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¿Qué dices, Pep?

Numa entrevista repleta de conteúdo concedida ao canal espanhol GOL, Pep Guardiola referiu a existência de “espaços muito difíceis de defender” e pelos quais as suas equipas gostam de atacar, independentemente dos sistemas apresentados pelos adversários.

Tentando descodificar o tema, e uma vez que Pep preferiu não revelar quais são e qual a melhor forma de os explorar, decidimos reunir alguns conteúdos que chegaram ao público durante os vários anos de carreira do treinador Espanhol. Estes, aliados aos vários jogos que assistimos ao longo do tempo, poderão ajudar a responder à pergunta: quais são esses espaços?

Ninguém melhor que o próprio Pep Guardiola para poder levantar a ponta do véu e elucidar o leitor sobre estes “espaços”.

Pep Guardiola em “All or Nothing” fala acerca do seu modelo de jogo

No vídeo anterior podemos perceber alguns princípios e subprincípios inerentes à ideia de jogo de Pep Guardiola e ao modelo que implantou após a sua chegada a Manchester.

Podemos perceber que a posse que o treinador valoriza, não é o famoso “tikitaka”, uma posse pela posse que não tem qualquer intenção de ser vertical. Pelo contrário, ele afirma que os jogadores devem passar a bola com uma intenção – a de fazer saltar a pressão adversária – para que, no momento seguinte, possam explorar o espaço nas suas costas.

Também explica outro subprincípio para quando a equipa adversária “espera” e não pressiona, que se traduz no primeiro princípio do ataque – a progressão. Nestes casos, e quando o jogador se encontre sozinho, deve progredir com bola de forma a obrigar os adversários a encurtarem e saírem na pressão, altura em que poderá fixar e decidir (passar, fintar, rematar, etc).

Quando consegue fazer “saltar a pressão adversária, Guardiola aponta no quadro onde está “o espaço”! A equipa “passa passa” – entenda-se atrai o adversário – para depois poder explorar o espaço no corredor contrário. Aí estão dois jogadores, que necessitam estar em espera, sem participar ativamente no jogo: o extremo encostado à linha lateral, e o médio interior, posicionado atrás dos médios adversários (entre-linhas).

Xavi Hernandez e Thierry Henry referiram a importância que Guardiola dá à existência de jogadores que percebam que não participando de forma ativa no jogo (em certa altura), “aguentando a posição”, vão permitir a criação de espaços vantajosos para a equipa, e que eles próprios vão poder explorar e ser decisivos uma vez que os colegas lhes fizerem chegar a bola.

Ainda no Bayern, Guardiola deu uma “aula tática”, numa situação de treino, em que explicava aos seus jogadores o posicionamento que pretendia para eles:

Pep Guardiola – Operacionalização do modelo

Com este vídeo, podemos ver uma vez mais os conceitos que temos vindo a descrever sobre a ideia de jogo do treinador catalão. Num exercício onde a dominante tática está claramente sobreposta a qualquer outra, Guardiola salienta aos seus jogadores que poderão explorar este tipo de posicionamento todos os jogos.

Aborda também importantes conceitos do ataque posicional. Refere que os jogadores não devem ter “pressa” para chegar aos jogadores entre linhas (maior risco de intercepção). Devem atrair o adversário para um corredor, criar situações de igualdade numérica e fazer quatro ou cinco passes (“é como um rondo!” – afirma). Com o adversário atraído, devem “olhar” para os pivot’s, sair da pressão por trás e aí sim, explorar o homem entre linhas (“É isto que quero!” – refere).

O jogador entre linhas não deve estar à frente dos médios adversários, pois assim permite-lhes que tenham “o controlo”. Deve colocar-se nas costas destes, receber perfilado (de lado e com o pé mais próximo da baliza) para ter as condições ideais para atacar a linha defensiva adversária, seja através de condução ou dos movimentos de rotura dos seus colegas.

Estes conceitos foram explorados por todas as equipas que Guardiola treinou até agora de forma muito eficaz.

2008 – 2020 Ideias comuns

Obviamente que os adversários tentam controlar estes espaços a qualquer equipa, e ainda mais a uma equipa de Guardiola. Contudo, e como ele próprio refere, se optarem por proteger demasiado este espaço, poderá criar-se espaço na largura, pelo que a bola poderá entrar no extremo (que está a dar largura máxima junto à lateral). Este subprincípio estava bem patente no Bayern de 2015 com Douglas Costa como extremo.

Ao mesmo tempo, as permutas posicionais permitem confundir o adversário. Tanto Messi como Aguero souberam sempre “ler” estes espaços, e aparecerem eles próprios como os jogadores que baixam e ligam o jogo ofensivo.

Xavi Hernandez referiu que para ele o Futebol é espaço e tempo. E para nós, estes são os espaços que Pep Guardiola privilegia.