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[:pt]¡ Hola España ! – As ideias de Luis Enrique[:]

[:pt]Após o ‘caso Lopetegui’ e, consequentemente, um Mundial desastroso, a contratação de Luis Enrique espelha por completo a ambição da Federação Espanhola em voltar aos tempos de domínio que lhe permitiu ser Campeã da Europa e do Mundo. Apesar de as equipas espanholas com grande hegemonia no panorama europeu, são já seis os anos sem títulos para La Roja. Foram duas vitórias em dois jogos, contra Inglaterra e Croácia, que replicam desde já alguns dos processos com mão do novo selecionador.

A tática utilizada é o 4x3x3 e parece ter muita escola do Barcelona, contudo, foram seis os titulares merengues na última partida, algo que Luis Enrique desvalorizou. O trio da frente parece mais competente e natural com Isco, Rodrigo e Asensio, do que propriamente com Aspas. Isto deve-se ao facto de Aspas e Rodrigo terem ambos rotinas mecanizadas na posição 9 e não propriamente nas alas. Ceballos deixa a sua marca na consistência que dá tanto a nível defensivo como ofensivo, num ano que também pode ser de afirmação no Real Madrid. Marcos Alonso é outra das caras novas, que deverá começar a ser aposta regular do selecionador. Ficam abaixo as primeiras impressões da Espanha de Luis Enrique.

 

Tempo, tempo e tempo

 

Tempo é a palavra de ordem na nova Espanha. Rotação, linhas de passe constantes, posse em todo o campo, laterais em largura e profundidade, extremos por dentro e passes em profundidade nas costas da defesa contrária são alguns dos princípios identificados.

Os jogadores encontram-se em constante deambulação para procurar dar linha de passe, chamando assim os adversários para zonas mais adiantadas do terreno, que lhes permite ganhar espaço entre linhas. Sempre que é efetuado com sucesso, o jogador mais adiantado do terreno (no caso, Aspas ou Rodrigo) recua para receber do médio que está de frente para o jogo para de imediato colocar na velocidade de um elemento junto à linha. No primeiro momento de construção há uma projeção imediata dos laterais para o centro do terreno, enquanto que o tridente do meio campo apoia o lado onde circula a bola, oferecendo sempre linha de passe. Do lado contrário estará sempre o extremo, pronto para uma possível variação de flanco. Assim que chegam ao último terço com os habituais desequilíbrios criados, surgem constantes passes de rutura, nomeadamente entre o central e o lateral. Este sistema de jogo permite que sejam os médios ou os laterais a aparecerem em situações de finalização, visto que os extremos procuram muitas vezes zonas interiores para atrair os defesas adversários. De realçar a meia distância dos espanhóis, nomeadamente dos pés da estrela da companhia: Marco Asensio.

 

Provocar erros e pressão alta

 

A seleção espanhola é uma equipa que defende com um bloco muito subido, pressionando no meio campo adversário grande parte das vezes com mais de 5 jogadores. Sempre que a bola é atrasada para o guarda redes adversário, um dos homens da frente de ataque pressiona a sua saída de bola, enquanto que os restantes membros do meio campo e da frente de ataque estão já a cortar linhas de passe, obrigando o GR a bater a bola ou a jogar em dificuldade.

Quando em determinados momentos do jogo este tipo de pressão não é exercido, a equipa recua todos os seus jogadores para o meio campo defensivo com a exceção de um, que fica ligeiramente adiantado em relação aos demais para potenciar o contra ataque apoiado. As bolas cruzadas para as costas dos centrais revelaram-se um ‘blind spot’ para corrigirem, visto que em diversas ocasiões permitiram situações de verdadeiro perigo para a baliza do seu guardião.

https://streamable.com/644zt

 

https://streamable.com/qc5a3

 

Bolas paradas  – A favor

Os livres que têm a seu favor contam sempre com duas opções para os executar, sejam eles laterais ou em zona frontal. Os primeiros (indiretos) são batidos para a grande área, sendo que dois ou três jogadores se posicionam fora para atacar uma segunda bola; enquanto que os especialistas em livres diretos têm sempre ordem para atirar na baliza (quase sempre Asensio, ele que assume a esmagadora maioria das bolas paradas). Nos cantos, sejam eles batidos diretos ou com o apoio de um segundo jogador, a bola é sempre cruzada para a linha da pequena área.

 

https://streamable.com/883×9

 

Bolas paradas  – Contra

O facto de não contarem com jogadores de estatura muito elevada, nem possantes fisicamente levou o selecionador espanhol a estudar alternativas que permitissem à equipa evitar esses indesejados duelos aéreos. Nos livres em que a bola é bombeada na área, os jogadores espanhóis subiam no terreno posicionando-se em linha na zona da meia lua, para tentar provocar uma situação de fora de jogo. Nos cantos recuam todos os elementos para a sua grande área.

https://streamable.com/qkkom

 

Apontamentos táticos

 

O golo sofrido contra a Inglaterra demonstra talvez a sua maior fraqueza. A pressão alta exercida pelos espanhóis (ao estilo ‘blaugrana’) imposta por Luis Enrique é extremamente eficaz do ponto de vista defensivo, porque obriga o adversário a bater a bola na frente ou a errar no passe curto, condicionando a sua construção organizada. No entanto, este tipo de abordagem tática abre um espaço muito grande entre o meio campo espanhol e a sua linha defensiva que possibilita a saída em contra-ataque com superioridade numérica.

Apesar de ter sido prevista uma luta acesa com Kepa, guarda-redes mais caro do Mundo e titular no Chelsea, De Gea segue de forma imponente o seu caminho na baliza da Roja e continua a dar uma enorme segurança entre os postes, tendo apontado um punhado de defesas vistosas no decorrer dos dois jogos. De realçar apenas alguns percalços ao nível do passe, tendo em conta que perante pressão alta, bate diversas vezes a bola fora ou entrega aos adversários.

À atenção de Portugal, nota muito positiva para a renovada seleção de ‘nuestros hermanos’ que a continuar assim será o principal candidato à conquista do próximo Euro.[:]