Melhor XI das equipas eliminadas na fase de grupos do Mundial 2018

Melhor XI das equipas eliminadas na fase de grupos do Mundial 2018

Cho Hyun-Woo foi uma das revelações do Mundial e a Coreia do Sul não pode culpar o guardião, por não ter conseguido o apuramento para a fase a eliminar da prova. Actua no Daegu, último classificado da Liga Coreana e que em 14 jornadas, soma 1 vitória e 4 empates. Hyun-Woo estreou-se apenas em Novembro de 2017 pela seleção e totaliza 9 internacionalizações. Como podem ver pelos dados, não é uma figura dos Coreanos e apenas recentemente atingiu o estatuto de titular.

Do alto do seu 1.89, Hyun-Woo mostrou excelentes reflexos e agilidade neste mundial, bem como capacidade no alcance aéreo. Aparenta ter também uma boa leitura de jogo aquando de lances de bola pelo ar, conseguindo diferenciar quando deve sair ou ficar entre os postes. Sofreu 3 golos neste mundial, mas dois deles ocorreram em situação de penalty. Depois deste Mundial tem capacidade para dar o salto para uma liga mais competitiva e chegando a um clube com outras condições, pode limar as arestas no seu jogo. Tem um valor de mercado relativamente baixo e isso será um aliciante para os interessados na sua contratação. Esta vinda à Rússia poderá catapultar Hyun-Woo para outros voos, visto que ele soube aproveitar a montra.

Kenneth Omeruo falhou apenas a partida inicial deste Mundial, que culminou com o desaire frente à Croácia. Depois dessa partida, Gernot Rhor, mudou o seu esquema tático para um 3-5-2 e Omeruo ganhou lugar para as derradeiras partidas frente a Islândia e Argentina. O central pertence aos quadros do Chelsea, tendo a formação inglesa visto algum potencial em Omeruo, já que o contratou ainda enquanto júnior, ao Standard de Liége. Contudo, este nunca se conseguiu afirmar nos blues e tem sido sucessivamente emprestado. Na selecção o cenário é bem diferente, estreou-se em 2013 com 19 anos e soma já 40 internacionalizações pelas Super Águias.

Omeruo para além das habituais características chaves num central, mostra à imagem de Meriah, algum à vontade nos passes longos. Tem ainda alguma rapidez e tem uma boa leitura de quando avançar para o desarme em situações onde fica mais exposto, embora seja algo imprudente nesses lances. Em situações de cruzamentos e apesar da sua altura, Omeruo destaca-se mais em situações em que a bola chegue mais pelo chão ou meia altura, conseguindo determinar bem o tempo de entrada/desarme, apesar de ter nestes lances algumas abordagens deficientes. Não demonstra um grande à vontade para sair em progressão com bola, mas como já referi acima pode compensar esta lacuna dada a capacidade no passe longo. Demonstra alguma desconcentração e sob pressão após recuperação defensiva, pode falhar na entrega de bola (penalty frente à Islândia). Apesar de não ter sido aposta no Chelsea,  pode ter aproveitado este Mundial para dar o salto definitivo para outra formação e tentar relançar a sua carreira.

Yassine Meriah foi outro dos totalistas deste Mundial na Rússia, tendo completado os 90 minutos nos três jogos da selecção tunisina. Num grupo onde Inglaterra e Bélgica eram claras favoritas, o melhor que a Tunísia fez foi vencer o Panamá (jogo onde Meriah teve a infelicidade de fazer um auto-golo), depois de quase ter segurado o empate frente à Inglaterra na primeira jornada. O central ainda actua no seu país, mais concretamente no CS Sfaxien, equipa que o contratou ao ES Metlaoui por um valor irrisório e tem visto o passe do central disparar, estando bastante valorizado neste momento. Apesar de ter apenas 24 anos, Meriah fez a sua estreia pela Tunísia em 2015 e já soma 20 internacionalizações, bem como um golo pelas Águias do Cartago.

Meriah tem características interessantes para um central para além dos habituais. O tunisino conjuga o que geralmente se pede a um central como: alcance aéreo, posicionamento, desarme e marcação, com algum à vontade com bola (em especial no capítulo do passe e com destaque para os longos). O central possui também uma característica invulgar para central, já que se destaca na cobrança de grandes penalidades. No entanto, nem tudo é um mar de rosas no jogo do tunisino: precisa de trabalhar especialmente os apoios e não é um jogador particularmente rápido, revelando também alguma intranquilidade em caso de sucessivas falhas iniciais no jogo com bola. Já foi apontado ao Futebol Clube do Porto e quem sabe não estará aqui o sucessor de Iván Marcano. A Tunísia não fez um Mundial de encher o olho, mas Meriah mostrou ser um jogador bastante sólido e certamente terá a vontade de dar o salto para o futebol europeu.

Miguel Trauco foi um dos totalistas de uma equipa que merecia mais do que a Fase de Grupos. O Perú de Ricardo Gareca, foi uma das agradáveis surpresas da competição e quase todos se evidenciaram no conjunto peruano. A actuar no Flamengo, o lateral não está com vida fácil esta temporada e pouco tem jogado. Na selecção a história já é outra, soma 30 internacionalizações e estreou-se em 2014, pela mão de Pablo Bengoechea.

O pequenino Trauco segue na onda dos laterais modernos do futebol. Bom de bola, rápido, tecnicamente evoluído, boa capacidade de cruzamento e grande apetência para aparecer zonas adiantadas, sendo capaz de fazer todo o corredor. Depois desta primeira descrição, vocês ficam desde já a pensar que para ser tão ofensivo, defensivamente o mesmo dever ser mais fraco, mas isso não se verifica. Apesar de não ser nenhum portento no capítulo defensivo, Trauco é bastante sólido e mostra ser um jogador bastante concentrado. O seu calcanhar de Aquiles está maioritariamente ligado ao jogo aéreo e dado o facto de ser um jogador franzino (68kg), terá também problemas em enfrentar extremos mais físicos e que usem a força como arma. Sendo a posição de lateral esquerdo uma das mais complicadas de colmatar nos plantéis e com a pouca utilização de Trauco no Flamengo, este mundial poderá ter servido para que este consiga dar o salto para a Europa.

 

Moussa Wagué foi um dos jovens a despontar no mundial, apesar do Senegal ter caído na Fase de Grupos, derivado ao critério do Fair Play. O lateral direito assinou ainda um golo frente ao Japão, tornando-se assim o futebolista africano mais jovem a marcar um golo em Mundiais. Wagué actua no Eupen, tendo chegado à formação Belga proveniente do Aspire Qatar. Foi emprestado em 2016/2017 pela formação do Qatar e o Eupen decidiu avançar posteriormente para a sua contratação. Na seleção do Senegal, estreou-se frente à Nigéria em Março de 2017, pela mão do actual seleccionador Aliou Cissé. Desde essa data soma 8 internacionalizações e apontou na Rússia o tal primeiro golo, que para já lhe dá um recorde.

 

O jovem senegalês perfila-se também como um lateral de maior pendor ofensivo, gosta de aparecer em zonas de finalização e tecnicamente é evoluído. Mostra também bastante agilidade, é rápido e tem facilidade em progredir com a bola desde a defesa, conseguindo sozinho desbloquear problemas que possam surgir na 1ª fase de construção. Obviamente ainda é um jogador inexperiente e precisa de trabalhar o seu jogo defensivo. Necessita de corrigir os seus apoios, ter uma melhor perceção de quando atacar a bola ou esperar em contenção. No entanto, creio que isso é tudo corrigível ou pelo menos tem tempo para aperfeiçoar. É um jovem de 19 anos, com uma carreira ainda pela frente e que se perspetiva muito promissora.

 

Abdullah Otayf foi titular nos 3 jogos da Arábia Saudita e apenas não concluiu o primeiro, que terminou em derrota expressiva por 5-0 da equipa árabe. O médio-defensivo já atuou em Portugal no Louletano, tendo posteriormente sido transferido para o Al Hilal, equipa na qual ainda milita. Jorge Jesus vai ser o próximo treinador da formação saudita e Otayf poderá ser orientado pelo exigente técnico português. Pela seleção saudita, o médio soma 19 internacionalizações e apontou já 1 golo.

Otayf demonstra ter um jogo bastante simples e que pode passar despercebido à maioria. Não é um médio muito vistoso do ponto de vista ofensivo, apesar de possuir uma boa qualidade de passe e na tomada de decisão do mesmo (especialmente longo), tendo também um bom controlo de bola, que lhe permitem segurar a mesma em situações de grande pressão. É o equilibrador da equipa e um jogador extremamente importante no processo da transição defensiva, mostrando elevados índices de concentração, um bom posicionamento e uma leitura de jogo invulgar para um jogador que actua na Liga Saudita. Em situações de dificuldade e necessitando a equipa de romper linhas, não devem contar muito com Otayf já que ele não é este tipo de jogador. Fisicamente ainda precisa de melhorar, para se manter consistente durante todo o jogo e apresenta debilidades no confronto físico, bem como jogo aéreo.

Christian Cueva foi outra das figuras do Peru e apesar do excelente futebol que saiu dos seus pés, teve uma falha que quiçá terá custado o apuramento aos peruanos. Na 1ª jornada da Fase de Grupos, faltava pouco tempo para o intervalo e Cueva teve a oportunidade de converter um penalty que daria a vantagem ao Perú, mas o médio atirou para a bancada. O pequeno médio que actua no São Paulo cedeu à pressão, numa altura em que era imprescindível que isso não acontecesse. O pequeno virtuosista é já um dos habituais do Perú, estreou-se em Junho de 2011 e já contabiliza 49 jogos, tendo assinado 8 golos.

Cueva assumiu-se como o principal criativo dos peruanos e olhando para a sua fisionomia, é daqueles casos que não engana. Baixinho e fisicamente mais fraco, é daqueles jogadores que usa a qualidade técnica para compensar a falta de força. É um jogador bastante imprevisível, com uma capacidade de decisão acima da média, segura bem a bola e mesmo em situações de espaços congestionados, faz uso do seu apurado drible curto para sair da zona de pressão. O perfil dele é simples de traçar e os pontos fracos neste tipo de jogador, são quase homogéneos. Fisicamente é débil, não tem capacidade de choque e o jogo aéreo para alguém com 1.69, teria evidentemente de ser fraco. Não é também o tipo de jogador com um perfil agressivo e de bastante entrega ao jogo, tendo lacunas na fase defensiva, seja do posicionamento ou da transição. Christian Cueva evidenciou-se na Rússia e terá o objectivo de dar o salto para a Europa, podendo actuar nos corredores (procurando, no entanto, sempre a zona central) ou em zonas mais centrais do meio campo. No entanto, terá de chegar para uma equipa que queira jogar com bola e que procure o critério em detrimento do jogo mais directo, pois este peruano deverá durar pouco nesse clube, já que tem o seu perfil enquanto jogador bem definido.

 

Ferjani Sassi foi titular nos 3 jogos da Tunísia no Mundial, embora só tenha jogado os 90 minutos no primeiro, onde inclusive assinou um golo de grande penalidade. O médio-centro do conjunto tunisino já teve uma experiência europeia no Metz, embora tenha regressado novamente ao seu país. Esta época acabou por despertar a atenção do Al Nassr, tendo a equipa saudita avançado para a sua contratação, pagando cerca de 2 Milhões ao Espérance de Tunis. Sassi é já um dos habituais da selecção tunisina, estreou-se em Junho de 2013, totalizando 44 internacionalizações e 4 golos.

Sassi é também ele um jogador de processos simples, tem um bom controlo de bola e caso não vislumbre nenhuma opção que lhe pareça interessante, prefere temporizar e guardar a mesma. Consegue sair em progressão apesar de não ser um dos seus pontos fortes, não sendo um jogador muito útil numa transição ofensiva rápida. Aparenta ter alguma agilidade e consegue libertar-se dos oponentes ainda em fases menos adiantadas do terreno com movimentos de corpo. Tem uma boa visão de jogo e faz uso do corpo também em situações defensivas, colocando o mesmo para travar contra-ataques adversários e sair com a bola jogável. Não é particularmente rápido, apesar da altura é vulnerável em duelos aéreo e mostra algumas falhas de concentração durante a partida. A experiência no Metz não correu de feição a Sassi, mas quem sabe a Rússia não servirá para que este volte a reentrar nas Ligas Europeias.

Daniel Arzani foi um dos mais jovens a participar neste Mundial e acabou por ser utilizado em todas as partidas, apesar de ter somado poucos minutos (sensivelmente 60 no total). Nasceu no Irão, mas é a Austrália a seleção que este representa. O jovem extremo actua no Melbourne City e apesar da sua tenra idade, soma já vários minutos pela equipa principal. No que respeita à seleção, Arzani estreou-se apenas no dia 1 de Junho de 2018, mas ainda foi a tempo do Mundial e já com 1 golo na bagagem (1-0 da Austrália frente à Hungria num amigável).

Podendo actuar em ambos as faixas, Arzani destaca-se pela sua qualidade técnica, agilidade e rapidez com que consegue livrar-se do seu opositor. Não é o tipo de extremo que procura a linha nem os cruzamentos, prefere explorar a entrada pelas zonas interiores e focar-se na baliza. Tem um bom controlo em progressão de bola e consegue ser muito rápido neste capítulo. Demonstra já uma perceção interessante do jogo, temporizando em determinados momentos para permitir a chegada do colega ao espaço e soltar a bola nele. Como é óbvio ainda é um jovem e ele próprio deve saber que tem muito para evoluir. Ainda se perde em rodeios com a bola, precisa de melhorar o seu jogo sem bola e como no futebol o complicado é jogar fácil, ele primeiro precisa de aprender a fazer o fácil. Sem sombra de dúvidas que é um grande talento e a A-League é certamente pequena demais para Arzani. Jogou pouco na Rússia e não será certamente o Mundial que o vai catapultar para a ribalta, mas quando entrou já deu para ver aquilo que é o futebol deste menino de 19 anos.

Lee Jae-Seong foi um dos totalistas da Coreia do Sul, equipa que venceu a Alemanha na última jornada da Fase de Grupos e ditou o adeus da Manschaft ao Mundial. Representa o Jeonbuk Motors já à cinco época e tem sido peça chave do actual campeão da Coreia. Pela seleção já era presença habitual nos Sub23 e mantém essa preponderância na equipa A. Estreou-se em Março de 2015 e totaliza 35 internacionalizações e 6 golos.

Jae-Seong actuou pelo meio neste mundial, sendo essa a sua posição de origem. Contudo, o mesmo pode também jogar pelos flancos, procurando, no entanto, sempre a zona central. Não é um jogador que privilegia a força, mas sim a inteligência. Tem uma leitura de jogo muito boa e consegue jogar facilmente ao primeiro toque, sabendo o que fazer imediatamente que a bola lhe chegue aos pés. No capítulo das decisões também tem qualidade, sabe quando soltar a bola e geralmente coloca sempre no homem certo. Destacar também a sua participação no processo defensivo, sendo um jogador bastante prestável. Atuando pelos corredores e em especial do lado direito, deixar que este venha para dentro é um perigo, já que tem a bola controlada no seu pé esquerdo. Não é muito veloz e dificilmente vai tentar resolver os lances forçando em demasia na individualidade, procura acima de tudo ser cerebral e tomar a melhor decisão em função do coletivo. O médio/extremo coreano evidenciou-se a bom nível no Mundial da Rússia e verá com bons olhos uma mudança para o futebol Europeu. Opinião pessoal, Jae-Seong encaixaria na posição “Krovinovic” do Benfica de Rui Vitória.

Mehdi Taremi participou em todas as partidas deste Mundial, tendo apenas falhado os 90 minutos na partida inicial (saiu do banco frente a Marrocos). Depois de várias épocas a bom nível ao serviço do Persepolis, Taremi deu o salto este ano, tendo o Al-Gharafa comprado o seu passe. Pela seleção iraniana, estreou-se em Junho de 2015 e soma 30 partidas, nas quais apontou 11 golos.

Apesar da posição de Taremi ser a de avançado centro, na Rússia ele teve de se deslocar para as alas. Azmoun é uma das principais figuras do Irão e a posição de avançado estava-lhe destinada. Apesar de ser um jogador possante, Taremi não é um avançado estático e daí essa possibilidade em jogar pelos corredores. O avançado tem uma passada largada e não sendo propriamente rápido, consegue cobrir bem a bola em situações de iniciativa pela linha, ganhando faltas que podem ser perigosas. Jogando na sua posição original de avançado centro, destaca-se por ser bastante trabalhador, forte no jogo aéreo e também por se mover para zonas mais distantes da área para atrair marcações e libertar espaços. Tecnicamente não é muito evoluído e não é um avançado muito participativo a construir, preferindo ter bola apenas para finalizar. O Irão jogou com as armas que tinha e Taremi foi uma delas, terá perfil para de 2ª Liga Inglesa, que por sinal já é um campeonato bastante competitivo.

 

Sobre o Autor

Jorge Ferreira

Interessado quer pela vertente de scouting, como da análise táctica. Seguidor assíduo das principais ligas europeias, mas que também acompanha bastante as ligas mais desconhecidas do panorama mundial, em especial a dos balcãs. Ambiciona ir progressivamente tirando os vários cursos de treinador, para futuramente trabalhar nessa profissão. Tem como ídolos Jorge Sampaoli, Pep Guardiola e Maurizio Sarri.

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