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Jogos Olímpicos 2016: Os jogos decisivos da competição

Meias-finais:

Brasil-Honduras

Partida que começou com o golo brasileiro aos 14 segundos, mudando a história de um jogo que poderia ser complicado para os anfitriões. Complicado na medida em que o jogo brasileiro é muito pouco organizado, vivendo, essencialmente, de momentos de inspiração individual dos seus jogadores. Apresentando-se em 1-4-4-2, sem um referência fixa na frente, visto que Luan e Neymar abandonavam esse lugar de forma frequente, retirando algumas referências “geográficas” à equipa, visto que os movimentos de ambos estão longe de estarem trabalhados de forma a serem complementares. Com um fase de construção com bastantes elementos – os 4 defesas e os 2 médios centro – e bastante lenta, apenas Renato Augusto apresentou critério, lucidez e inteligência de forma contínua, ligando o jogo para os 4 elementos da frente tentarem criar algo de novo e de perigoso para as Honduras. No entanto, apesar da qualidade individual, o momento ofensivo não está trabalhado e a equipa denota dificuldades em furar a organização defensiva adversária, mesmo que esta seja algo débil. Assim, as principais oportunidades foram criadas através de recuperações altas e de transições ofensivas rápidas.

Os hondurenhos que começaram em 1-3-4-3 e terminaram em 1-4-4-2 revelaram vários problemas ao nível da organização defensiva, deixando espaços passíveis de aproveitamento por parte dos canarinhos. Contudo, não foi pelos espaços livres que a equipa perdeu. Os erros individuais na saída de bola foram os principais motivos que permitiram o avolumar do resultado. Devido a falhas técnicas no passe a equipa perdeu muitas bolas na 1ª fase de construção, permitindo ao Brasil rápidas incursões para aproveitar o desequilíbrio estrutural da equipa centro americana. A nível ofensivo não revelaram grandes ideias, apesar de tentarem valorizar a posse de bola e construir desde trás. Contudo, chegando à zona de criação, a principal directriz procurar espaços nas costas da defensiva brasileira, tentando ao máximo jogar na profundidade, sem que isso tivesse dado resultados práticos.

Os destaques individuais foram dois, acima dos restantes. Neymar, por ser a referência da criação brasileira. Dono da bola, sempre a arriscar o 1×1 e a procurar as zonas de finalização. Exibição com vários a nível da definição, mas tendo em conta o contexto a nível de apoios e jogo colectivo, acaba por ser algo desculpável. Renato Augusto, jogando como pivot defensivo com funções de construção, não teve um raio de acção muito amplo, mas deu qualidade à construção, privilegiando o passe vertical que retirasse linhas hondurenhas da frente.

 

Alemanha-Nigéria

Naquele que era, em teoria, o embate mais equilibrado das meias-finais, a Alemanha defrontava a Nigéria. Mesmo assim a equipa alemã era aquela que detinha um maior favoritismo para jogar a final. O jogo começou a uma velocidade vertiginosa, com um ritmo muito alto e com o perigo a rondar ambas as balizas. A Alemanha tinha mais bola e em organização ofensiva conseguia desequilibrar, sendo que os nigerianos tentavam aproveitar os espaços com ataques muito rápidos. Aos 9 minutos de jogo, excelente jogada de ataque da Alemanha e Max Meyer a cruzar para Klostermann encostar e abrir o marcador. Depois do golo, pouco mudou.

A Alemanha não conseguiu serenar o jogo e continuava o ritmo alto, com perigo em ambas as balizas. A Nigéria ameaçava o empate, mas os defesas da Alemanha depois conseguiam fechar os espaços nas costas, que era o espaço que a Nigéria tentava aproveitar. Alguns erros da Alemanha na 1ª fase de construção davam algumas facilidades aos nigerianos, porém não eram aproveitadas. A Alemanha continuava a desequilibrar em organização ofensiva, mas depois, ou por maus passes ou más decisões, os lances acabavam por se perder. O intervalo acabou por chegar com a Alemanha na frente por 1-0.

Na segunda parte, os alemães deram um pouco mais de bola aos nigerianos, tentando depois aproveitar o espaço para as transições e com a defesa mais baixa fechar os espaços atrás. A Nigéria tentava algumas vezes, mas não conseguia. Os germânicos não conseguiam aproveitar convenientemente os espaços que a equipa adversária deixava, e que a cada minuto que passavam eram maiores. O golo da tranquilidade só apareceu aos 89 minutos, pelo suplente Petersen, que num rápido contra-ataque selou a presença da sua selecção na final. Destaque para Gnabry, que desequilibrou muito com bola, mas depois acabou por tomar más decisões quando a vantagem estava toda criada.

 

3º e 4º lugar

Honduras-Nigéria

Jogo para a medalha de bronze dos jogos olímpicos do Rio de Janeiro, Honduras contra a Nigéria. As Honduras apostaram de inicio num sistema de 1-5-3-2, com um linha de três defesas centrais e com laterais mais subidos à procura sempre de esticar o jogo. A Nigéria apostou num 1-4-3-3, com o experiente médio Obi Mikel como organizador de jogo e com a tarefa de liderar a sua equipa. A partida começou com um ritmo interessante, com a equipa nigeriana a tentar tomar conta das operações e a jogar um futebol mais de ataque, enquanto que as Honduras apostaram claramente no erro dos nigerianos, estratégia que quase resultou depois de Elis, atacante hondurenho, exibindo o seu poderio físico e capacidade de galgar metros em velocidade para criar oportunidades de golo, mas não teve engenho para as aproveitar. Não marcaram, sofreram, com a Nigéria a abrir o marcador, confirmando assim o seu favoritismo, numa boa jogada de Ezekiel que colocou a bola na área onde apareceu Obi Mikel muito bem e este empurrou para a zona do poste esquerdo onde Sadiq Umar finalizou com facilidade. A partida chegava assim ao intervalo.

Na segunda parte, voltou a Nigéria a entrar mais forte, acabando mesmo por chegar ao segundo depois de um remate de Obi Mikel com uma defesa incompleta do guarda-redes hondurenho que permitiu a Aminu Umar finalizar. Já com a selecção centro americana desorientada e com dificuldades em reentrar no jogo, a Nigéria fez o 3-0 numa boa jogada de Obi Mikel que transportou a bola para a frente, soltou em Sadiq Umar que depois conseguiu tirar um defesa do caminho com um toque curto e finaliza de pé esquerdo.
Antony Lozano, o ponta de lança hondurenho em campo desde o intervalo para tentar tirar algo da partida, conseguiu finalmente finalizar aos 71 minutos da partida e reduziu assim para 3-1 dando uma pequena esperança aos seus colegas e adeptos. Já perto do final, aos 86 minutos, as Honduras conseguem mesmo reduzir para 3-2 após a execução de um livre para a área, onde o defesa Marcelo Pereira cabeceou para o fundo das redes.

Terminou assim a partida de 3º e 4º lugar com uma vitória da selecção africana que levou assim a medalha de bronze para casa.

 

Final:

Brasil-Alemanha

Brasil e Alemanha fecharam o Torneio Olímpico de futebol masculino numa partida com bastante carga emocional para o público brasileiro que procurava a desforra da humilhante derrota por 7-1 no Mundial do Brasil em 2014. O Brasil apostou num 1-4-2-3-1 tal como a Alemanha.

A partida começou logo com um ritmo alto com ambas as equipas a procurar jogar ao ataque, e foi a Alemanha a criar mais perigo de início com as investidas de Gnabry que aparecia do flanco para o meio fazendo passes a rasgar para os homens mais adiantados, o que, por momentos, colocou a selecção canarinha em sentido. Rapidamente a selecção brasileira começou a tomar conta do jogo, através da utilização da capacidade dos seus atletas no 1×1, arma que foi bastante usada durante a partida, principalmente pelo trio Neymar, Gabriel Barbosa e Gabriel Jesus. Estes, juntamente com Luan, criaram uma dinâmica ofensiva com que a Alemanha não conseguiu lidar durante a partida e que dificultou também as coberturas do espaços diante da defesa, com os irmãos Bender em apuros para cobrir tanto terreno, tendo sido muitas vezes arrastados para fora das suas posições e obrigados também ao uso excessivo de acções faltosas, prática usada pela generalidade da equipa. E foi através de uma acção faltosa que o Brasil aproveitou, de livre directo, por intermédio de Neymar, fazer o 1-0 na partida numa excelente cobrança por parte do capitão e grande estrela da equipa canarinha, sem duvida um ‘golo olímpico’ digno de uma final. O Brasil foi, então, a vencer para o intervalo por 1-0.

Na segunda parte a Alemanha tentou tomar conta do jogo, tentando abrandar o ritmo imposto pelos jogadores brasileiros que estava a dificultar a tarefa dos alemães. A estratégia alemã colheu frutos aos 59 minutos da partida quando Max Meyer, numa excelente finalização de primeira depois de um belo cruzamento do lateral Toljan, consegue restabelecer o empate no marcador e fez a Alemanha sonhar com a medalha de ouro.

O Brasil voltou a tentar tomar conta das operações depois do golo sofrido, voltando a subir o ritmo de jogo, com Walace mais activo no jogo não só na recuperação mas também a tentar transportar o jogo para a frente, Renato Augusto e Luan na construção e a constantemente encontrar os seus colegas da frente. A Alemanha voltou a sentir dificuldades na partida mas, ainda assim, conseguiu levar o jogo para prolongamento, onde o Brasil tenta uma mudança de estratégia ao retirar de campo Gabriel Jesus e colocar Rafinha, o talentoso médio do Barcelona, dando também mais critério à equipa com bola, não a expondo tanto aos contra-ataques germânicos. Prolongamento que apesar de dominado pelo Brasil acaba sem golos e leva-nos para o desempate nas grandes penalidades onde o Brasil consegue uma justa vitoria por 5-4. O falhanço de Nils Petersen e a derradeira grande penalidade convertida por Neymar colocaram um final na partida e o Brasil tornou-se assim no novo campeão olímpico de futebol masculino.

jo-dia--final