em fases de iniciação, conseguindo avançar com o esférico até a metade rival em ataque posicional. Na ocupação dos espaços em fase ofensiva, diferentemente do seu último amistoso preparatório contra o Olimpik Donetsk (no jogo mencionado, Luís Castro utilizou o 4-3-3 e formou triângulos exteriores a partir das relações entre lateral, interior e extremo), o treinador português recuperou o 4-2-3-1 que marcou os tempos de Paulo Fonseca na Ucrânia, inclusive com comportamentos individuais e escalonamento ofensivo similares aos das últimas épocas.

Com os laterais Ismaily e Sergiy Bolbat garantindo amplitude pelo corredor exterior em simultâneo, os extremos Manor Solomon e Marlos tiveram tendência a movimentos em zonas entre linhas para atrair rivais do bloco médio em 4-4-2 em fase defensiva do Dynamo Kyiv e liberar espaços pelos costados, enquanto o brasileiro Taison dispôs de liberdade posicional e os meio-campistas Taras Stepanenko e Alan Patrick alternaram alturas e funções na base da jogada na elaboração ofensiva.

Desta forma, os comandados por Luís Castro encontraram com facilidade receptores entre as linhas do Dynamo antes de alcançar profundidade exterior com os laterais (Ismaily, especialmente, produziu no lado forte de elaboração do Shakhtar, já que Sergiy Bolbat era opção para ativação com tempo e espaço no setor débil do rival), geraram ocasiões de gol e aproximações de perigo com continuidade e também conseguiram situações frequentes de bola parada (7 escanteios ao longo do duelo) a partir de seu jogo exterior em organização ofensiva, com o 0-1 nascendo em um tiro de esquina.

Por outro lado, com relativa fluidez para um início de época, o time de Donetsk superou muitíssimo os médios centros do rival em fase defensiva com Taison a receber em suas costas, e também o lateral-direito Tomasz Kedziora, que teve problemas contra Ismaily na esquerda.

ORGANIZAÇÃO DEFENSIVA

As ideias de Luís Castro em fase defensiva são da mesma linha de estilo de treinadores com passagens no Shakhtar Donetsk como Miguel Cardoso (equipe B) ou Paulo Fonseca. No 4-4-2 sem o esférico, posiciona sua equipe em uma altura média e aplica conceitos de pressão sobre o portador da bola na medida que avança suas linhas de marcação, para manter o conjunto de jogadores em poucos metros com o bloco defensivo estreito e defender longe da própria baliza.

Neste sentido, o Shakhtar não foi especialmente agressivo sobre os primeiros passes do Dynamo Kyiv (em construção, o médio Volodymyr Shepeliev assumia peso associativo para gerar superioridades numéricas entre os defesas centrais) e pressionou a partir das recepções de seus meio-campistas, como dito, a média altura. Um dos fundamentos mais importantes para se defender com a última linha defensiva alta é o conceito de cobertura e controle de profundidade defensiva (a chamada “bola coberta e descoberta”). Quando existe pressão sobre o homem da bola, se avança o bloco para forçar erros e recuperar o esférico; já quando o tempo e espaço para a ação é permitido ao rival, se recua as linhas para evitar que movimentos de ruptura gerem desequilíbrios na organização defensiva.

Dentro do que foi comentado, o Shakhtar realizou bem seu plano defensivo em geral, mas também cometeu erros passíveis de correção, como nas jogadas em que o lateral-esquerdo Vitalii Mykolenko ganhou as costas de Sergiy Bolbat com Benjamin Verbic a condicionar o lateral do rival ocupando espaços por dentro, em claras demonstrações de mau controle da profundidade defensiva por parte dos quatro homens que conformaram a última linha de quatro. Nos raros momentos de pressão alta do Shakhtar, foi o médio centro Taras Stepanenko o responsável por subir metros no terreno de jogo para pressionar a saída de bola do Dynamo Kyiv.

TRANSIÇÃO OFENSIVA

Especialmente com o correr dos minutos no segundo tempo, o Shakhtar posicionado defensivamente com o bloco médio, conseguiu somar muitos contra-ataques depois de recuperações em sua própria metade nas perdas do Dynamo Kyiv, sempre em superioridade numérica (entre quatro e cinco jogadores) e privilegiando a condução da transição ofensiva pela zona central com homens abertos em cada corredor para utilizar as vantagens nas definições das transições. Na função de conduzir, os brasileiros Taison e Marlos destacaram e tiveram maior protagonismo, mas tomaram decisões equivocadas que prejudicaram situações de seriam transformadas em oportunidades de marcar e alcançar o 0-2, que esteve próximo nos 45 minutos finais e teria sido o resultado mais condizente com os acontecimentos dentro do terreno de jogo durante o duelo.

TRANSIÇÃO DEFENSIVA

Para ideias associativas e possessivas como as de Luís Castro, relacionadas a dominar o tempo do jogo com a posse de bola e submeter seu adversário a defender na própria metade, é essencial uma boa reação após a perda do esférico e comportamentos definidos em transição defensiva em caso de o pressing realizado ser superado pelo rival. Dito isso, quando juntaram passes e viajaram juntos, com compactação ofensiva e bom posicionamento para agredir em busca da recuperação depois da perda, o Shakhtar conseguiu uma pressão pós-perda efetiva, com destaque para a agressividade do médio centro Taras Stepanenko em tarefas defensivas. No entanto, em cenários de perdas ruins de bola no meio-campo e correndo para trás em transição defensiva, priorizaram por proteger a faixa central e induzir o adversário a definir seus contra-ataques pelo corredor lateral.

BOLA PARADA DEFENSIVA

Em escanteios ofensivos do Dynamo Kyiv, o Shakhtar colocou em prática uma defesa por zona em situações de bola parada, normalmente com seis ou sete jogadores ocupando espaços na área pequena com Marlos no rebote. Porém, na origem do 1-1 do Dynamo Kyiv em um tiro de esquina, o conjunto dirigido por Luís Castro defendeu com marcação mista, com cinco homens em zona e três de forma individual.