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Após uma época de sucesso ao serviço do Athletico Paranaense que culminou com a conquista da Copa do Brasil 2019, Tiago Nunes aceitou abraçar o projeto do Corinthians.

Pela frente, o técnico tem a missão de construir um plantel à sua imagem, num dos históricos clubes brasileiros.

Desengane-se quem pensa que será um desafio simples! Pelo contrário, a época ainda agora se iniciou e já foi alvo de alguma contestação, devido a resultados menos conseguidos no campeonato Paulista contra equipas de escalões inferiores, competição que serve de antecâmara à principal prova do país, o Brasileirão.

No entanto, o jovem treinador brasileiro de 40 anos, já provou ser capaz de montar equipas extremamente competitivas, organizadas do ponto de vista tático, alicerçadas num modelo de jogo com ideias claras e com um futebol positivo.

Fonte site zerozero.pt

Sistemas táticos adotados

Plano A: 4-2-3-1
Plano B: 4-4-2

Analisando os dois sistemas táticos apresentados, observamos que o treinador canarinho vive ainda com algumas dúvidas, não só quanto à constituição dos jogadores da equipa base titular, bem como ao que sistema tático diz respeito.

Nos vários jogos observados, definimos que a ideia será montar o time num 4-2-3-1, mas verificamos que o 4-4-2 apresentado, por exemplo, no sempre exigente jogo no Morumbi com o São Paulo, torna a equipa mas perigosa, imprevisível e com mais soluções ofensivas.

Depois, existem posições com titulares absolutos, casos de: Cássio, Fagner, Gil, Pedro Henriques, Cantillo, Camacho e Boselli.

Nas restantes posições, não só não existe um jogador titular, como há algumas situações de indefinição claras, especialmente ao que aos extremos diz respeito: na esquerda tanto joga Yoni ou Everaldo ou até Matheus Vital (médio ofensivo centro de raiz). Na direita, tanto pode jogar Janderson, Pedrinho ou mesmo Luan (também ele médio ofensivo centro) ou Vagner Love (avançado centro).

Luan numa posição híbrida poderá ser a peça chave no Xadrez de Tiago Nunes: Num 4-4-2 e evidenciando estar perfeitamente adaptado ao lado direito do meio campo, realiza sempre movimentações para o corredor central e consegue ocupar dois corredores em simultâneo, sem qualquer tipo de problema. Além do mais, o lateral direito ofensivo Fagner garante a largura e profundidade necessárias.

Através desta solução, o técnico consegue ainda, mexer no sistema tático no decorrer da partida e de acordo com o que o jogo esteja a necessitar (alterando a qualquer altura para o 4-2-3-1), sem ter necessariamente de gastar uma substituição (basta recolocar Luan a médio ofensivo centro e um dos avançados no corredor lateral).

Sistema tático 4-4-2

Embora o 4-2-3-1 seja o sistema tático que o técnico sente ser o melhor para a execução do seu modelo de jogo, foi nos jogos em que o timão evoluiu num 4-4-2 que a equipa conseguiu apresentar um futebol mais ligado e empolgante.

Em 4-4-2, o Corinthians consegue através das movimentações e combinações entre os seus atacantes, desorganizar marcações adversárias e ter mais jogo interior vertical, tornando-se assim mais imprevisível ofensivamente.

Luan, mesmo a desempenhar o papel de médio direito, aparece sempre em movimentos pelo corredor central, quer seja para participar no começar a construir jogo desde trás, quer no último terço para tentar a execução do último passe.

Defensivamente, esta posição híbrida de Luan é importante para o equilibrar do meio campo com a presença de três jogadores, sobretudo contra equipas como o caso do São Paulo (jogam em 4-3-3).

No entanto, o adversário pode atrair ataques pelo corredor esquerdo para depois ganhar a superioridade numérica pelo corredor central (3×2), aproveitando-se de uma basculação defensiva demasiado larga!



Organização defensiva

Analisando o processo defensivo do time do Corinthians tendo agora como base o seu sistema tático mais utilizado 4-2-3-1, podemos desde logo apontar:

  • A pouca agressividade no pressing ao portador da bola, o que permite aos adversários ter tempo/espaço para pensar/executar sem grande oposição;
  • Pressão Alta mas sem agressividade sobre o portador, aliada a uma linha defensiva baixa no terreno tentando proteger a profundidade nas costas dos centrais (essencialmente do lento Gil), origina demasiado espaço entre linhas;
  • O central do lado esquerdo Gil, não realiza as coberturas defensivas adequadas ao seu lateral esquerdo, deixando-o algumas vezes exposto a situações de 1×1 contra adversários.
  • Já no lado oposto, assistimos que Pedro Henrique já faz as coberturas necessárias ao lateral Fagner, dobrando-o assim que necessário

Organização Ofensiva

Ainda numa análise ao 4-2-3-1, vendo-o como o esquema tático principal, identificamos que o técnico brasileiro incutiu no clube, a ideia de manutenção da posse e circulação de bola curta logo desde trás.

No entanto, fruto de contar ainda com pouco tempo de trabalho e de se estar numa fase tão precoce da temporada, contabilizam-se alguns passes falhados, bem como uma circulação algo lenta.

Na 1ª fase de construção de jogo desde trás, saem essencialmente através dos dois centrais. Todavia, verificando a dificuldade de ambos neste momento (sobretudo de Gil), os dois médios Cantillo e Camacho aproximam-se para assumir esta fase e dar critério.

Apesar de privilegiar claramente saídas de jogo curto, o modelo também contempla princípios de saídas longas através do seu guarda redes, principalmente frente a oponentes que pressionam alto e de forma agressiva.

Equipa no momento ofensivo e no último terço do terreno, procura muito o jogo exterior, devido essencialmente:

  • 2 médios centro mais de apoio, quase sempre posicionados a par, nenhum deles assumindo-se como um transportador ou criador de jogo mais ofensivo, fornecendo linhas de passe quase sempre mais recuadas
  • De realçar a importância dos médios centro Camacho, mas sobretudo de Cantillo, na variação direta dos corredores de jogo através do passe longo!
  • A extrema verticalidade, técnica e grande capacidade de cruzamento dos laterais à disposição do plantel (Fagner, Piton, Sidcley)
  • Desta forma, os princípios de jogo entregam as faixas laterais quase em exclusivo ao lateral para tirar cruzamentos para a área, onde geralmente aparecem inúmeros jogadores (3/4 jogadores) para finalizar: 1 ou 2 Avançado(s) ou Médio ofensivo centro + 2 extremos)

Contudo, e como o colocar de muita gente em zonas de finalização não é sinónimo de marcar golos, sente-se que esta equipa do Timão peca imenso no momento de finalizar as jogadas com sucesso

Jogadores chave

Capitão de equipa, internacional pelo Brasil, bastante experiente, contando com passagem europeia pelos holandeses do PSV Eindhoven.

Imponente sob o ponto de vista físico (1,95 m e 92 kg), impondo respeito, é o patrão da defesa da equipa sediada na cidade de São Paulo.

Presença regular nas convocatórias da seleção canarinha, aos 30 anos de idade consegue ser outro dos esteios da defesa corinthiana.

Lateral extremamente ofensivo e com boa capacidade técnica, capaz de sozinho, fazer todo o corredor direito com grande qualidade.

Importantíssimo tanto no processo ofensivo como defensivo da equipa.

Recém contratado ao Grémio por 5 milhões de euros, é um dos indiscutíveis para a nova equipa técnica.

Como já analisamos numa perspectiva mais tática, consegue desempenhar várias funções no decorrer do jogo, alterando a forma como o time se apresenta em campo.

Aliado a tudo isto, demonstra ter boa visão de jogo passe, qualidade no último passe, isto fora todos os outros atributos técnicos que são bastantes.