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Luxemburgo – Portugal: o regresso ao calculismo, à realidade e ao Campeonato da Europa

Portugal confirmou a presença no EURO 2020 com uma vitória suada frente ao Luxemburgo, que terminou com um 0-2 no marcador. Uma partida frente a uma equipa organizada, que sabe sair para o ataque com bola e é forte na transição, Portugal teve que jogar também frente a um relvado em péssimas condições, mas que acaba por não ser desculpa para (mais) uma exibição de Portugal com muitas dificuldades para chegar perto da área contrária.

Com três mudanças desde o último jogo (saíram Mário Rui, Ruben Neves e Paciência para entrar Guerreiro, Danilo e André Silva), o onze inicial apontava logo a uma equipa de Portugal mais física e “rígida”, com menos trocas posicionais no ataque do que no jogo contra a Lituânia. Desde os momentos iniciais que se viu uma equipa de Portugal menos confortável com bola, a tentar constantemente explorar as costas da linha defensiva do Luxemburgo através de passes longos vindos da defesa, não só em momentos de pressão (algo já comum na equipa portuguesa), mas pareceu ser algo preparado e com indicações vindas do banco. Esta insistência em bolas longas levou a muitas perdas de bola (total de 168 bolas perdidas no jogo) e tentativas de passes com uma probabilidade de acerto muito reduzida. Com André Silva e Ronaldo em dia não, sem conseguirem segurar a bola e esperar pelo apoio dos seus companheiros, Portugal nunca conseguiu (ou nunca tentou) ligar o seu jogo de forma apoiada e manter a posse de bola de forma controlada, como foi bem evidente nos primeiros 15 minutos da partida:

A falta de confiança com bola pode até ser justificada, em parte, pelo estado do relvado, mas a verdade é que até ao golo marcado Portugal apenas apostou no jogo direto, algo que na transmissão televisiva foi constantemente justificado pelo relvado. Foi curioso perceber que logo após do golo, Portugal afinal até conseguia ter bola e que era possível jogar de forma mais apoiada do que aquilo que estava a acontecer antes, com um exemplo claro logo na primeira jogada a seguir ao golo:

É verdade que o resultado neste jogo era o mais importante, uma vitória era necessária para confirmar o apuramento, mas Portugal mostrou, em escassos momentos, que quando juntou os seus jogadores mais criativos em zonas elevadas do campo (Bruno Fernandes, Pizzi e Bernardo). Os três jogadores do meio-campo nem sempre conseguiram encontrar o seu espaço, com algum mérito para o Luxemburgo em não dar muito espaço entre linhas, algo que resultou em alguma frustração dos jogadores mais recuados da Seleção.

A equipa do Luxemburgo pressionava os centrais portugueses e concentrava as suas linhas muito próximas, sem grande espaço para jogar diretamente para os médios portugueses, algo que foi possível frente à Lituânia.
Foram raros os momentos em que Pizzi-Bernardo-Bruno Fernandes conseguiram combinar em zonas centrais. Faltou à equipa portuguesa conseguir criar espaços e oportunidades para extrair o melhor dos seus jogadores criativos.

Com as linhas de Luxemburgo muito juntas e subidas no terreno, foram visíveis alguns comportamentos habituais da sua linha defensiva, com um dos centrais a acompanhar as tentativas de apoio de Cristiano Ronaldo, criando espaço na linha defensiva para outros jogadores explorarem com desmarcações nas costas, onde André Silva e Bruno Fernandes tentaram várias vezes nos momentos iniciais da partida:

Bola descoberta e com espaço para driblar, a linha defensiva do Luxemburgo manteve-se alta e com muito espaço nas suas costas.

Esta “receita” e falta de coordenação da linha defensiva de Luxemburgo originou o primeiro golo português (que acabou por ser a primeira grande oportunidade de Portugal), com Bernardo Silva e Bruno Fernandes a serem os protagonistas. Mais uma vez, os defesas Luxemburgueses a serem apanhados “com os olhos só na bola” e sem controlar o espaço nas suas costas ou as desmarcações dos portugueses. A qualidade individual de Bernardo Silva e Bruno Fernandes fizeram o resto:

Na segunda parte, Portugal soube controlar o jogo com bola, e também impediu quase sempre as tentativas do Luxemburgo para atacar de forma rápida (algo que levou a situações de golo para a equipa da casa na primeira parte). Com bola, foram várias as vezes que vimos os criativos portugueses a recuar no terreno, fazendo subir os laterais. Com Bernardo e Bruno Fernandes mais recuados, Portugal ganhou qualidade na sua posse em detrimento da sua presença no último terço para criar oportunidades, algo que se justifica pelo resultado e pela mentalidade habitual de Portugal no que toca a defender a liderança de um golo.

Médios criativos em zonas recuadas com os laterais subidos. Foi assim que Portugal conseguiu manter alguma calma e controlo no jogo durante a segunda parte.

Para defender a liderança, as entradas de Moutinho e Diogo Jota foram essenciais, com Portugal a regressar ao seu 4-3-3 (ou 4-1-4-1) defensivamente. Jota entrou para defender a ala esquerda, enquanto Moutinho entrou para zonas centrais e levou Bernardo para o corredor direito, como faz com o Manchester City. Portugal evitou situações de golo para o Luxemburgo e conseguiu assim garantir mais uma presença num Europeu.

Portugal voltou ao 4-3-3 tradicional para defender a sua vantagem nos minutos finais, garantindo a vitória num jogo importante.