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Olympiakos regressa ao trono com Pedro Martins

O Olympiakos, depois de um domínio avassalador na Liga Grega, que desde o final dos anos 90 levou à conquista de 19 títulos em 23 possíveis, perdeu fulgor nas duas últimas épocas permitindo que AEK e PAOK vencessem o campeonato. Em 2018, após ter falhado a conquista do hepta, Pedro Martins assumiu o comando técnico da equipa, tendo melhorado a classificação do ano anterior, conquistando o 2.º lugar que lhe permitiu o acesso às eliminatórias da Champions League.

Na presente temporada reconquistou o campeonato de forma avassaladora, tendo atualmente uma vantagem de 22 pontos para os 2.º’s classificados PAOK e AEK e estando ainda em competição da Liga Europa, para a qual foi repescado depois do 3.º lugar na fase de grupos da Champions League.

Onze Base

Pelas palavras de Pedro Martins, na presente temporada houve menos preocupação de rotatividade no onze base, que apresentamos abaixo. As principais alterações foram a do capitão Fortounis, que esteve mais de metade da temporada a recuperar de uma rotura nos ligamentos, o veterano Papadoulos, que se constitui como alternativa no eixo defensivo e Soudani, até à lesão que contraiu em janeiro de 2020. O português Podence iniciou a temporada com elevada preponderância, mas em janeiro foi transferido para o Wolves.

Organização Defensiva

O campeão grego revela-se muito forte em organização defensiva, tal como os números demonstram, com 12 golos sofridos em 31 jogos do Campeonato grego. Na fase defensiva estrutura-se preferencialmente em 4-4-2 quando se encontra em bloco alto ou médio alto, assumindo uma estrutura mais próxima do 4-2-3-1 quando assume posições defensivas em zonas mais baixas, posicionando ainda o extremo do lado da bola praticamente em linha com o duplo pivot.

Os princípios em organização defensiva por parte do Olympiakos estão muito bem definidos e assimilados pelos seus jogadores, tendo como principal objetivo fechar o corredor central e encaminhar o adversário para zonas de pressão no corredor lateral que quando identificadas servem como sinal para uma pressão coletiva nessa zona, criando situações de igualdade e até superioridade numérica. 

Impedir construção

Quando o adversário está na sua fase de construção, o Olympiakos assume um posicionamento em bloco alto, com o objetivo de pressionar e recuperar a bola ainda no setor ofensivo, com o ponta de lança El Arabi a “fechar” por dentro depois da bola entrar num defesa central adversário, e o médio ofensivo Mady Camara nas suas costas preparado para condicionar o outro defesa central. Os extremos posicionam-se por dentro a fechar o passe interior. Quando a bola entra no lateral, a equipa encurta e assume o momento de pressão, com objetivo de recuperar a posse de bola nesse momento. Nesta fase, é também muito importante o papel do duplo pivot (Guilherme e Bouchalakis), muito fortes na aproximação aos médios adversários, impedindo-os de ser opção.

Quando o adversário tem capacidade para variar o centro de jogo, o extremo do lado oposto procura identificar a possibilidade de pressão pelo lado cego ao defensa central, mantendo a equipa em zonas mais altas, ou se o adversário passa a uma situação vantajosa recua no terreno e assume um posicionamento em bloco médio.

Quando o adversário assume uma construção clara a 3, o Olympiakos assume logo nesta fase um posicionamento de 4-2-3-1 com os extremos mais próximos dos defesas centrais adversários, condicionando por fora, encaminhando para o corredor central onde os médios da equipa grega procuram pressionar para recuperar, não permitindo que os adversários se orientem.

Impedir criação

Quando a equipa grega assume um posicionamento defensivo no seu meio campo, estrutura-se em 4-2-3-1, com os extremos “fechados” a impedir que o adversário consiga progredir pelo corredor central, salienta-se mais uma vez o papel do duplo pivot, muito forte na pressão e no encurtamento ao portador da bola, tendo ainda como missão a dobra aos defesas laterais caso estes sejam ultrapassados, mantendo os defesas centrais mais no corredor central. O objetivo nesta fase é semelhante ao 1.º momento defensivo: encaminhar a bola para o corredor lateral para assumir um momento de pressão coletiva. Com a bola no corredor lateral, o extremo desse lado baixa e alinha com os médios Guilherme e Bouchalakis, ficando Mady com a tarefa de impedir a variação de corredor pelos adversários em cobertura. A capacidade defensiva de Mady permite-lhe permutar facilmente com os médios defensivos sem se perder organização.

O ponta de lança El Arabi e o extremo do lado oposto procuram manter-se em zonas mais ofensivas preparando a transição ofensiva, na qual Mady tem elevada importância, sendo o elemento de ligação preferencial.

Transição Ofensiva

A capacidade da equipa grega em organização defensiva, tanto em zonas mais altas como em zonas mais próximas da sua baliza, aliada à capacidade coletiva de accionar os momentos e zonas de pressão, permitem-lhe recuperar a posse de bola com a transição ofensiva preparada.

Após a recuperação de posse de bola o Olympiakos tem como movimento preferencial a exploração do espaço nas costas do adversário. Como já vimos, a recuperação de posse de bola acontece muitas vezes nas zonas de pressão definidas, corredor lateral, no qual estão posicionados o extremo, um dos médios, Mady, em zona mais alta e o ponta de lança a dar profundidade, mas descaído para o lado da bola. Esta aglomeração de jogadores com posicionamentos distintos permite à equipa ter várias opções de saída no mesmo corredor.

Assim, ou sai da zona de pressão com o extremo a conduzir em em progressão, atraindo os adversários e permitindo que os seu colegas explorem a largura em situação vantajosa (extremo do lado oposto), ou através de ligação com Mady que tem facilidade em se orientar e explorar a largura no corredor oposto ou a profundidade no mesmo corredor. O Olympiakos tem muita facilidade em colocar 4 jogadores em zonas de finalização e os médios perto da área preparados para a perda.

O guarda-redes José Sá é um elemento importante neste momento do jogo, pois quando recupera a bola, lança rápidos contra ataques com passes tanto com a mão como com o pé.

Organização Ofensiva

Em posse de bola a equipa do Olympiakos parte de uma estrutura de 4-2-3-1, com dinâmicas que lhe permitem colocar muitos jogadores no setor ofensivo, com 2 jogadores em máxima largura, normalmente os defesas laterais, os médios centro com muita participação no processo ofensivo, tanto em combinações no corredor central como em largura (Mady é fulcral na ligação) e com os extremos a demonstrar grande capacidade para jogar por dentro e progredir em condução.

Fase de Construção

Na primeira fase de construção os dois defesas laterais, Elabdellaoui e Tsimikas, projetam-se rapidamente no terreno, dando profundidade e largura à equipa, mantendo os 2 defesas centrais a construir em posições mais baixas. Os médios centro Guilherme e Bouchalakis têm muita importância nesta etapa, com um posicionamento muitas vezes em largura, ao lado dos defesas centrais, participando no jogo de frente para o setor ofensivo. Mady tem uma grande capacidade de ligar os setores, com capacidade tanto para baixar para junto dos centrais, como principalmente para explorar o espaço nas costas da linha média adversária, quando atraída por Guilherme e Bouchalakis.

El Arabi mantém-se no corredor central e procura dar profundidade à equipa, sendo os extremos Valbuena e Masouras que se movimentam mais entre jogo interior e exterior, sendo que normalmente do lado da bola procura mais vezes jogar por dentro e do lado contrário mais “aberto”.

Como alternativa ou quando o adversário a isso obriga, os defesas laterais poderão ficar mais baixos numa fase inicial e apenas subirem quando um médio centro baixa para construção a 3.

Fase de Criação

Na etapa de criação, o Olympiakos procura ter 5 jogadores na sua linha mais ofensiva, normalmente os defesas laterais a dar largura, os dois extremos por dentro e El Arabi no corredor central, Mady é um jogador preponderante neste momento, tanto a receber entre linhas, como nas associações nos corredores laterais com os extremos e defesas laterais. Guilherme e Bouchalakis, estão normalmente posicionados em cobertura, garantindo tanto facilidade em variar o centro de jogo como em reagir à perda de posse de bola num primeiro momento.

O campeão grego demonstra capacidade para manter a posse de bola no setor ofensivo, progredindo tanto em associações no mesmo corredor (com os médios e Mady a aproximarem do corredor, criando situações de igualdade e até superioridade numérica) como atraindo num corredor para explorar depois a largura dada pelo lateral do lado oposto (em alternativa o extremo), dado que está sempre com largura máxima no setor ofensivo.

Coloca com elevada facilidade 3 jogadores em zona de finalização, El Arabi, Mady e um dos extremos. Guilherme e Bouchalakis estão sempre posicionados e prontos para reagir às segundas bolas.

Transição Defensiva

O equilíbrio defensivo do campeão grego é garantido principalmente pelo duplo pivot, que têm como tarefa reagir numa primeira fase à perda de posse de bola, ficando os centrais Ruben Semedo e Ba em zonas mais baixas, com especial preocupação em controlar a profundidade em caso de transição defensiva.

O facto da equipa do Olympiakos ter como princípio a projeção dos dois laterais em simultâneo, tem como consequência um possível desequilíbrio no momento da perda de posse de bola, mas que é compensado tanto com a capacidade dos médios em reagir à perda e atrasar a progressão do adversário, como com a sua perceção de ocupação de espaços para preparação da perda.

O elevado compromisso de todos os jogadores na recuperação defensiva e aproximação ao portador após a contenção dos médios e controlo da profundidade dos defesas centrais permite que apesar dos riscos assumidos em organização ofensiva, a equipa se reagrupe rapidamente nas suas zonas defensivas e seja eficaz neste momento.

Cantos Defensivos

A equipa grega defende os pontapés de canto com todos os seus jogadores, posicionando 7 jogadores em defesa zona na pequena área em “L”, posicionando ainda um jogador na entrada da área e 2 a bloquear o movimento vertical dos adversários, no ataque à bola.

Este posicionamento, aliado aos jogadores fortes em jogo aéreo, permite que a equipa seja competente na zona próxima da baliza, mas cria algumas fragilidades como: a zona de entrada da área e as situações de cantos curtos, nos quais quando o adversário opta por essa situação, o Olympiakos coloca apenas 1 jogador próximo dos marcadores.

Quando a equipa adversária marca os cantos com curvatura externa o posicionamento base mantém-se, existindo apenas um ajuste para fora. Verifica-se ainda que em algumas situações o Olympiakos faz ajustes no posicionamento dos 3 jogadores fora da zona, ajustando-se ao posicionamento dos adversários.

Cantos Ofensivos

Nos cantos ofensivos o campeão grego tem como preferência colocar a bola na zona próxima da baliza, explorando a capacidade e poder no jogo aéreo de Ruben Semedo, O. Ba, El Arabi ou Mady. Quando posiciona um jogador perto do guarda-redes ou no 1.º poste, este normalmente sai dessa zona em aproximação ao marcador para combinação curta ou apenas para desorganizar o adversário.

O posicionamento dos jogadores que atacam a bola varia entre a saída de 4 jogadores em linha (para dificultar as marcações individuais) ou duas linhas 3+2, em que 3 jogadores mais próximos da pequena área desorientam a defesa adversária. Ruben Semedo e O. Ba atacam vindos de trás.

Cantos Ofensivos

Pontos Fortes (a condicionar)

  • Organização defensiva muito forte, com capacidade para recuperar a bola muitas vezes no setor ofensivo e transitar imediatamente para finalização;
  • Controlo da profundidade em organização e transição defensiva;
  • Papel dos médios centro na etapa de construção, tanto no corredor central como na linha dos defesas, explorando ligações com Mady nas costas dos médios atraídos por este movimento;
  • Capacidade de variar centro de jogo e explorar situações no lado contrário após atrair o adversário ao corredor da bola.

Pontos Fracos (a explorar)

  • Transição defensiva, principalmente nos corredores laterais, explorando a projeção simultânea dos defesas laterais;
  • Corredor contrário em organização defensiva, decorrente da aproximação de muitos jogadores às zonas de pressão no corredor lateral;
  • Cantos defensivos nas zonas fora da pequena área, ou através de cantos curtos e combinações.