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Análise ao derby minhoto

Sporting Clube de Braga e Vitória Sport Clube disputaram no passado Sábado o Derby do Minho e não nos pareceria justo não realizar uma análise acerca deste jogo com tanta história e tradição no nosso futebol!

Os Arsenalistas levaram a melhor sobre o seu rival, numa vitória suada por 1-0.

As novidades no 11 Bracarense

O treinador Abel Ferreira decidiu apresentar novidades nos titulares, com a inclusão de Palhinha ao lado de Claudemir no centro do meio campo e Fransérgio como médio mais ofensivo, muitas vezes aproximando-se do Ponta de Lança Dyego Sousa. Estas alterações verificadas no meio campo do 4º classificado da Liga NOS pretendiam com uma dupla de médios mais defensiva, contrariar sobretudo as diagonais e movimentos interiores dos extremos do Vitória Davidson e Tozé, bem como o transporte de bola dos médios André André e Mattheus nas transições.

A Importância de Fransérgio

Para nós ProScout, Fransérgio foi o homem do jogo, não só pelo que jogou (que foi bastante) mas pelo que trouxe ao jogo e dinâmica da equipa. Colocado numa posição híbrida no terreno, muitas vezes atuando como médio mais ofensivo, noutras aparecendo numa dupla de avançados junto de Dyego Sousa, permitiu que a equipa fosse mais objectiva a procurar a finalização com um elemento portador de um bom e fácil remate média / longa distância. Ainda conseguiu ser o elo de ligação do meio campo – ataque através do seu transporte de bola e quando foi necessário, fechou defensivamente o meio campo com a presença de 3 médios.

Vimaranenses fiéis a si próprios

Já a equipa de Luís Castro não fez grandes alterações na sua equipa inicial, somente a inclusão de Welthon devido à lesão de Guedes.

Procurou sobretudo, ser fiel aos seus princípios de jogo, já bem identificados pela ProScout numa análise que realizou ao seu plantel ainda recentemente. Pressão média e mais de contenção, procurando sobretudo manter um certo rigor e organização defensiva, com dois médios centrais mais de transporte de bola que garantem qualidade no processo defensivo, mas que no último terço do terreno não conseguem dar a criatividade e último passe que a equipa necessita. Os extremos Davidson e Tozé a procurar movimentos e desmarcações mais pelo corredor central.

Os pormenores do jogo

Taticamente um jogo muito bem disputado, com duas equipas a revelarem conhecer-se ao pormenor, ou não estivéssemos nós perante dois dos melhores treinadores desta edição da Liga NOS.

O Sp. Braga fazendo jus ao estatuto da equipa da casa, cedo procurou ter a iniciativa de jogo com uma pressão alta e agressiva, mas dando sempre algum espaços atrás para os contra-ataques, sobretudo pelos médios adversários a conseguirem sair com algum a vontade em transporte de bola em velocidade e assim ligarem o seu jogo defesa-ataque…

Contudo, os vitorianos ao longo de todo o jogo sentiram imensas dificuldades em entrar em zonas de finalização (só conseguiam criar perigo através de bolas paradas) e para tal muito contribuiu o anular do jogo interior aos seus extremos, sendo os principais culpados: Palhinha e Claudemir.

Com as movimentações tanto de Ricardo Horta (médio direito sempre a ocupar posições mais centrais), como de Fransérgio nas costas do atacante, conseguiram criar superioridade numérica 2×1 com o médio defensivo Wakaso, conseguindo intranquilizar as marcações adversárias. O golo do jogo surge mesmo desses movimentos, com o médio ofensivo brasileiro no espaço entre linhas a rematar fora da área e com Horta a conseguir finalizar na recarga à defesa do guardião Miguel Silva.

Os números do jogo

As estatísticas valem o que valem, mas neste jogo em concreto dizem-nos imenso. Os 50% de posse de bola para ambas as equipas demonstram o equilíbrio vivido na 1ª parte, bem como os 5 remates à baliza (3 deles enquadrados) dos da casa, perante os 4 remates (apenas 1 deles enquadrado e a grande parte originados de bola parada) dos forasteiros, demonstram a maior eficácia do Braga.

O golo que alterou a estratégia

Após o golo marcado, os arsenalistas alterariam por completo a sua estratégia de jogo, revelando uma inteligente leitura por parte do seu jovem técnico. Recuaram linhas, deram a iniciativa de jogo ao seu eterno rival, não concedendo mais espaços para saídas rápidas em transições defesa – ataque, algo que até lá vinha sendo uma constante, para além de obter um maior rigor e organização defensiva com linhas bem juntas e compactas, e assim conseguiram ter o controlo do jogo.

Permitiram ao adversário ter a bola, mas nunca o domínio / controlo do jogo!

Todas estas alterações movidas pelo oponente, forçaram mesmo o treinador Luís Castro a ter de recorrer ao banco de suplentes com as entradas, primeiro de Rochinha e mais tarde de João Carlos Teixeira para tentar contrariar a falta de jogo interior e capacidade de último passe da sua equipa, mas sem efeito dado à grande organização do processo defensivo dos Guerreiros do Minho.

Tal como referiu Abel Ferreira após o jogo, a sua equipa conseguiu jogar de diferentes maneiras / dinâmicas sempre a se adaptar ao que o jogo/adversário lhe exigia:

  • Inicialmente assumindo o jogo num 4-4-2 / 4-4-1-1 com linhas subidas e em pressão agressiva sobre o portador da bola;
  • Na reta final com Fransérgio a juntar-se cada vez mais aos médios centrais (e menos ao atacante) formando um trio à frente da linha defensiva;
  • Já nos últimos minutos de jogo com o recuar de Palhinha para uma linha de 5 defesas para garantir o controlo da linha defensiva em largura e ter mais homens na área para garantir não haver falhas de marcação;