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O clássico do nulo

Terminado o Clássico ficamos com uma certeza: os “jogos grandes” em Portugal são muito mal jogados.

Keizer apresentou, exceto nos primeiros 15 minutos, um Sporting CP com a linha defensiva mais recuada comparativamente àquilo que os leões veem a fazer desde que o holandês assumiu o comando da equipa. Tal acabou por influenciar os acontecimentos do jogo.

O Sporting CP dominou o primeiro terço da primeira parte, embora sem grande lucidez na saída para o ataque. As tentativas de penetrar a defensiva portista resumiam-se aos desequilíbrios individuais de Diaby (sem grande sucesso, diga-se) e bolas longas no avançado, Bas Dost. Bas Dost foi, aliás, a referência do jogo leonino e prova disso são as ações de Renan: o guarda redes do Sporting CP recorreu ao passe longo inúmeras vezes na tentativa de chegar ao avançado holandês (em 8 das suas 6 ações com bola, Renan apostou em colocá-la em Bas Dost).

O Sporting foi recuando cada vez mais no terreno e o FC Porto, em ataque posicional, tentou assumir as rédeas do jogo. A entrada de Oliver no lugar do lesionado Maxi acabou por não trazer o efeito desejado. O espanhol é o médio mais criativo dos dragões e, com a sua entrada, Corona passou a lateral direito, de forma a aproveitar todo o corredor e as conhecidas debilidade defensivas de Jefferson. Ora, nem só Oliver não conseguiu criar jogo interior como Corona também não conseguiu desequilibrar ofensivamente, exceto naquele que foi o melhor lance do FC Porto, em que o mexicano serviu Soares, mas este não finalizou da melhor maneira.

A forma como Keizer colocou a sua equipa em organização ofensiva acabou por anular aquele que é um dos pontos fortes da equipa do FC Porto, a profundidade. Neste sentido, é de referir que Mathieu esteve em bom plano, não deixando que Moussa Marega aproveitasse o espaço nas costas, naqueles que são os seus movimentos preferidos.

Fica a sensação (e de resto o próprio Sérgio Conceição admitiu-o) de que a estratégia de Keizer para este encontro passava por não perder. Daí jogar num bloco baixo e tentar, através de bolas longas para Bas Dost, criar algum perigo. Ora, tal não resultou, pois o holandês não foi capaz de reter para si grande parte das bolas que lhe chegavam. Nem mesmo o facto de Bruno Fernandes ter jogado muito próximo do avançado contribuiu para que o momento de organização ofensiva do Sporting fosse minimamente eficaz. O FC Porto, por sua vez, deveria ter sido mais incisivo na organização defensiva e aproveitar os corredores laterais – o “calcanhar de Aquiles” do Sporting – para causar mossa.

A partida acabou, ainda, por ser marcada por um número assustador de faltas (42). Além deste fator, também a rapidez com que os jogadores queriam executar os processos contribuiu para que o jogo fosse pouco fluído. Assim que recuperavam a bola, tanto Sporting como FC Porto, revelavam muitas dificuldades em mantê-la na sua posse.