Euro 2016: Análise Croácia

Euro 2016: Análise Croácia

«Análise ao processo ofensivo e bolas paradas ofensivas da Croácia»

Na 1ª fase de construção, normalmente fazem uma saída a 4, com os dois médios a baixarem para auxiliarem o processo. Percorrem os 3 corredores até conseguirem encontrar um espaço para colocar a bola. Geralmente, a saída é feita pelo corredor central, mas não têm problemas em sair por um dos corredores, aproveitando a largura e profundidade dada pelo capitão Srna. Strinic também se projecta, mas é pouco solicitado nestas acções. Um dos médios ala, Brozovic, principalmente, baixa para dar em apoio, enquanto Rakitic se desloca a toda a largura do campo para receber entre linha já bem dentro do meio campo adversário. Os centrais caso pressionados têm algumas dificuldades, sendo que Vida mostra mais problemas que Corluka, sendo que este último apresenta alguma qualidade no passe vertical à procura de Rakitic. Caso não dê para sair a jogar curto, a equipa busca Mandzukic e aproxima Rakitic dele para ganhar a segunda bola. Subasic é pouco solicitado neste processo.

Na zona de criação alternam o jogo combinativo no corredor central que desemboca numa das linhas, principalmente a direita, onde se efectuam muitos cruzamentos, muitos deles da autoria de Srna, com os movimentos de ruptura de Rakitic, que cai frequentamente na faixa direita. Os cruzamentos são a sua principal arma para chegar a área, podendo, também, viver da subida de Modric e das combinações curtas que este promove em sociedade com Rakitic e os médios ala que vêm dentro. Mostram paciência na gestão da posse de bola, conseguem fazê-la rodar de um corredor ao outro. Os laterais fazem maioritariamente movimentos exteriores, principalmente Srna, sendo que Strinic tem uma função mais de equilíbrio da equipa. Outra alternativa que apresentam são as diagonais da esquerda para dentro de Perisic, perito nesse tipo de acções, sendo que também aposta várias vezes em situações de 1×1.

Atacam muito bem as zonas de finalização nas acções de cruzamento. Têm sempre 3 homens no interior da área e 1 a 2 prontos para uma bola de ressalto à entrada da área.

As transições ofensivas são uma arma perigosa desta equipa. Saem sempre como muito critério, procurando normalmente Rakitic que depois decide como desenhar a jogada. O corredor mais utilizado é o corredor central e tanto transportam a bola como passam, mas a opção mais usada é o passe para desbloquear a primeira barreira defensiva do adversário e depois imprimem velocidade com Rakitic, Brozovic e Perisic como as principais armas neste momento. Mandzukic move-se com o intuito de criar espaços para os colegas, mas não é particularmente forte no ataque à profundidade.

 
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«Análise ao processo defensivo e bolas paradas defensivas da Croácia»

A equipa balcânica faz uma gestão interessante da pressão à saída de bola do adversário. Não pressionam sempre, mas quando o fazem, é quase sempre bem feito, em bloco, com o meio campo a subir, encurtando os espaços e neutralizando as linhas de passe ao adversário. Há ocasiões em que apenas os dois elementos mais avançados, Mandzukic e Rakitic, tentam pressionar, ficando os restantes médios remetidos ao seu meio-campo e a defesa mais atrás. Um dos pontos que pode ser explorado é o facto da defesa subir pouco quando a equipa tenta pressionar alto, aumentando a profundidade do bloco e criando espaços que podem ser explorados à frente da linha defensiva.

Apresentam um bloco médio, mas que baixa quando a equipa adversária consegue entrar em ataque posicional, com a linha defensiva a posicionar-se perto da linha da grande área. Nestes momentos, a equipa está muito compacta, com a linha defensiva e a linha média juntas, com o próprio Mandzukic a pressionar nos últimos 30 metros do campo. Quando estão posicionados mais altos, é de salientar a qualidade do posicionamento do meio campo, com várias coberturas defensivas, comportamento evidenciado por Modric e Badelj, muito cultos tacticamente, e ainda alguma distância entre a linha defensiva e média que pode ser aproveitada. Contudo, conseguem remediar esta limitação estrutural, com uma excelente capacidade de encurtamento dos espaços, muito pressionantes e agressivos sobre a bola. A linha defensiva não é muito bem organizada, com os dois centrais a baixarem muito para controlar a profundidade, mas nem sempre bem, sendo que Vida e Srna, agarram-se muito à referência individual e abrem-se alguns espaços que no último reduto. Estes acabam por ser colmatados devido à excelente percepção táctica que Badelj revela. São uma equipa forte nos duelos aéreos, algo que se observa bastante bem em situação de cruzamentos. Aí, também é importante referir que raramente são apanhados em inferioridade numérica, com Strinic a fechar muito bem o corredor central e boa protecção da entrada da área.

São fortes na transição defensiva, muito agressivos na reacção à perda, com os jogadores de meio campo a destacarem-se bastante nesta tarefa. Não têm problemas em fazer falta e matar a jogada, caso percebam que estão desequilibrados. Srna, mostra alguma dificuldade em recuperar a sua posição, devido à muita exposição ofensiva que tem e pode ser algo a explorar pela selecção portuguesa.
 
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