Raio X Táctico: Arsenal

Raio X Táctico: Arsenal

Na 3ª jornada da Liga Europa, surge perante o Sporting aquele que é, muito provavelmente, o principal candidato a vencer o grupo E: Arsenal.

Sporting e Arsenal, após venceram as duas primeiras jornadas, encontram-se empatados com 6 pontos à entrada para esta ronda, sendo que a equipa inglesa está no 1º lugar do grupo, devido à diferença de golos (7-2), em relação ao Sporting (4-1).

A nível interno, os Gunners tiveram um início complicado, perdendo as primeiras duas jornadas da Premier League frente aos candidatos Manchester City e Chelsea. Daí para cá, encontram-se num excelente momento, contando com 10 vitórias consecutivas, contabilizando todas as competições. Desta forma, estão apenas a 2 pontos da liderança do campeonato e claramente a querer regressar à luta pelos títulos.

O técnico Unai Emery tem promovido algumas alterações na equipa inicial ao longo dos últimos jogos. Ainda assim, dada a importância deste encontro para assumir a liderança do grupo, o 11 escolhido pelo treinador espanhol deverá ser o seguinte:

 

ORGANIZAÇÃO OFENSIVA

Em termos de estrutura, o Arsenal organiza-se num 4-4-2 / 4-2-3-1. Esta variância deve-se à inclusão de Ozil na dupla atacante, posicionando-se mais por trás do avançado (4-2-3-1). Quando Emery opta por dois avançados de raíz, apesar de estes alternarem entre movimentos em apoio e na profundidade, não há declaradamente um que jogue mais recuado (4-4-2).

Constroem curto a partir de trás, posicionando os laterais bem abertos, para tentar abrir a equipa adversária e entrar pelos espaços que se abrem no corredor central. Torreira e Xhaka são fundamentais nesta fase, procurando receber bola próximo dos centrais para assumirem a construção de jogo.

São também capazes de sair de forma mais longa, procurando os avançados ora para pentear para a entrada dos médios-ala na profundidade, ora para amortecer para os mesmos em cobertura.

Os quatro jogadores mais avançados apresentam uma grande mobilidade e grande capacidade de ligação e aceleração quando a 1ª fase de pressão do adversário é superada. Devido a estas características, tornam-se muito fortes em ataque rápido, surgindo muitas situações de 4vs5 e 4vs4.

No último terço, procuram sobretudo combinações pelos corredores laterais, através das relações Lateral-Médio Ala-Médio Ofensivo/Ponta de Lança, colocando posteriormente muitos jogadores na área para finalizar. Neste momento, os médios Xhaka e Torreira dão equilíbrio, preparando uma possível perda de bola.

 

 

TRANSIÇÃO DEFENSIVA

Após perda de bola no meio campo ofensivo, são muito rápidos e agressivos a fechar os espaços próximos do centro de jogo, condicionando o adversário a jogar para trás. Dado o posicionamento e características dos dois médios mais recuados, torna-se difícil a transição rápida pelo corredor central. No entanto, uma vez que os laterais se envolvem bastante no último terço, existe geralmente espaço para transitar pelos corredores laterais.

 

 

 

ORGANIZAÇÃO DEFENSIVA

Apresentam-se, maioritariamente, num bloco médio-alto. Ainda assim, têm uma grande capacidade para variar a altura do bloco, mantendo-se sempre organizados e fortes na pressão. Posicionam-se em 4-4-2, com as linhas muito próximas. São uma equipa muito solidária, colaborando também os avançados quando se encontram no meio campo defensivo. Sentem-se claramente confortáveis em baixar o bloco, dada a capacidade que têm de criar perigo em contra ataque. Em caso de vantagem no marcador, tornam-se portanto uma equipa muito difícil de superar.

 

 

TRANSIÇÃO OFENSIVA

Este é, provavelmente, o momento do jogo em que a equipa londrina pode criar mais dificuldades aos leões.

Dada a velocidade e capacidade de condução e decisão dos jogadores mais avançados, o Arsenal torna-se mortífero quando recupera bola em zonas recuadas.

 

 

BOLAS PARADAS 

Ao nível dos cantos defensivos, optam por uma defesa mista, sendo que os 3 jogadores que marcam individualmente têm uma atitude muito agressiva, procurando a todo o custo condicionar o adversário. Não colocam nenhum jogador nos postes, subindo rapidamente a linha de fora de jogo após passe recuado/corte. Todos os jogadores baixam para a área mas, após recuperação de bola, rapidamente se desdobram para sair em transição.

Em relação aos livres defensivos, optam por subir a linha de fora de jogo, baixando posteriormente para controlar a profundidade. No entanto, revelam alguma descoordenação neste comportamento, expondo Leno a situações perante os jogadores atacantes.

Já nos cantos ofensivos, para além de um jogador próximo para o canto curto, posicionam 4 jogadores na área para atacar no jogo aéreo e um jogador que ataca a zona do 1º poste para a possibilidade de receber após canto curto. Deixam 2 jogadores à entrada da área (que podem ser também solução no canto curto) e 1 no meio campo.

Em relação aos livres ofensivos, optam geralmente por sair curto. Ainda assim, têm jogadores com capacidade para ameaçar o Sporting no jogo aéreo.

 

 

 

O SPORTING DEVE …

  • Baixar o bloco para impedir que Mkhitaryan, Ozil, Iwobi e Lacazette tenham espaço para acelerar o jogo, quando superada a linha média do Sporting.
  • Garantir sempre cobertura aos laterais, dadas as frequentes combinações para entrar pelos corredores.
  • Preparar o momento de perda de bola, condicionando de perto os pontos de saída para a transição do Arsenal e, se necessário, fazer falta.

Sobre o Autor

Diogo Silva

23 anos. Jogou futebol federado dos 11 aos 20 anos, tendo então iniciado como treinador numa academia (5 aos 9 anos). Passou pelos juniores do SC Salgueiros como treinador adjunto. Atualmente, é treinador adjunto dos seniores do AC Milheirós (AFPorto) e observador dos sub19 do SC Beira-Mar.

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