Raio X Táctico: AEK Atenas

Raio X Táctico: AEK Atenas

Com o início da 2ª jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões, eis mais uma partida para o Benfica de Rui Vitória.

Após um mau começo com uma derrota, ainda que expectável, frente ao Bayern Munique, surge uma excelente oportunidade para obter a primeira vitória nesta edição da prova milionária.

O AEK Atenas iniciou a competição com uma derrota fora de portas (3-0) frente ao Ajax. A nível interno, o atual campeão grego sofreu há pouco mais de uma semana a primeira derrota da época, em casa do PAOK, equipa que o Benfica eliminou já esta temporada. O AEK é neste momento 3º classificado da Liga Grega, a 1 ponto do líder PAOK e, ainda assim, é o melhor ataque da prova com 10 golos marcados em 5 jogos.

Face àquilo que tem sido a equipa base ao longo deste início de época e tendo em conta as baixas por castigo de dois habituais titulares (Hélder Lopes e Marko Livaja), é este o 11 provável para o jogo com o Benfica:

 

ORGANIZAÇÃO OFENSIVA

O AEK Atenas organiza-se em 4-2-3-1, sendo que o médio ofensivo Klonaridis muitas vezes encontra-se lado a lado com o ponta de lança Ezequiel Ponce. No seu meio campo defensivo, a construção de jogo é muito pouco elaborada, muito devido à dificuldade na saída curta revelada pelo seu setor defensivo. Sendo assim, geralmente optam por sair longo através do GR ou dos defesas centrais. Pontualmente, quando um dos médios centro (Galanopoulos ou André Simões) baixa para assumir a construção, conseguem ter uma saída com mais qualidade.

Chegando ao meio campo ofensivo, revela ser uma equipa com armas muito perigosas para o Benfica. Para além dos médios centro terem qualidade na ligação de jogo, os jogadores mais ofensivos, nomeadamente, Bakasetas, Mantalos e Ponce, demonstram uma grande capacidade de desequilíbrio e todos com uma interessante capacidade de ameaçar a baliza adversária através de remates exteriores. Procuram geralmente entrar nas costas da linha média adversária pelo corredor central, de forma a enquadrar de frente para a linha defensiva e, deste modo, rematar ou fazer o último passe para os movimentos de ataque à profundidade dos colegas.

Também os laterais têm uma clara propensão ofensiva, envolvendo-se geralmente por fora para cruzar.

 

 

TRANSIÇÃO DEFENSIVA

Uma vez que envolvem muitos jogadores no processo ofensivo, quando perdem bola, encontram-se muitas vezes desequilibrados, acabando por expôr os jogadores mais recuados (que não são rápidos) à obrigatoriedade de fazer falta.

 

ORGANIZAÇÃO DEFENSIVA

No primeiro momento de pressão à construção adversária, organizam-se em 4-4-2 clássico, num bloco médio-alto pressionante. Dada a teórica superioridade da equipa do Benfica, é provável que sejam um pouco mais cautelosos.

Os médios centro são facilmente atraídos pela marcação aos médios adversários, criando por muitas vezes espaço à frente da sua linha defensiva. Em zonas mais recuadas, o segundo avançado Klonaridis baixa para perto dos médios centro para ajudar a proteger o corredor central, no entanto, não o faz sempre, o que acaba por desorganizar a estrutura defensiva da equipa.

Revelam uma clara dificuldade para dar cobertura aos laterais, sendo obrigados por diversas vezes a encarar situações de 1 vs 1 com os extremos adversários.

 

 

TRANSIÇÃO OFENSIVA

À semelhança da construção de jogo a partir de zonas mais recuadas, a transição ofensiva do AEK é pouco elaborada. Mal recuperam bola, procuram logo o PL, Ezequiel Ponce, para este segurar bola e permitir à equipa subir no terreno.

 

BOLAS PARADAS

O AEK, apesar de não ter uma equipa, em termos médios, especialmente alta, possui jogadores fortes e agressivos no jogo aéreo, o que os torna capazes de ser competentes nestes momentos do jogo.

Defensivamente, efetuam uma defesa mista e todos os jogadores baixam para a área.

Ofensivamente, procuram quase sempre bater os livres para a área, mesmo de zonas ainda muito recuadas. Nos cantos, colocam um jogador para o canto curto para procurar criar situações de 2 vs 1 para cruzar.

 

O AEK Atenas é, portanto, uma equipa claramente ao alcance do Benfica, ainda para mais devido às baixas de Hélder Lopes e Marko Livaja. Face às dificuldades defensivas da equipa grega, e tendo em conta a qualidade e criatividade dos jogadores da equipa portuguesa, é bem provável que sejam criadas muitas situações de finalização. Ainda assim, será importante perceber se o Benfica será ou não capaz de, sem bola, proteger o corredor central, uma vez que o AEK tem jogadores nas zonas mais avançadas com capacidade para desequilibrar o jogo a qualquer momento.

Sobre o Autor

Diogo Silva

23 anos. Jogou futebol federado dos 11 aos 20 anos, tendo então iniciado como treinador numa academia (5 aos 9 anos). Passou pelos juniores do SC Salgueiros como treinador adjunto. Atualmente, é treinador adjunto dos seniores do AC Milheirós (AFPorto) e observador dos sub19 do SC Beira-Mar.

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