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O Barcelona foi humilhado publicamente e a derrota frente ao Bayern vai ficar para a história, 8-2 nos quartos de final da Liga dos Campeões… tinham de “rolar cabeças”, e neste momento importa saber se a maior figura não vai abandonar o barco.

A primeira vítima foi Quique Setién. Para o seu lugar chegou Ronald Koeman, o treinador holandês que com um livre direto deu o primeiro troféu da mais importante prova europeia à equipa catalã. A mesma onde acabaram de ser humilhados.

Com um percurso discreto a nível de equipas, destacou-se mais recentemente ao serviço da Holanda. O país ficou arredado das últimas provas internacionais (Euro 2016 e Mundial 2018), mas desde que assumiu o cargo, o técnico garantiu a presença no Euro 2020 e foi a uma final da Liga da Nações.

E o que pode trazer Koeman ao Barcelona?

Sem pensar no jogo, o treinador é uma figura respeitada no clube. A sua presença em balneário vai ser diferente da dos seus dois antecessores. Aliás, Valverde e Setién partilhavam terem sido bem-sucedidos em equipas médias de Espanha, mas nenhum deles tinha experiência, nem como jogador nem como treinador, na alta roda do futebol europeu.

Em campo, Koeman pode trazer o ADN Barcelona, conceito celebrizado por Johan Cruyff e mais recentemente por Pep Guardiola. Não que o seu estilo de jogo seja igual, mas os pontos chave estão lá.

  • Circulação de bola com passes curtos na primeira fase de construção através da criação de linhas de passe próximas
  • Paciência na construção e criação de jogo (Fases III e II do ataque)
  • Boa utilização dos três corredores no ataque (procura da superioridade numérica)
  • Aproveitamento superior do espaço entre linhas no último terço do terreno
  • Reação rápida à perda e condicionamento do portador da bola

O holandês vai alternando de sistema entre o 3x4x3 e o 4x3x3. No Barcelona (e depende da revolução no plantel) é crível que utilize o segundo sistema, mais habitual no clube. Com uma grande diferença: nos três homens do meio campo, dois funcionam como duplo pivot, podendo-se abrir espaço para o aproveitamento simultâneo de Frenkie de Jong e Busquets, algo que não aconteceu esta temporada.

1.1Primeira fase de construção e a importância do duplo Pivot

Nos vídeos apresentados, retirados de jogos da Holanda frente a Portugal e Alemanha, é notório que na primeira fase de construção, um dos médios defensivos recua até aos centrais para pedir a bola.

 O outro coloca-se (por norma) de frente para a sua defesa, para servir de apoio frontal e dar uma linha de passe que pretende queimar a primeira linha defensiva adversária. O curioso no sistema de Koeman é não estar definido qual dos médios recua, cabendo aos dois a função de vir buscar jogo e de dar apoio frontal, consoante o momento do jogo.

Nos vídeos fica patente a mobilidade de de Roon e de de Jong, que em jogadas diferentes, vão cada um buscar a bola, tentando receber sempre a orientá-la para a baliza adversária. Importante também a ação de Wijnaldum que, como terceiro médio, está responsável de apoiar o corredor contrário.

1.2 O espaço entre linhas no último terço

Outra marca bem vincada de Ronald Koeman é a exploração do espaço entre a linha média e a linha defensiva dos adversários.

Wijnaldum procura muitas vezes este movimento, mas mesmo os avançados o fazem bastante. Na Holanda concretamente, Depay e Promes são muito mais perigosos de frente para a baliza adversária. A procura desse espaço promove mais situações em que recebem de frente, do que se encostarem nos centrais adversários.

A ocupação desta zona tem o objetivo de retirar o ponto de referência (principalmente aos centrais), e fazê-los cair no erro de acompanhar o avançado, abrindo espaço nas suas costas.

No Barcelona, Messi e Griezmann são muito fortes a procurar este espaço, e essa pode ser uma vantagem para o Barcelona.

1.3 Reação à perda de bola e encurtamento dos espaços

A Holanda tinha essa característica, vamos ver se o Barcelona consegue aplicá-la. Muito amorfa a defender com Setién, pode estar aqui uma chave para o sucesso blaugrana.

 Assim que perdiam a bola, os holandeses colocavam sempre um jogador em aproximação ao portador obrigando-o a virar os apoios para a sua própria baliza.

Nessa altura, o objetivo era obrigá-lo a recuar o maior número de metros possível, levando-o a jogar para trás, como fica patente no vídeo. No último clip fica ainda demonstrada a importância que de Jong pode ganhar nesta equipa do Barcelona a nível de pressing e qualidade na circulação.

Apresentamos aqui ainda alguns reforços que podiam ser interessantes, na linha do que foi observado de Koeman, e das necessidades do Barcelona:

Upamecano- O defesa central dá garantias físicas e de qualidade na circulação. É rápido (sempre importante para um Barcelona que por vezes se desequilibra), e queima linhas defensivas tanto com passes como em condução de bola.

Bernardo Silva- Muito se tem falado em Donny van de Beek, mas Bernardo parece-me ideal para ocupar a posição de terceiro médio de Koeman. Tem a capacidade de passe que se pede a um 10, e a capacidade de luta de um 6, não por ser um monstro fisicamente, mas por conseguir estar 90 minutos a fazer pressão sobre os adversários.

Aouar- O Lyon vai ter dificuldade em segurar o médio centro, e se os valores adiantados (35M) forem próximos da realidade, não é um jogador impeditivo para a realidade do clube catalão. Forte em jogo apoiado mas também em condução de bola, o jovem francês podia fazer parte da operação operada por Ronald Koeman.

Lautaro Martínez- A capacidade do argentino de jogar entre linhas pode ser vista com bons olhos por Koeman, que gosta deste estilo de avançados móveis rápidos, que atuam sem serem uma referência para os defesas, encarando o jogo de frente.