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[:pt]Manchester United – problemas na construção na 1ª parte[:]

[:pt]Na segunda jornada da Premier League, o Manchester United teve o seu primeiro desaire da época, perante um adversário que inicia a sua segunda época consecutiva e que tem como objectivo a manutenção no principal escalão do futebol inglês.

O Manchester United apresentou-se em campo organizado num 4x1x4x1, tanto em organização ofensiva como defensiva. Os centrais titulares foram Eric Bailly e Victor Lindelof, enquanto que Ashley Young actou como lateral direito, estando no lado oposto Luke Shaw. Andreas Pereira foi o médio defensivo. À sua frente, Fred, o grande reforço de verão, jogou como médio interior direito e Pogba como médio interior esquerdo. Juan Mata foi o médio ala/extremo direito, Martial o médio ala/extremo esquerdo, fornecendo apoio a Lukaku, o ponta de lança da equipa de José Mourinho.

 

PROBLEMAS NA CONSTRUÇÃO

Na primeira parte, os comandados do Special One iniciaram a sua construção preferencialmente pelo chão. Os Lindelöf e Bailly abriam em largura, permitindo por vezes a entrada de Pereira numa posição mais baixa no campo, formando uma primeira linha de 3 jogadores. Os laterais projectavam-se pouco em profundidade, assim como os interiores. Os alas Mata e Martial permaneciam bastante estáticos, posicionados muitas das vezes à largura máxima no corredor lateral, do mesmo modo que Lukaku ficava propositadamente mais fixo no corredor central para ser servido em bolas longas, tirando partido do seu perfil individual, um jogador muito forte fisicamente, capaz de receber e segurar de costas após movimentos curtos de apoio ou rotura nos corredores laterais (preferencialmente o direito).

A proximidade entre os jogadores, associada à falta de dinâmica na movimentação dos jogadores, tanto individual (movimentos de apoio/rotura) como colectiva (trocas posicionais) bloqueou muitas das vezes o jogo dos Red Devils, o que fez com que muitas vezes surgissem situações de inferioridade numérica no corredor lateral (zona preferencial de ligação com a criação) e também dificuldades acrescidas em receber e enquadrar com a baliza adversária, mais complicadas ainda pelas marcações individuais do Brighton quando tentava impedir a construção do United. Isto fez com que o Manchester tivesse várias perdas de bola sem conseguir chegar em condições ideias para entrar em ataque posicional no último terço do campo.

Para além disto, foi observável, como tem sido apanágio do United de Mourinho, pouca liberdade para os centrais progredirem com bola, o que é bastante prejudicial sobretudo para Lindelöf, e esconde assim uma das grandes qualidades que fez destacar o central ex-Benfica dos demais. A sua capacidade de condução, que permitia à equipa subir vários metros no campo e fixar elementos da linha média adversária, libertando espaços para colegas receberem sem um número tão grande de jogadores atrás da linha da bola poderia ter sido bastante útil neste jogo contra um Brighton organizado em 4x4x2, e que não fazia subir um membro da linha média para acompanhar a descida de, por exemplo, Andreas Pereira, quando este baixava entre os centrais para auxiliar a construção e aumentar a amplitude da primeira linha do United. Na sequência de imagens em baixo está um dos lances em que a equipa, após atrair o adversário a um corredor com rápidas combinações libertou espaço para a progressão do central em condução, que poderia deste modo chegar a uma zona de criação em boas condições para causar um lance perigoso para o adversário. Este acabou por ser desperdiçado, permitindo ao Brighton reorganizar-se e aumentar o número de jogadores atrás da linha da bola.

 

A falta de controlo sobre o jogo, causada pelas debilidades do United em construção, associada a algumas más decisões e execuções técnicas impossibilitaram a equipa de ter mais momentos de domínio e ataque posicional, o que fez com que o Brighton se sentisse confortável com o jogo e conseguisse crescer com o avançar da primeira parte, chegando ao 1-0 num lance em que a equipa de Mourinho perde a posse após um erro técnico de Andreas Pereira, que obriga posteriormente Lindelöf a colocar a bola para lançamento lateral. Este erro foi sobretudo condicionado por uma má decisão de Pogba (passe pelo ar para o corredor central, em que o colega poderia ser rapidamente pressionado após a receção), mas tem, em parte, génese nos problemas colectivos do processo de construção (excessiva proximidade entre os colegas, passe central – lateral com pressão, lentidão na circulação). No futebol, nada é indissociável.

 

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