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[:pt]Portugal sempre teve gerações talentosas de jogadores, mas nos últimos anos (essencialmente a partir da criação das equipas B) o talento e o potencial têm tido seguimento através do rendimento nos grandes palcos nacionais e mundiais. A criação das equipas secundárias foi fundamental para a obtenção de visibilidade ao jogador jovem português e, desde logo, mais espaço e tempo para este poder evoluir. A juntar a esta medida, o trabalho que a FPF tem feito nos últimos anos não deve ser esquecido. A organização, o método, a identidade nacional e a amplitude de observação tem pautado o trabalho realizado nas seleções jovens. Só nos últimos 5 anos, e sem contabilizar o título sénior europeu conquistado em França, Portugal arrecadou dois Europeus (sub17, em 2016 e sub19, ainda este ano), foi por duas ocasiões vice-campeão europeu sub19 (2014 e 2017) e alcançou duas meias-finais de Europeu sub19 (2013 e 2016) e uma meia-final do Europeu sub17, em 2014. A juntar a estes números, Portugal alcançou a quinta presença consecutiva em fases finais de Mundiais sub20, a realizar no próximo ano na Polónia, sendo que, em 2011, com esta liderança federativa, os jovens nacionais sagraram-se vice campeões do mundo.

Ora, para além destes números fantásticos, o que se deve destacar, claro está, é a infindável qualidade de jogadores formados no nosso país. A geração de 99 é talvez o exemplo máximo da qualidade em quantidade existente. A conquista do Europeu sub17 e sub19 pela mesma geração trouxe um reconhecimento merecido a esta geração, que se prepara para, no próximo ano, disputar o tão aguardado Mundial sub20.

No entanto, o tempo não para e é tempo de ver quem são os que se seguem. Como tal, a próxima geração sub19 nacional (nascidos em 2000) promete seguir as pisadas dos atuais campeões europeus. Para isso, conta com muito talento e muita competição nas pernas da maior parte dos jogadores. Para além de equipas B, este ano coincide com mais uma medida da atual federação que promete favorecer ainda mais a evolução do jogador jovem português: a criação de um campeonato sub23. Com o início da temporada, já deu para vislumbrar que muitos dos jovens com idade sub19 são cada vez mais aposta em equipas e competições de patamares bem acima dos da sua idade, o que faz com que o futuro seja visto com esperança e confiança no que toca à afirmação do talento jovem.

Como tal, passamos a analisar a geração de 2000:

Guarda-redes

Celton Biai é a maior referência desta geração, tratando-se de um guarda-redes muito ágil entre os postes e com uma capacidade de liderança assinalável. Já evolui nos sub23 do Benfica.

Tiago Silva (ex Benfica) que agora a evolui nos sub23 do Vitória SC e João Gonçalo do FC Porto são também outras opções de qualidade.

 

 

 

 

 

Defesas Direitos

João Costa, conhecido por Costinha, é a provável primeira escolha desta seleção. Treina regularmente com o plantel sénior do Rio Ave, evoluindo também nos sub23. Fez parte do estágio de preparação do Europeu sub19 conquistado por Portugal, mas acabou por ficar de fora da lista final (era um ano mais novo). Jogador que se caracteriza pela rapidez e qualidade com bola.

Outra opção para esta posição passa também por Luis Pinheiro, jogador muito forte em progressão subindo facilmente pelo flanco. Já foi chamado por Rui Vitória na pré-época e agora evolui nos sub23 encarnados. Bernardo Caldeira, a evoluir nos sub23 do Braga, é outra opção válida para a posição.

 

 

 

 

 

Defesas Centrais

Nesta posição o talento abunda e as opções são diversas:

Pedro Álvaro, do Benfica, elegante no controlo de bola, alto e forte nas bolas paradas;

Pedro Justiniano, do FC Porto, já evolui desde a época passada na equipa B o que diz bem da aposta do clube em si. Agressivo, muito forte na marcação e cumpre na saída de bola. Já passou pela Juventus e é presença assídua nas convocatórias nacionais. Terá de melhorar o seu temperamento emocional.

Tiago Djaló, do Sporting, também é outro jogador que na época passada evoluiu na equipa B e que agora evoluiu nos sub23. Muito alto, agressivo na marcação, forte no jogo aéreo e muito interessante a sair a jogar (gosta de assumir o início de construção). No entanto, ainda comete demasiadas faltas desnecessárias e se melhorar nesse aspeto vai tornar-se um caso sério.

Gonçalo Loureiro, do Benfica, vai rodando nos sub23 e caracteriza-se por ser um central certinho, cumpre em todos as vertentes que lhe são exigidas com grande assertividade. Também aposta regular nas seleções jovens.

Como outras opções válidas, Miguel Nóbrega e Pedro Ganchas (Benfica), João Serrão (Juventus), Cláudio Silva (FC Porto), filho do ex. central Ricardo Silva e com parecenças com Diogo Leite e ainda Baba Fernandes (aposta de Lito Vidigal na pré-época do V.Setúbal) prometem dar boas dores de cabeça aos treinadores nacionais.

 

 

 

 

 

 

Defesas Esquerdos

Nuno Tavares, Benfica, é talvez a primeira opção desta geração. Trata-se de um lateral com grande apetência em apoiar o ataque e costuma causar estragos com a sua qualidade técnica.

Rúben Moura, Vitória SC, vai evoluindo nos sub23 e também é uma opção de qualidade. Tem historial na formação do FC Porto como extremo mas é a lateral esquerdo que mais se tem destacado pelos vimaranenses. Excelente pé esquerdo e muita velocidade.

Gonçalo Costa (vem de uma lesão grave) e Babacar Fati, ambos do Sporting e Tiago Lopes (FC Porto) podem também ser alternativas de qualidade.

 

 

 

 

Meio campo

Este setor do terreno tem também imensa qualidade em quantidade:

Romário Baró, FC Porto, quase nem precisava de apresentações. Quem anda por dentro minimamente da formação já se apercebeu da qualidade deste jogador. Aposta desde o ano passado na equipa B, tem qualidade técnica acima da média, pauta o jogo como um adulto quer a 8 quer a 10, sai bem de zonas de pressão através de receção, passe ou drible. Precisa, no entanto, de aumentar a massa muscular (é ainda frágil nos duelos físicos).

Afonso Sousa, FC Porto, (filho e neto dos ex jogadores Ricardo e António Sousa) é talvez o jogador mais talentoso desta geração. A época passada não lhe correu da melhor forma devido a problemas físicos e este ano ainda evolui nos juniores. Porém, trata-se de um jogador que trata a bola por “tu” com uma qualidade de passe e no controlo de bola fantásticos. Joga preferencialmente como 10.

André Almeida, Vitória SC, é outro jogador de grande qualidade. Pode jogar a 8 ou a 10, estreou-se pela equipa B ainda como juvenil e é uma das maiores apostas vimaranenses.

Tiago Dantas, Benfica, é um pequeno craque que se estreou recentemente pela equipa B e que deliciou os adeptos que ainda o desconheciam. Jogador de baixa estatura mas com largas doses de talento. Joga preferencialmente a 10, o jogo quando passe pelos seus pés flui melhor, com a sua qualidade de passe e receção sempre presentes. No entanto é visível que terá que evoluir em termos físicos e ainda terá tempo para isso.

Tomás Azevedo, V.Setúbal, poderá ser uma agradável surpresa no panorama jovem nacional. Vai evoluindo nos sub23 e é um 6 ou 8 que gosta de fazer jogar a sua equipa. Tem critério na decisão e muita qualidade a executar. A seguir com atenção…

Outras opções desta geração para o meio campo podem ser João Fonseca (ex. Benfica que evolui há alguns anos no Inter), “trinco” de grande qualidade técnica; Diogo Capitão (Benfica) que pode também jogar a defesa e destaca-se pela polivalência; Bernardo Sousa (Sporting), médio de muito talento mas ainda com pouca consistência; Diego Batista (Benfica), 8 ou 10 de grande qualidade que vem de uma lesão grave, mas promete voltar a brilhar na formação; Daniel Silva (Vitória SC), que surpreendeu pela qualidade a médio interior o ano passado no V. Setúbal; a dupla dos juniores do FC Porto Fábio Vieira e Vitor Ferreira, ambos de qualidade técnica acima da média, prometem ter uma palavra a dizer; e ainda o talentoso esquerdino Tiago Antunes (Sp. Braga) que pode também jogar a extremo.

 

 

 

 

 

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Extremos

Esta é talvez a posição do campo onde há mais potencial e talento à solta que promete aterrorizar qualquer adversário:

Pedro Neto, Lazio, (talvez o nome mais importante desta geração) protagonizou uma transferência surpreendente para Itália e que rendeu largos milhões ao Sp. Braga. Recorde-se que nessa mesma época Pedro Neto tinha iniciado a temporada nos juvenis e chegou a ser destaque da ProScout quando ainda não se tinha estreado pelos séniores na liga portuguesa, logo com um golo. Canhoto irreverente, parte para cima dos adversários com frequência e desequilibra com facilidade. Não raras vezes é visto no banco de suplentes da Lazio.

Rafael Camacho, Liverpool, é outro nome sonante desta geração. Com passado na formação do Sporting e Manchester City, já se estreou pelo Liverpool de Klopp nesta pré-época. Trata-se de um extremo muito forte no um para um, tem facilidade de remate com ambos os pés e marca bastantes golos, nomeadamente ao serviço da seleção.

Rodrigo Conceição, Benfica, evolui na equipa sub23 e é filho de Sérgio Conceição. É um extremo muito veloz e imprevisível no drible. Assíduo nas convocatórias das seleções.

João Mário, FC Porto, promete ser a surpresa da temporada da formação nacional. Faz parte do plantel da equipa B e caracteriza-se pela facilidade enorme com que desequilibra através do seu poder de aceleração e de finta. Tanto dribla para dentro como para fora, também demonstra qualidade em espaços interiores e finaliza com qualidade. A seguir com atenção…

António Gomes, Atalanta, é mais um talentoso extremo desta geração. Canhoto, rápido e muito forte no um para um, está em Itália há cerca de 3 anos vindo do Luxemburgo. Presença assídua nas seleções.

Diogo Brás, Sporting, é outro extremo desiquilibrador desta geração (são tantos!). Evolui nos sub23 e é um jogador veloz e que gosta de encarar o adversário no um para um. Finaliza com facilidade.

Como outras opções esta geração ainda tem Silvano Nater (Atlético Madrid), jogador potente, bastante rápido e forte no um para um de ascendência guineense; Mário Ferreira (Vitória SC), ex Sampdoria e Benfica, com muito talento e irreverência nos duelos individuais. Para além de todos estes nomes ainda há o caso de Alfredo Silva, mais conhecido por Cartaxinho, que pertence aos quadros do Málaga, e foi desde cedo transferido do Sporting para Espanha. Ficou famoso após uma reportagem televisiva. Desconhece-se o seu estado de forma atual, já que tem historial de lesões graves.

Para além desta lista há que ter em conta a provável subida de escalão de Umaro Embaló e (ainda de 2001) que, habitualmente, faz parte das convocatórias desta geração.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Avançados

Luis Lopes, Benfica, deu nas vistas na temporada passada pela facilidade com que fez golos pelos juniores do Benfica. Movimenta-se bem, controla bem a bola e finaliza com frieza assinalável.

Ricardo Campos, ex Juventus, contratado pelo clube italiano ao Benfica há dois anos, é um jogador bastante móvel na frente de ataque, gosta de descair nas alas e encarar os adversários. Esta época assinou pelo Valencia.

Tiago Rodrigues, Sporting, é um avançado mais posicional, joga bem com os apoios e finaliza com frieza.

Theo Fonseca, Vitória SC, ex. Nancy e filho de emigrantes, móvel e com qualidade técnica bastante interessante pode também ser opção nas alas.

Daniel Simões, Freiburg, chegou a ser titular nesta geração e marcou alguns golos pela seleção quando era sub16 e sub17, mas no último ano tem andado desaparecido das convocatórias nacionais. Também filho de emigrantes, é forte fisicamente e tem capacidade de remate assinalável.

 

 

 

 

 

11 base provável: Celton Biai; Costinha, Pedro Álvaro, Tiago Djaló, Nuno Tavares; Tomás Azevedo, Romário Baró, Afonso Sousa; Rafael Camacho, Pedro Neto, Luis Lopes

 

Esta geração não deve nada em talento aos atuais campeões europeus do escalão, porém estes não se conseguiram apurar para o Europeu sub17. Na fase de apuramento acabaram por perder com a Espanha (que se viria a sagrar campeã europeia) e não obtiveram a diferença de golos necessária para serem considerados no lote de melhores segundos classificados (a vitória perante a Grécia por 4-0 e o empate diante da Polónia por 3-3 não foram suficientes). Ainda assim, a seu favor tem a criação da nova competição sub23 que, certamente, lhes vai proporcionar maior bagagem competitiva e mais minutos de jogo para poderem demonstrar toda a sua qualidade e potencial. Nota também para o facto de muitos deles já atuarem em clubes estrangeiros, alguns de renome.

É de destacar, também, o facto de não haver um 6 declarado, o que pode fazer com que Henrique Jocu (ainda de 2001, já se estreou pelos sub23 do Benfica e tem muita qualidade) suba de escalão, como já fez antes. Também o facto de Umaro Embalo poder subir de escalão pode originar um ataque com um trio (Pedro Neto, Rafael Camacho e Embalo) que promete ser imparável na frente.

Há, pois bem, uma certeza. O talento em Portugal não para e as fornadas de jogadores que continuam a aparecer eleva os níveis de confiança e esperança para um futuro risonho no potencial do futebol português. Nomes como Romário Baró, Afonso Sousa, Rafael Camacho, Pedro Neto, entre outros, prometem ainda dar muito que falar.

 

Nota: Portugal é uma das melhores gerações de 2000 na Europa e pode muito bem ser considerada uma das seleções candidatas. No entanto, nota de destaque para a geração incrível de Inglaterra com nomes a reter como Jadon Sancho (cuja sua transferência do Man. City para o Dortmund motivou algum mal estar de Guardiola; Phil Foden (já joga com os “grandes” no City); Angel Gomes (jogador que ainda pode optar por jogar por Portugal e que Mourinho ja estreou a epoca passada); Callum Hudson-Odoi (também aposta de Sarri no Chelsea), Ryan Sessegnon (com idade juvenil fez 30 jogos e 7 golos no Championship pelo Fulham); Riyhan Brewster (talentoso avançado do Liverpool), George McEachran (médio de talento puro do Chelsea) ou Jonathan Panzo (central que promete e que o Monaco foi buscar ao Chelsea).

 

 

 

 

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