Raio X Táctico: Galatasaray

Raio X Táctico: Galatasaray

O FC Porto recebe esta quarta-feira o 1º classificado do campeonato da Turquia, Galatasaray. A equipa orientada pelo experiente Fatih Terim venceu a liga na época passada com 75 pontos, mais 3 que o Fenerbahce. Depois de uma vitória caseira por 3-0 em casa frente ao Lokomotiv de Moscovo, os turcos deslocam-se ao Porto para defrontar os azuis e brancos que empataram a uma bola em casa do Schalke 04.

Tendo em conta o contexto actual do conjunto turco, o 11 provável que Fatih Terim irá apresentar no Estádio do Dragão é:

Muslera – Guarda-redes muito experiente e com excelente capacidade técnica, o que lhe permite ser um dos principais construtores de jogo do Galatasaray. Demonstra algumas dificuldades a nível de comunicação e saídas no jogo aéreo.

Mariano – Defesa direito com grande propensão ofensiva. Cria perigo com os seus cruzamentos para a área. É muito agressivo com bola mas tem dificuldades a recuperar posição quando perder a posse de bola.

Maicon – Central forte e agressivo mas não muito rápido. Apresenta boa capacidade de intercepção, jogo aéreo e marcação.

Serdar Aziz – Central sólido com grande número de passes certos. Muito eficiente a defender a sua zona dentro da área, demonstrando bom posicionamento e capacidade no jogo aéreo.

Nagatomo – Lateral esquerdo que consegue reagir rapidamente quando perde a bola através de uma pressão alta e também pela sua capacidade de desarme. Joga muito bem em antecipação. É um jogador perigoso no ataque, com boa capacidade de passe. Não é um jogador preponderante nos lances de bola parada pela sua estatura.

Fernando – Médio defensivo muito experiente. É capaz de antecipar as jogadas e somar muitas intercepçoes durante as partidas. É um jogador de equipa que tem uma grande eficácia de passes.

Donk – Médio de contenção com função mais defensiva. Devido às suas características físicas ganha muitos duelos. É um jogador que gosta de assumir a construção de jogo e partir em dribles mas tem dificuldade no capítulo do passe.

Garry Rodrigues  – Um dos jogadores mais dinâmicos da equipa. Pode jogar como extremo nos dois corredores. Pela sua velocidade e técnica é um jogador difícil de marcar. Consegue recuperar bem a posição defensivamente. Por vezes abusa nos dribles e acaba por perder a bola.

Belhanda – Um dos jogadores mais perigosos para os adversários. Muito eficiente em ataque continuado e contra-ataques. É capaz de levar a bola em velocidade, para driblar os adversários ou realizar passes para os colegas. Principal marcador de bolas paradas da equipa.

Feghouli – Extremo direito com grande qualidade. Gosta de conduzir e passar mas também arrisca muito com movimentos interiores e dribles fruto da sua qualidade técnica. Compreende bem os momentos de jogo mas por vezes acaba por desaparecer dos encontros, não sendo muito regular nas suas acções.

Derdiyok – Ponta de lança muito forte fisicamente com grande capacidade de jogo aéreo. Pode ser muito perigoso nos lances de bola parada. Consegue manter a bola mas tem dificuldades em alguns aspectos técnicos o que faz com que não seja tão eficaz no último terço.

 

Organização Defensiva

O emblema turco tem dominado nos jogos em casa com 4 vitórias e 12 golos marcados (3 desses golos foram contra o Lokomotiv na 1ª jornada da Liga dos Campeões) mas é fora de portas que demonstra todas as dificuldades que apresenta no processo defensivo. Perdeu recentemente por 4-0 em casa do Trabzonspor e por 3-0 contra o Akhisar.

A equipa alinha num 4x2x3x1 e o experiente treinador turco deve procurar apresentar uma equipa coesa defensivamente para depois explorar as transições rápidas. A expulsão de Badou Ndiaye na ronda inagural abre espaço à entrada de Donk no onze titular, ao lado do ex-portista Fernando.

O Galatasaray posiciona-se com um bloco médio na tentativa de recuperar a posse de bola no meio-campo adversário e partir para as transições rápidas. Na imagem vemos um bloco mais recuado numa altura em que venciam o Lokomotiv por 1-0 na 2ª parte.

Existe alguma indefinição no momento de pressão e se o FC Porto conseguir ultrapassar a pressão inicial consegue facilmente encontrar espaços para entrar no bloco adversário, seja pelo corredor central onde demonstram dificuldades mas também nas costas da defesa, principalmente dos dois laterais.

Os dois centrais denotam muitas dificuldades na definição da linha defensiva e a nível de apoios, permitindo várias vezes que os avançados contrários apareçam em zonas de finalização depois de um passe em profundidade. Outro aspecto a realçar é o espaço entre linhas que existe muitas vezes entre o sector defensivo e intermédio com os dois médios de contenção a explorarem espaços em comum e a convidarem os adversários a jogarem pela zona central.

Transição Defensiva

Fruto das capacidades ofensivas dos dois laterais (Nagatomo e Mariano) a equipa consegue projectar-se com muita facilidade no ataque. Procuram rapidamente atacar a baliza contrária de forma vertical o que consequentemente abre espaços atrás para serem explorados.

A equipa demora a reagir no momento da perda de bola e fá-lo de forma individual, ou seja, há jogadores que procuram recuperar posição e outros que pressionam logo, descurando a organização defensiva.

O posicionamento ofensivo e a projecção que os dois laterais oferecem fazem com que o colectivo fique demasiado exposto às transições ofensivas dos adversários. A linha defensiva sobe no terreno mas sente dificuldades quando a bola entra rapidamente nas costas da defesa à procura de um movimento vertical ou diagonal dos avançados contrários.

Os dois médios de contenção compensam e tentam equilibrar a equipa neste momento mas ainda assim sentem dificuldades para cobrirem as subidas dos dois laterais, não ocupando os espaços em toda a largura. Os extremos têm uma boa noção do espaço que precisam de ocupar mas por vezes demoram a reagir, principalmente do lado direito já que na esquerda Garry costuma cumprir.

Organização Ofensiva

No decorrer do jogo é possível ver as várias dinâmicas que a equipa apresenta do ponto de vista ofensivo. A imagem em cima num ângulo superior permite constatar o 4x2x3x1 com os dois laterais projectados e já a procurarem o meio-campo adversário, os extremos por dentro e o médio ofensivo no apoio ao ponta de lança.

Na fase de construção, o Galatasaray promove uma circulação rápida com o guarda-redes Muslera ou os dois centrais (Maicon e Aziz) a explorarem a velocidade e qualidade técnica dos dois laterais e extremos.

Os dois médios centro também podem baixar e assumir o jogo mas a ideia presente é comum a todos os jogadores. Explorarem os corredores centrais de forma vertical. Um estilo ofensivo simples, rápido e vertiginoso.

Do ponto de vista ofensivo existem algumas dúvidas. Belhanda não foi opção nos últimos jogos no campeonato turco devido a um castigo da Federação Turca mas pode recuperar a titularidade frente ao FC Porto. Um dos jogadores mais criativos e irreverentes.

No corredor direito a opção mais habitual tem sido Emre Akbaba mas a lesão grave que sofreu vai afastá-lo dos relvados até Janeiro. Para o seu lugar existem algumas opções interessantes como Henry Onyekuru, Sinan Gomus e Feghouli. O nigeriano Onyekuru pode ser a escolha para a vaga deixada por Akbaba devido à sua velocidade e capacidade de explorar as transições ofensivas mas por outro lado Feghouli jogou a titular no último jogo do campeonato e pela sua experiência pode ser uma peça importante no jogo desta quarta-feira.

Uma coisa é certa, independentemente dos jogadores escolhidos, o clube turco apresenta sempre extremos rápidos e evoluídos tecnicamente que procuram servir Derdiyok que recuperou a tempo de uma lesão e é opção frente à equipa de Sérgio Conceição. O avançado do Galatasaray é muito forte fisicamente e funciona como referência ofensiva com os turcos a promoverem jogo aéreo e duelos onde ganha vantagem facilmente. Muitas vezes o próprio Muslera procura um estilo mais directo com Derdiyok a recuar no terreno para ganhar a posse e fazer com que a equipa suba.

Um dos princípios visíveis no processo ofensivo é a forma como os extremos trabalham o espaço para os laterais explorarem. Garry Rodrigues é um dos jogadores mais desequilibradores da equipa. Deambula muito entre posições mas como movimento padrão procura muito as zonas interiores, o que abre espaço a Nagatomo para subir no terreno. No lado direito existem mais combinações directas entre o lateral Mariano e o extremo para ganharem posição para cruzarem para a referência ofensiva ou de forma atrasada para a entrada da grande área.

Transição Ofensiva

Pelo estilo de jogo dos turcos mais simples e vertical, a equipa não perde tempo em procurar a baliza adversária. Os laterais rapidamente se projectam na frente e os extremos também oferecem apoio para saírem em transições rápidas.

Belhanda também gosta de assumir protagonismo nesta fase e progredir com bola controlada para depois soltar nos colegas, criando situações de finalização. Muita atenção à velocidade de Garry Rodrigues e à forma como se esconde do jogo para depois aparecer de repente a explorar as costas do lateral direito.

Bolas Paradas

Defensivamente, o Galatasaray apresenta algumas dificuldades nos lances de bola parada, nomeadamente em cantos e livres laterais. Optam por uma marcação mista mas deixam muito espaço na zona do 1º poste e os laterais Nagatomo e Mariano não são fortes no jogo aéreo. Um dos pontos a explorar é a dificuldade de Muslera sair a cruzamentos.

 

Do ponto de vista ofensivo é preciso seguir com atenção os movimentos de Derdiyok e Maicon no ataque ao primeiro poste. Belhanda costuma ser o marcador de bolas paradas e explora muito a entrada destes dois jogadores nesta zona da pequena área.

Outro aspecto importante de realçar são os livres frontais de Derdiyok que resultou num dos golos do Galatasaray frente ao Lokomotiv.

 

Sobre o Autor

Francisco Gomes da Silva

Nasceu pouco tempo antes do Verão Quente de 1993 e hoje com 25 anos é licenciado em Economia e apaixonado por Futebol. Um campo, uma bola e 22 jogadores, uma paixão que despertou bem cedo na sua vida. Jogou até aos 19 anos, seguindo-se passagens como treinador-adjunto no Grupo Desportivo Alcochetense, colaborador da Revista Futebolista e outros sites. É observador no Departamento de Prospeção do Benfica desde 2012.

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