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Lucas Paquetá – a estrela brasileira

Lucas Paquetá foi recentemente chamado para os amigáveis do Brasil contra os EUA e El Salvador devido ao seu excelente momento no Flamengo. Mas a sua história no clube do Rio de Janeiro já conheceu vários capítulos.

Desde criança no Flamengo, Lucas Paquetá sempre foi destaque nas camadas jovens. No entanto, devido ao atraso no desenvolvimento físico, acabou por ter dificuldades em impor-se nos juvenis onde a capacidade física pode ser um componente bastante diferenciador. Esse crescimento acabou por acontecer e Paquetá, alcunha com origem da sua terra Natal, a Ilha de Paquetá do Rio de Janeiro, cresceu quase 30 centímetros em 3 anos, atingindo 1,80m. Altura que lhe permitiu depois mostrar todo o seu futebol.

Foi um dos destaques na conquista do Flamengo na Copa de São Paulo de Juniores e conseguiu a promoção à equipa principal, tal como Felipe Vizeu, avançado transferido esta época para a Udinese, e Matheus Sávio, jogador que está de volta ao Flamengo após passagem fugaz pelo Estoril.

Estreou-se na equipa principal em Março de 2016 no Campeonato Carioca. Pode ver-se aqui as suas intervenções nesse jogo:

https://www.youtube.com/watch?v=Sr0AwzNek_k

 

 

 

Ainda com 18 anos, ficou uma amostra daquilo que poderia fazer. No entanto nesse ano apenas viria a jogar novamente como suplente 1 jogo pois o Flamengo entendeu que deveria cumprir um plano que lhe permitisse ganhar a massa muscular necessária para competir ao mais alto nível.

2017 viria a ser um ano muito importante para ele. Muricy Ramalho, treinador que o lançou em 2016 foi substituído por Zé Ricardo, treinador que o orientou nos Sub20 do Flamengo. No entanto foi já com Reinaldo Rueda, actual seleccionador do Chile, que Lucas Paquetá se viria a afirmar. Jogando em posições mais avançadas, inclusive como ponta-de-lança, acabou por ser um destaques da equipa do Rio na recta final do Brasileirão.

Em 2018, com a chegada de Carpegiani, Lucas Paquetá viria a recuar no terreno, jogando como box-to-box, quer na ajuda a Cuéllar nas tarefas defensivas, quer aparecendo como duplo pivot ofensivo com Diego, ex-Porto. Entretanto Mauricio Barbieri assumiu o controlo do Fla mas a aposta no jovem de Paquetá manteve-se. Este correspondeu com o aumento de qualidade de jogo, consistência e maior preponderância na equipa sendo já um dos jogadores com mais minutos e influência directa nos golos da equipa levando 7 golos e 6 assistências em 39 jogos (3 339 minutos)
em todas as competições, numa altura em que terminou a primeira volta do campeonato. Números que revelam bem a sua importância na equipa.

Este destaque não passou despercebido na Europa e este Verão surgiram notícias de interesse de clubes como Liverpool e Milan que para já esbarraram nos valores pedidos pelo Flamengo. Com cláusula de rescisão de 50 milhões e contrato apenas até 2020, o clube está a encetar esforços para prolongar o vínculo e aumentar essa cláusula. E também não passou despercebido a Tite que o convocou para os próximos amigáveis do Brasil. De resto, já fez parte da lista de 12 jogadores de reserva para o Mundial de 2018. Apesar da importância do reconhecimento, a convocatória não caiu bem na Direcção do Flamengo, já que pode perder o jogador para a meia-final da Copa do Brasil.

Com a compleição física já descrita, o Lucas Paquetá tem argumentos para discutir os lances no confronto físico com qualquer jogador, o que lhe confere maior capacidade para jogar como box-to-box mesmo sendo um jogador com um recorte técnico muito acima do que se vê normalmente nos jogadores desta posição. Estamos habituados a ver este tipo de tecnicistas com maior intervenção nas fases de construção e de decisão no último terço mas o jovem brasileiro é mais do que isso. Aliada à capacidade de choque, tem uma mentalidade competitiva e agressividade positiva que o tornam muito capaz no desarme, na pressão alta e no jogo aéreo defensivo.

Isso fez com que assumisse o lugar como interior direito, apesar de ser esquerdino, com a cobertura do médio defensivo Cuéllar e libertando o Diego para tarefas mais ofensivas. Pela inexperiência que tem – fruto da idade e de ainda estar a aprender uma posição tacticamente exigente – e pelo facto do Cuéllar ser um médio defensivo com grande raio de acção mesmo em zonas mais altas, faz com que o Paquetá ainda tenha dificuldades em fazer a compensação às subidas do colombiano e com que não consiga corresponder sempre às transições defensivas.

Apesar da qualidade evidente de Cuéllar, o brasileiro beneficiaria mais em ter um jogador que se resguardasse mais nas suas costas de forma a que estivesse mais livre para construir jogo que é aí que se destaca.

Por ter responsabilidades defensivas, por vezes opta por não acompanhar as transições ofensivas, ficando em zonas mais recuadas quer para precaver um contra-ataque quer para voltar a construir jogo caso tenha oportunidade.

Tecnicamente é muito forte e tem uma excelente visão de jogo o que faz com que seja muito dotado no primeiro toque, permitindo acelerar a velocidade do jogo e desmontar mais facilmente a organização defensiva adversária.

Apesar de ser competente no 1×1 ofensivo, normalmente opta pelo drible apenas em situações em que não tem linhas de passe. Prefere desequilibrar colectivamente com tabelas rápidas, variação de flanco ou passes em profundidade em vez de fazer progressões individuais com a bola mas com a sua passada larga e leitura do jogo aparece com
facilidade e com frequência no último terço e em zonas de finalização. Aí é imprevisível porque tanto consegue assistir com um passe de qualidade como, por ter um remate forte mesmo sem grande preparação, consegue finalizar fora da área.

É um jogador que gosta de acelerar o jogo mas também tem capacidade para o pausar, usando a sua fortíssima capacidade em proteger a posse de bola quando é preciso. Apesar de privilegiar o pé esquerdo, o seu preferido, não tem problemas em recorrer ao pé direito se necessário.

Tem de trabalhar no sentido de reduzir o número de perda de bolas e aumentar a sua participação durante todo o jogo mas não é alarmante tendo em conta a sua idade, a responsabilidade que já tem de assumir e por estar a adaptar-se a uma posição e a um contexto muito exigente.

Do ponto de vista estatístico o médio de 20 anos é considerado pelo InStat como o melhor médio organizador do Brasileirão.

Aparece em destaque em vários indicadores numa estatística desde início do campeonato até à 19ª jornada, neste momento decorre a 20ª rodada.

Resumindo, apesar de ser um jogador muito forte no último terço, acredita-se que é como box-to-box que vai atingir todo o seu potencial. Já tem bons princípios defensivos e é expectável, até pela capacidade de trabalho que tem, que possa vir a ser muito competente neste capítulo. Com o natural crescimento que terá, com um trabalho táctico mais forte e auxiliado por um médio que o liberte para as tarefas mais ofensivas, Lucas Paquetá tem tudo para atingir o topo do futebol mundial.