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Euro 2017: Dia 3

Primeiros dois jogos do grupo B onde estão duas estreantes em fases finais de Europeus, Áustria e Suíça.

 

ÁUSTRIA VS SUÍÇA: uma lição tática com Puntigam na liderança

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Figura 1- Duelos ganhos por cada equipa na 1ª Parte

Fazia-se história neste jogo, para ambas as seleções foi a primeira vez que participaram numa fase final de Europeu e como tal iria ser um feito inédito para qualquer uma que saísse vencedora da partida. Esperava-se um bom jogo com ambas as seleções a querem muito entrar com o pé direito na competição.

A Suíca entrou a jogar no seu habitual 4X4X2 clássico, enquanto a Áustria apresentou-se 4x1X4X1, que acabou por surpreender as suíças.

Jogo muito intenso desde o início da partida, com a Áustria a surpreender a Suíça com o seu bloco alto e bastante pressionante. Desde cedo ambas as equipas procuravam chegar à vantagem, havendo muita agressividade e bastantes duelos físicos (figura 1).

A seleção austríaca estava a pressionar alto e isto fez com que a Suíça cometesse vários erros, um deles que lhes custou o golo que deu a vitória à Áustria (figura 2).

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Figura 2 -Erro que leva ao golo sofrido

Após o golo, a Áustria quando não tinha posse de bola baixava o seu bloco até ao meio-campo ofensivo, mas nunca deixava de atacar com bola e criar situações de finalização.

A Suíça nunca conseguiu implementar o seu jogo de posse de bola, só conseguindo ter posse quando a Áustria assim o permitia, baixando as suas linhas. As suíças foram uma equipa sem ideias, não conseguindo criar muitas oportunidades de finalização, tentando quase sempre o remate exterior. Com a sua capitã a ter uma tarde desinspirada e o coletivo a não funcionar, cabia a Bachmann todo o trabalho ofensivo da Suíça, tendo sido a melhor da sua seleção.

Por outro lado, a seleção austríaca soube sempre controlar todos os momentos do jogo, desde o início até perto do final da partida. A posicionar-se em bloco alto e pressionar quando era necessário, mas também a saber esperar e jogar em ataques rápidos como fez maioritariamente na segunda parte. Quando estavam na fase defensiva toda a equipa era organizada e bastante compacta, não permitindo ao adversário criar oportunidades de perigo, com Puntigam a encher o meio-campo defensivo, recuperando e intercetando lances que poderiam visar a sua baliza, foi uma das figuras da sua equipa e consequentemente a melhor jogadora da partida.

No ataque estavam constantemente a criar perigo com Burger, marcadora do golo, a jogar constantemente no limiar do fora-de-jogo e a ser uma peça fundamental na identidade que a Áustria apresentou. Foi ela a jogadora que mais perigo criou à defesa adversária e também que esteve no lance da expulsão da central suíça que ocorreu perto dos 60 minutos de jogo.

Como podemos observar pelo heatmaps (quanto mais vermelho mais passes a equipa fez naquela zona) de cada equipa, figura 3, ambas as equipas fizeram mais passes no meio-campo como seria de esperar, o interessante é ver que a Suíça no seu ataque fazia maioritariamente os passes pelas laterais, o que demonstra a solidez defensiva da Áustria que não permitia a receção de passes na zona frontal à sua baliza.

Figura 3 - Heatmap Suíça
Figura 3 – Heatmap Suíça
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Figura 4 – Heatmap Áustria

Já a equipa austríaca mostra-nos que esta seleção quase que abdica de colocar a bola no seu lado direito ofensivo no que diz respeito ao último terço do campo, preferindo assim, atacar pela zona central e pelo corredor esquerdo.

No final, apesar de a Suíça ter lutado e tentado chegar ao golo do empate, não conseguiu criar situações de real perigo e a vitória aceita-se por parte da equipa da Áustria que fizeram um grande jogo e merecem crédito assim como o seu treinador, Dominik Thalhammer. Veremos o que serão capazes de fazer na próxima jornada frente a toda poderosa França.

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FRANÇA VS ISLÂNDIA: Le Sommer quebrou o intransigente iceberg defensivo das guerreiras Islandesas

França vs Islândia. De um lado a experiente seleção gaulesa com várias participações em fase finais do campeonato da Europa e com um percurso arrepiante em jogos de qualificação, contando já com 41 jogos sempre a vencer. Da pequena ilha a surpreendente seleção Islandesa com uma caminhada também ela imaculada na fase de qualificação para este Europeu perdendo apenas um jogo frente a Escócia. Seleção Islandesa que irá certamente ser acompanhada pelos seus singulares e fiéis adeptos Islandeses caracterizados pelo seu desportivismo e saber estar, enriquecendo o espetáculo e a modalidade. França e Islândia davam assim o pontapé de saída neste Euro 2017 Feminino.

Primeiros 10 minutos muito agitados, onde por um lado a seleção islandesa procurou estabelecer a sua estratégia para o jogo e a seleção gaulesa procurou desde cedo assumir o domínio e a responsabilidade de o vencer. No entanto, rapidamente se percebeu que a seleção islandesa, não iria ser gelo fácil de quebrar nesta primeira jornada para equipa orientada por Olivier Echouafni.

A seleção Francesa apresentou-se numa estrutura de 4x5x1, com a envolvência ofensiva das médios centros em organização ofensiva, juntando-se a polivalente e móvel Le Sommer na frente de ataque, ela que tanto procurou em apoio (entrelinhas), como conseguiu aparecer em situações de finalização após cruzamento.

Figura 5- Cruzamentos efetuados pela seleção francesa
Figura 5- Cruzamentos efetuados pela seleção francesa

A envolvência dos laterais na primeira parte, assim como na segunda, foi também evidente, conseguindo chegar frequentemente ao último terço em condições de cruzamento embatendo repetidas vezes nos pilares islandeses (figura 5).

Por outro lado, e pouco expectável a seleção islandesa procurou pressionar num bloco médio/alto, sempre que teve possibilidade para o fazer. Estendendo as suas jogadoras a todo o campo num posicionamento em 3x4x3, isto maioritariamente quando o processo ofensivo iniciava pela guarda-redes francesa Sarah Bouhaddi ou pelas centrais francesas. As três jogadoras mais avançadas condicionavam as primeiras linhas de passe, enquanto a linha de 4, aproximava e apertavam a qualquer movimento com agressividade, obrigando à colocação longa (figura 6).

Figura 6 – Posicionamento defensivo da seleção Islandesa em bloco médio/alto, condicionando a primeira fase de construção da equipa francesa (3x3). Com este posicionamento a seleção Islandesa obrigou as gaulesas a optar por sair longo várias vezes.
Figura 6 – Posicionamento defensivo da seleção islandesa em bloco médio/alto, condicionando a primeira fase de construção da equipa francesa (3×3). Com este posicionamento a seleção islandesa obrigou as gaulesas a optar por sair longo várias vezes.

Esta estratégia defensiva clarifica o número de recuperações/interceções que a seleção islandesa apresentou principalmente na 1º parte (figura 7).

Assim que a seleção gaulesa ultrapassava esta primeira fronteira defensiva, a seleção islandesa, percebia que rapidamente teria de reduzir espaços e baixar as suas linhas, redefinindo a sua estrutura para 5x3x2, passando para um bloco baixo, compacto e denso, onde colocava 9/10 jogadoras atrás da linha da bola (figura 8).

Figura 7- Recuperações e interceções da equipa islandesa
Figura 8- variante defensiva da seleção islandesa em 5x3x2 (bloco baixo), redução do espaço entrelinhas e aumento da densidade (nº de jogadoras) na zona central, deixando pouco espaço livre para progredir ou para a bola entrar pelo corredor central.
Figura 8- variante defensiva da seleção islandesa em 5x3x2 (bloco baixo), redução do espaço entrelinhas e aumento da densidade (nº de jogadoras) na zona central, deixando pouco espaço livre para progredir ou para a bola entrar pelo corredor central.

De salientar a agressividade defensiva das jogadoras islandesas, entregando-se ao jogo de forma combativa e solidária, incentivadas pelos seus incansáveis adeptos.

Apesar da estratégia defensiva bem traçada pela seleção islandesa, o jogo francês foi melhorando gradualmente com o aproximar do final do jogo. Sempre que aceleraram e mudaram o ritmo de jogo, conseguiram derreter alguns cubos de gelos na organização defensiva da seleção islandesa e criar alguma aflição junto da baliza adversária. Da primeira parte, destacam-se alguns remates exteriores, bem como a procura pela capitã e referência nesta seleção Wendie Renard em todos os esquemas táticos ofensivos.

Ofensivamente a seleção nórdica, caracterizou-se pela seu pragmatismo e verticalidade no momento de transição. De assinalar um cabeceamento ao lado na sequência de um canto e mesmo a fechar a primeira parte, um lance duvidoso suscetível de grande penalidade sobre a irreverente Fanndís Fridriksdóttir.

Ao intervalo, era impreterível de salientar a estratégia defensiva e audácia da seleção islandesa implementada ao longo da primeira parte e a dificuldade para a seleção francesa contornar este obstáculo.

A seleção gaulesa aumentou consideravelmente o seu caudal ofensivo durante o decorrer de jogo, passando a ter mais posse de bola no último terço ofensivo, imprimindo mais velocidade e variedade no seu centro de jogo. Embora este domínio não tenha representado um aumento claro nas oportunidades de golos, a bola ia surgindo várias vezes perto de zonas de finalização.

Parecia que a crença, o espírito e a entreajuda islandesa iriam ser premiados perante a “superpotência” gaulesa e uma das candidatas ao título Europeu. Em contrapartida, e face a esta supremacia, a equipa islandesa procurava ser prática assim que recuperava a bola, com o intuito de explorar algum espaço em profundidade concedido pela linha defensiva francesa que se projetava/participava cada vez mais no processo ofensivo. No último quarto de hora, a seleção francesa teve a melhor oportunidade de golo do encontro, na sequência de um canto, Renard atira de cabeça a barra. Após a melhor oportunidade, e quando já se esperava um surpreendente empate, a árbitra Carina Vitulano assinala uma grande penalidade sobre Amandine Henry. Penalidade essa cobrada pela perseverante Le Sommer apontando o seu 61º golo pela seleção.

Apesar da vitória e do claro domínio Francês nesta primeira jornada, fica a nota de rodapé da seleção islandesa para o resto da fase de grupos. Além de fisicamente intensas, existiram momentos onde a organização defensiva e a estratégia adotada prevaleceu sobre qualidade técnico-tática da seleção francesa.

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Texto escrito por:  Joana Silva & Tiago Silva