Jogos Olímpicos: 2ª Jornada

Jogos Olímpicos: 2ª Jornada

 

Fiji 1 – 5 México

Uma partida com duas partes distintas e com um resultado ligeiramente exagerado. Fiji entrou muito bem na partida e chegou ao golo pelo seu capitão, Roy Krishna, na sequência de uma falha defensiva entre o guarda-redes e o central mexicano. A selecção da Oceânia não se limitou a defender e criou perigo a um conjunto mexicano apático, sem ideias e desinspirado. O médio ofensivo Ratu Nakalevu também esteve em bom plano nos primeiros 45 minutos. Do lado dos ‘aztecas’, Rodolfo Pizarro saiu lesionado aos 35 minutos e Oribe Peralta trabalhou muito mas não teve uma tarde feliz. No segundo período, o México entrou determinado em dar a volta ao marcado e circulou a posse de bola com mais critério, aproveitando o desgaste físico do Fiji. Erick Gutiérrez, extremo esquerdo de 21 anos, despertou e apontou um hat-trick em apenas 10 minutos. Sem pressionar muito e com um ritmo de jogo baixo, o México aumentou a vantagem por Carlos Salcedo aos 67 minutos, numa altura em que privilegiava o ataque pelos corredores laterais. Houve ainda tempo para o ‘poker’ de Gutiérrez aos 73 minutos. Uma segunda parte de grande qualidade do extremo inquietante.

 

Honduras 1-2 Portugal

Depois do grande resultado contra a Argentina, os comandados de Rui Jorge nestes Jogos Olímpicos defrontaram uma selecção que na teoria seria mais fraca, as Honduras. O treinador de Portugal levou à letra o lema de que em equipa que ganha não se mexe, e apresentou em campo o mesmo 11 titular que tinha defrontado a selecção albiceleste. A entrada em campo não poderia ser pior, já que com pouco mais de 30 segundos as Honduras já tinham marcado, depois de uma jogada pelo lado esquerdo do ataque. Portugal sentiu um pouco o golo sofrido e demorou alguns minutos a estabilizar, mas desde cedo se percebeu que os jogadores nacionais eram bem melhores individualmente, e como colectivo também o eram. As Honduras abriam muito espaço no seu sector defensivo, mas Portugal não conseguia encontrar o caminho do golo, apesar das muitas tentativas. Por esta altura, só com rápidas transições os jogadores hondurenhos tentavam incomodar Bruno Varela, submetendo-se ao domínio de Portugal. Ao fim de várias tentativas, o golo aparece aos 21 minutos. Cruzamento de Sérgio Oliveira e Tobias Figueiredo de cabeça a não perdoar, empatando o jogo. A Selecção Nacional continuou a dominar e Gonçalo Paciência acabou por dar vantagem a Portugal depois de aproveitar um remate desviado e aparecer no centro da área a finalizar aos 36 minutos. Foi com uma vantagem de 2-1 que o jogo chegou ao intervalo. Na 2ª parte o selecionador das Honduras mexeu na sua equipa e tornaram-se bem mais perigosos, criando vários lances de perigo para a baliza de Bruno Varela. Com essa maior tendência para atacar, também se destaparam atrás e Portugal teve também muito espaço e muitas oportunidades para poder marcar mais golos. Rui Jorge colocou em campo Mané e Pité, jogadores rápidos e que podiam aproveitar esse espaço, mas que fruto de uma finalização precária e algumas más decisões, não conseguiram cumprir esse desígnio. Francisco Ramos também entrou para o meio-campo, dando assim mais força e capacidade defensiva à equipa. Como os jogadores portugueses não conseguiram acabar com o jogo, as Honduras tentaram até ao fim o empate, criando mesmo situações perigosas nos últimos minutos. Bruno Fernandes voltou a fazer um belo jogo, comandando quase todas as acções ofensivas de Portugal.

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Alemanha 3-3 Coreia do Sul

Empate com muitos golos na disputa entre alemães e sul coreanos num bom espetáculo para assistir, mas nem sempre bem jogado. A Alemanha com algumas dificuldades para por em prática o seu jogo com um 1-4-4-2 algo estático. Os irmãos Bender muito presos aos processos defensivos e com poucas opções de passe dentro do bloco. A pouca profundidade, e qualidade, apresentada pelos laterais, obrigou a que os extremos Brandt e Gnabry e o 2º avançado Meyer estivessem muito tempo nas linhas. Isto fez com que a construção de jogo interior fosse escassa e o momento ofensivo vivesse muito do 1×1 em jogo exterior. Ainda assim a qualidade individual é enorme e foi o suficiente para marcar 3 golos. Destaque pela positiva para sobretudo para Brandt mas também para Gnabry e Meyer pela qualidade individual, muitas vezes a fazer a diferença. Destaque pela negativa para Toljan que deu muito pouca profundidade ofensiva (e de pouca qualidade) e com muitos erros defensivos.

Os Sul-coreanos defendiam em bloco baixo e procuravam criar perigo sobretudo em transições, rápidas e objetivas. Apresentaram um 1-4-4-1-1 em organização defensiva que se transformava num 1-3-1-4-1-1 em organização ofensiva em que procuravam lançar rápido preferencialmente para a ala esquerda onde se encontrava o avançado do Tottenham, Son Heung-Min, com 2 ou 3 apoios muito próximos. Com isto conseguiam abrir a defesa alemã e criar um espaço enorme entre centrais que com o sucesso de algumas combinações resultaram sempre em lances de grande perigo. Destaque individual para Son Heung-Min, que criou muito perigo nas diagonais da esquerda para o centro, fosse com bola ou sem bola à procura da profundidade. Destaque ainda para Moon Chang-Jin que com alguma qualidade técnica tentava desequilibrar no drible ou passe e para Kwon Chang-Hoon, que apresentou qualidade nos vários momentos do jogo.

 

Argentina 2-1 Argélia

Depois da derrota contra Portugal, a seleção Argentina conseguiu vencer a Argélia com muita dificuldade. Apresentaram-se em 1-4-2-3-1, com um futebol desapoiado que viveu muito de iniciativas individuais, sobretudo de Correa. A Argélia jogou em 1-4-3-3, procurando sempre atacar pelo lado direito. O começo do jogo foi equilibrado, os argentinos tiveram uma boa oportunidade aos 25 minutos por Martinez e a Argélia só teve a primeira oportunidade clara aos 43 minutos por Bounedjah. Victor Cuesta recebeu o segundo cartão amarelo nos descontos e foi expulso, deixando a Argentina com 10 jogadores. Na segunda parte, apesar da desvantagem numérica, Calleri faz a assistência para o primeiro golo da partida, marcado por Correa. A Argélia reagiu e aos 18 minutos empata por Bendebka. Três minutos depois, Abdellaoui é expulso depois de uma entrada dura sobre Calleri, que logo a seguir faz o golo decisivo, deixando os argentinos novamente na frente. Até ao fim do encontro a equipa orientada por Olarticoechea manteve a posse de bola, reforçaram o meio campo com a entrada de Lucas Romero para o lugar de Lo Celso, garantindo assim os primeiros pontos no grupo. O destaque da partida vai para Calleri com um golo e uma assistência.

 

Suécia 0-1 Nigéria

Jogo em que a Nigéria dominou, foi superior e criou mais situações de perigo acabando por vencer por 1×0. A selecção sueca apresentou-se com um sistema táctico 1-4-4-2 clássico e em que cedeu a iniciativa do jogo à selecção africana, optando por uma organização defensiva à zona, muito passiva e com as linhas posicionadas maioritariamente nas zonas média e defensiva. Do ponto de vista ofensivo procurava colocar a bola nos corredores laterais no meio campo ofensivo, de modo a criar possibilidades de cruzamento para a área e um dos avançados poder finalizar. Já a Nigéria, aproveitando a passividade da selecção europeia, jogou de forma mais apoiada, com passes curtos e num sistema 1-4-2-3-1. Os laterais (Shehu à direita e Amuzie à esquerda) davam largura e profundidade pelos corredores e a cruzarem regularmente, dois médios centros (Okechukwu e Mohammed) mais recuados, posicionais, em coberturas ofensivas e defensivas e um médio ofensivo centro (Mikel) que organizava o ataque, com grande influência na fase de criação, temporizando e gerindo o jogo no meio campo ofensivo. No ataque (Ezekiel à direita, Sadiq no centro e Etebo à esquerda) Sadiq realiza várias desmarcações em apoio e surge igualmente na área para finalizar após cruzamentos, os outros dois partem dos corredores laterais para zonas interiores em condução e drible, procurando o remate à baliza. Destaque para as prestações de Mikel (pela inteligência e experiência que dá ao jogo da equipa), Amuzie (assistência para golo, bom nos duelos defensivos e ataca e cruza bem), Sadiq (1 golo, protege a bola, combina, boa técnica e movimentos de ponta de lança) e Andreas Linde (guarda redes que fez várias defesas impedindo a Nigéria de fazer mais golos).

 

Dinamarca 1-0 África do Sul

Num jogo de equilíbrio de máximo entre as duas selecções foram os escandinavos que sorriram no fim. Apesar da derrota, os sul-africanos mostraram que o empate frente ao Brasil não foi um mero acaso. Apresentaram capacidade para construírem o seu jogo a partir de trás e depois explorar a velocidade dos homens mais adiantados. O médio Gift Motupa foi o jogador mais irreverente com remates perigoso à baliza dinamarquesa que só conseguiu importunar a baliza de Itumeleng Khune por intermédio de Lasse Vibe, capitão de equipa. Ainda antes do segundo tempo, a África do Sul viu dois remates a embaterem na barra. Aos 61 minutos, Robert Skov entrou e mexeu com o jogo. Passados oito minutos fez o único golo do jogo depois de uma transição rápida, batendo Khune que estava a ser dos melhores da partida. Até ao final, África do Sul pressionou e esteve perto do empate mas pela frente encontrou o guarda-redes Jeppe Hojbjerg e o central Eddi Gomes que foram intransponíveis nas suas acções.

 

Japão 2-2 Colômbia

Enquanto o Brasil defrontava o Iraque no fecho da jornada futebolística nos Jogos Olímpicos, outro jogo decorria ao mesmo tempo nas terras descobertas por Pedro Álvares Cabral. A Colômbia e o Japão defrontavam-se na 2ª jornada do grupo B. Duas selecções que vinham de dois distintos resultados na 1ª jornada: a Colômbia tinha empatado com a Suécia e o Japão perdido com a Nigéria. O jogo não foi muito bem jogado, com duas selecções que, como equipa, deixaram muito a desejar. O espaço era muito em campo, mas as capacidades para os aproveitar eram poucas. Na 1ª parte, um jogo muito pobre, onde apesar de haver espaços, nenhuma das selecções os materializou em golo. A Colômbia tinha mais capacidade individual, mas como colectivo era o Japão que acabava por mostrar mais, fruto de alguns bons entendimentos no ataque e de terem jogadores sempre ligados à corrente. Na 2ª parte, os espaços apareceram de novo, mas aí já foram aproveitados. A Colômbia conseguiu uma vantagem de dois golos, fruto de um golo de Teo Gutierrez (após boa jogada no ataque) e de um auto-golo que seguramente estará nos momentos mais engraçados destes Jogos Olímpicos. A resposta do Japão não demorou. Em pouco mais de 5 minutos empataram o jogo, e estiveram sempre mais próximos de o ganhar até final, mas não o conseguiram devido, principalmente, a pouco acerto na hora de finalizar e decidir. A esta Colômbia exigia-se um pouco mais, já que tem jogadores como Sebastian Perez, Teo Gutierrez, Miguel Borja ou Dorlan Pabon. Nota especial para o trabalho dos nipónicos nos lances de bola parada, mostrando em cada um desses momentos, muito trabalho de casa feito. Individualmente, destaque para o número 10 do Japão, de seu nome Shoya Nakajima. A partir da esquerda, espalhou o caos na defesa colombiana, e acabou por marcar também um golo.
 

Brasil 0-0 Iraque

No 2.º jogo do Torneio Olímpico a Canarinha voltou a desiludir. Houve repetição do resultado da 1.ª jornada, o que é absolutamente surpreendente numa selecção com tanto potencial individual, com a maior estrela da competição e ainda com o bónus de todo um público com a equipa (o que poderá ter efeito contrário na última jornada, depois de dois jogos de frustração). A equipa de Rogério Micale apresentou-se num 1-4-3-3 sem referência fixa na frente (Neymar, Gabriel Jesus e Gabigol mostraram muita mobilidade, apesar de nem sempre coordenada, com demasiados movimentos parecidos e a não alternar a profundidade com movimentos de aproximação) com uma organização ofensiva com posicionamentos muito conservadores (especialmente dos centrais que são dotados de qualidade técnica, não sendo incentivados a colocarem-na ao serviço do conjunto) que não beneficiaram a criação de oportunidades no último terço. Foi clara a padronização de uma jogada que permitia chegar à fase de finalização com alguma frequência, mas que em termos de durabilidade foi curta após os Iraquianos se aperceberem: Zeca, lateral direito, permutava frequentemente com o seu ala, pisando terrenos centrais, dando o corredor ao extremo, o que atraía sempre a atenção do lateral contrário, não compensada pelo interior Iraquiano, libertando todo o corredor ao extremo Brasileiro. Surgiram, desta forma, algumas situações na fase de finalização não devidamente aproveitadas. Com o decorrer da partida a ansiedade foi notória e com isso o futebol Brasileiro saiu prejudicado tal era a sofreguidão e a falta de lucidez na fase de criação. Individualmente, destaque para Zeca, o melhor da equipa da casa, e a destoar dos seus companheiros pela qualidade que ofereceu em todos os momentos do jogo (Neymar voltou a desiludir, parecendo não estar na melhor forma física, ao passo que Gabriel Jesus esteve errático na finalização e no desequilíbrio individual). No lado Iraquiano vimos um conjunto organizado em 1-5-4-1, sempre com 10 homens atrás da bola, sobrando apenas Abdulraheem na frente. Poucos homens disponíveis para tarefas ofensivas, passaram mais de 75% do encontro sem experienciar organização ofensiva e a oferecer perigo apenas em transições e esquemas tácticos. Nota para Adnan que mostrou ser a individualidade com mais recursos técnicos.

 
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