Menu Close

Supertaça (Des)equilibrada

Disputou-se a Supertaça Cândido de Oliveira que colocou frente a frente os dois rivais de Lisboa: O actual Campeão da Liga Nos, Sport Lisboa e Benfica vs o vencedor da Taça da Liga e de Portugal, Sporting Clube de Portugal.

Entrada forte do Sporting

A equipa de Marcel Keizer apareceu no estádio de Algarve personalizada e organizada num 5-4-1. Procurou pressionar alto e condicionar a fase de construção de jogo do eterno rival.

Demonstraram ter a lição bem estudada ao explorar as costas dos laterais encarnados, atraindo-os para sair a pressionar os ala Acuña e Thierry Correia, enquanto Bruno Fernandes e Wendel iam aparecendo nas suas costas sem marcação. Aproveitavam desta forma, o facto de Rafa e Pizzi não prestarem o devido auxílio defensivo aos seus laterais e de Gabriel e Florentino estarem focados no controlo do perigoso jogo interior leonino e não conseguirem prestar as devidas coberturas nos corredores laterais.

Importância dos 3 defesas e linha de 5

  • Possibilidade para sair a jogar apoiado desde a sua 1ª fase de construção de jogo, contrariando a pressão alta adversária
  • Superioridade numérica para os 2 avançados encarnados quer a atacar, podendo ter nos 2 alas mais opções de saídas em largura, e a defender.
  • Maior presença na área a defender
  • Protecção das costas dos médios centro e consequente auxílio no controlo dos espaços entre-linhas

Benfica também tinha lição bem estudada

Já os actuais campeões nacionais demonstraram estar preparados para a presença dos 3 centrais leoninos com a inclusão da dupla de ataque Seferovic e Raúl De Tomás no habitual 4-4-2. Procuraram desde o início pressionar alto, mas não realizavam o pressing imediatamente em cima da linha defensiva oponente (devido à superioridade garantida pelos 3 defesa + os 2 alas). Assim sendo, a forte pressão sobre o portador da bola iniciava-se quando esta entrava num dos médios centro ou nos alas, com RDT inclusive a ter importante papel defensivo, ao recuar para pressionar o médio mais recuado Doumbia, em vez de condicionar os centrais.

Procurar explorar o espaço entre linhas

É certo e sabido que uma das características do futebol das águias é o explorar do espaço entre linhas adversárias. Este jogo não foi excepção, sobretudo através dos movimentos nas costas de Seferovic por parte de Raúl de Tomás, nem sempre conseguindo depois ligar bem o jogo, sobretudo devido alguma precipitação ao tentar remates fora da área. Tiveram também os habituais movimentos de Rafa e Pizzi que iam aparecendo nessas zonas centrais entre-linhas, contudo Wendel e Doumbia procuraram cobrir bem o corredor central e interceptar passes, impedindo-os de entrar naquelas zonas do campo. Mas foi também a presença de uma defesa numerosa, muitas vezes composta por 5 elementos que protegeu as costas dos médios, e conseguiu controlar esses espaços.

Isto permitiu que os dois médios centrais dos leões tivessem focados no cortar de linhas de passe, essencialmente passes verticais do brasileiro Gabriel, não permitindo que entrassem nas suas costas, enquanto os movimentos interiores de Pizzi e Rafa iam sendo bem controlados pela defesa de 5 elementos.

Com o avançar do jogo, verificaríamos que a partir do 2-0 e com o desmontar da defesa a 5 para um quarteto de defesas, aliado a uma tentativa dos dois médios centro do Sporting em pressionar mais alto a dupla Gabriel/Florentino, deixaram muito espaço livre entre linhas, não tendo sido poucas as situações em que tanto Rafa , Pizzi e RDT apareceram com bola controlada de frente para os defesas, muitas vezes até já em inferioridade numérica.

Dados estatísticos do 1º tempo

Sporting mais perigoso e um Benfica mais eficaz que foi a vencer por uma bola a zero, assim se pode resumir o jogo até ao intervalo e as estatísticas comprovam-no:

  • 50 % de posse de bola para cada lado
  • Maior número de remates dos verdes e brancos (8 remates) contra os 5 remates dos encarnados, ambos com 3 remates no alvo

As correcções de Lage

Sentindo as dificuldades causadas ao longo da 1ª parte muito devido aos movimentos em largura nas costas dos seus laterais e liberdade de Bruno Fernandes, o técnico setubalense decidiu por colocar Florentino mais atento às coberturas defensivas nos corredores laterais.

Os fatídicos minutos 60 e 64

Com o jogo equilibrado até então, é a partir do 2º golo que o jogo se desequilibra, tudo devido à falta de rotinas da defesa a 3. Coates e Mathieu demasiado próximos, não conseguem sair a jogar curto perdendo o esférico para Rafa que sem grande oposição, consegue assistir para a finalização de Pizzi. A equipa entra numa desconcentração tal que apenas 4 minutos depois, noutra perda de bola de Wendel em zona perigosa na sua fase de construção de jogo, faz com que Coates cometa uma falta desnecessária à entrada da sua área, culminando com um exemplar livre batido por Grimaldo para o 3º golo.

A partir desses momentos, mesmo com as alterações tácticas de Marcel Keizer para 4-2-3-1, pouco ou nada viria a se alterar. A equipa encontrava-se animicamente abatida pelo rival.

Encarnados confortáveis no jogo

Sentia-se que a festa seria pintada a vermelho e branco, principalmente a partir do 2-0 que proporcionou que a equipa pudesse explorar agora os espaços livres na frente, a velocidade e trocas posicionais dos seus homens mais ofensivos e os venenosos contra-ataques.

Dados estatísticos 2º tempo

Mesmo na segunda parte em que o resultado se dilatou, os números continuam a revelar um equilíbrio enganador entre ambas as equipas…

  • 53 % posse de bola para o Sporting
  • 11 remates do Sporting vs 10 remates do Benfica
  • Eficácia como o elo diferenciador entre ambas equipas, dado que 3 dos 11 remates apenas foram à baliza, enquanto que 8 dos 10 remates foram no alvo

Um dérbi lisboeta nesta Supertaça que iniciou a nova época desportiva em Portugal que tinha tudo para ser equilibrado, inclusive tendo cerca de 60 minutos de um certo equilíbrio e igualdade de forças entre ambos os rivais, mas que o clube da Luz acabaria por ser mais forte e levantar pela 8ª vez na sua história este troféu, num resultado desequilibrado e também ele histórico.