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Final do Mundial de clubes: A desforra de Dezembro de 81

História

Esta final do Mundial de Clubes é marcada por diversos factos históricos.

Primeiramente, o facto do Liverpool não ter até à data, qualquer troféu que representasse este título. Depois, por as duas finais disputadas pela equipa terem sido perdidas perante duas equipas brasileiras: Flamengo (1981) e São Paulo (2005).

Já o Flamengo, tinha uma destas taças, ainda hoje colocada num cantinho muito especial do seu museu. Em comum, ter sido erguida frente aos adversários desta edição de 2019, o Liverpool.

Meias finais como preparação desta final

Quem assistiu às meias finais entre Flamengo VS Al Ain e Liverpool VS Monterrey, sentiu claramente que eram jogos de antecâmara para a final esperada e desejada: Vencedor da Liga dos Campeões frente ao vencedor da Copa de Libertadores.

De maneiras distintas, tanto Jurgen Klopp como Jorge Jesus serviram-se desses jogos para preparar desde logo a final de 21 de Dezembro. O Alemão, dando minutos a vários “jogadores da segunda linha da equipa” como Origi, Shaquiri ou Milner. Já o português utilizando uma estratégia de jogo na 1ª parte, assente num bloco médio/baixo, dando iniciativa de jogo ao Al Ain e com um meio campo reforçado com 3 elementos no centro, algo que em momentos sabia que iria acontecer frente ao colosso europeu.

Titulares

Início de Jogo

  • Um Flamengo personalizado, desinibido, sem receios e olhando nos olhos os rivais, foi este o que apareceu no Qatar. Assente numa pressão média/alta, sempre a tentar condicionar a 1ª fase de construção de jogo desde trás dos Reds. Apenas quando estes conseguiam-se libertar, pela sua qualidade e caudal ofensivo, dessa pressão exercida, a equipa brasileira recuava e demonstrava organização defensiva e rigor nos posicionamentos, não concedendo espaços à frente da sua grande área.
  • Mengão a respeitar as suas ideias de jogo, saída a 3 logo desde trás, mesmo sabendo de antemão do tridente ofensivo dos ingleses que poderia originar situações de igualdade numérica de 3×3. Sobretudo, em saídas através do guarda redes Diego Alves ou em momentos de pressing adversário, o passe para os laterais Rafinha e Filipe Luís posicionados sem marcação adversária por perto, era a solução ideal.
  • Liverpool posicionado numa estrutura média/alta, estratégia essa que convidava claramente o oponente a subir no terreno e a deixar espaços atrás para após recuperação de bola, terem os espaços necessários para Mané, Firmino e Salah poderem explorar.
  • Tal é a justificação para que no final do primeiro tempo, o Flamengo fosse para o descanso com superioridade na posse de bola (58%). Diga-se que essa gestão da posse e circulação do esférico foi exemplarmente estudada pela seu staff técnico, que se serviu dela para comandar um ritmo de jogo mais lento e pausado que lhe servia na perfeição.
  • Os perigos do Rio de Janeiro vinham sobretudo dos passes nas costas do lateral direito Arnold, e nos momentos em velocidade e 1×1 com entradas na área, sempre com a mira da baliza bem alvejada
  • Os de Liverpool tinham como principais dificuldades entrar no bloco rival e conseguir o último passe que servi-se o tridente ofensivo. Não conseguindo sobretudo passes para as desmarcações de ruptura, jogadores perdiam demasiado tempo a pensar o jogo e a executar, tornando-o demasiado previsível.

Segundo Tempo, uma cópia do início do encontro

  • Após o descanso, a segunda parte inicia-se tal e qual os primeiros 5 minutos de jogo em que houveram chances de golo claras de Firmino e Salah que só não dão golos por más finalizações executadas e ainda um remate cruzado muito perigoso do lateral Arnold. No segundo tempo, duas oportunidades também elas claras, novamente a pedir outro tipo de acerto na finalização.
  • Surge um Liverpool com um futebol mais directo, recorrendo aos passes longos executados por centrais, laterais e Henderson, saltando as zonas de pressing alto adversário e tentando sempre entrar nas costas da defesa Flamenguista, maioria das vezes sem sucesso.
  • Os Rubro Negros alteraram no final do primeiro tempo para uma estrutura táctica de 4-4-2, e assim se mantiveram até ao final da partida

Duelos Tácticos Klopp VS Jesus

  • Jurgen Klopp ao intervalo corrigiu e ajudou a controlar melhor as iniciativas de Bruno Henrique no corredor lateral, pedindo ao central Gomez que se aproximasse mais de Arnold nas coberturas e assim originar situações de 1X2.
  • Jesus num duelo táctico responde com a troca de Arrascaeta por Vitinho, dando maior largura ao ataque e com as desmarcações de Bruno Henrique do centro para o flanco e vice versa, originar novamente calafrios por aquele lado do terreno.
  • O técnico Alemão é “forçado” a recorrer ao polivalente Milner para numa posição de médio centro, fosse mais um elemento a dar cobertura e auxílio a esse corredor lateral
  • Outra das lições tácticas do “mister” foi conseguir manietar o Firmino, sempre acompanhado bem de perto pela marcação, ora de Rodrigo Caio, ora de Arão, não lhe permitindo ter bola no espaço entre linhas, ficar de frente para a baliza adversária e fazer os passes de rutura para as desmarcações centrais de Mané e Salah em velocidade. Das poucas vezes que tal aconteceu foi ao minuto 90 com o Senegalês sendo isolado, mas perante a oposição de Rafinha, não conseguiu finalizar com sucesso.
  • No começo do segundo tempo e sentindo a liberdade que Jordan Henderson gozava para pensar o jogo dos da terra de sua Majestade, Jesus ainda pediu que Gabigol se preocupasse em tentar seguir bem de perto o inglês, impedindo-o de executar. Numa primeira fase foi conseguido, mas com as limitações físicas do atacante canarinho tal deixou de ser possível.
  • Os minutos do jogo foram passando e com ele a fadiga vinha se fazendo sentir, principalmente na equipa brasileira que com o natural desgaste do jogo, vai recuando cada vez mais no terreno de jogo e saindo em menor quantidade para o ataque. No entanto, foi conseguindo manter o rigor posicional e organização defensiva, arrastando o jogo para prolongamento.

A decisão por Prolongamento

  • Fase inicial do prolongamento com um contra golpe letal da equipa inglesa, e com a estrutura defensiva completamente ultrapassada e golo do brasileiro rival : Firmino.
  • Motivos para uma das poucas falhas da linha defensiva e no rigor posicional e de pressing para controlar o momento do golo já o fomos adiantando : Quebra física do Flamengo (74 jogos disputados e já no final da sua época desportiva), perante um Liverpool habituado à intensidade e altos ritmos de jogo da Premier League.
  • Se por um lado os da cidade dos Beatles iam mantendo o discernimento, rigor táctico, controlo do jogo após o golo socorrendo-se da experiência dos seus jogadores, já os provenientes da cidade maravilhosa iam aos poucos e poucos demonstrando algumas falhas de marcação, chegando tarde ao pressing, deixar de conseguir ligar o jogo como até aqui o tinham feito de forma exemplar.

Liverpool Campeão do Mundial de Clubes

Parabéns ao Liverpool por esta conquista única na sua história, obtida com todo o mérito. Ao digno vencido Flamengo, o melhor elogio que lhe pode ser feito será o de ter conseguido disputar taco a taco ao longo dos 90 minutos de jogo, com elevada qualidade técnica e táctica, pouco usual nas equipas da América do Sul e frente a uma das melhores equipas do mundo da actualidade. Demonstraram personalidade, atrevimento e ambição de jogar para ganhar, nunca se intimidando em momento algum.