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Raio X Táctico: Liverpool FC

O FC Porto defronta o Liverpool FC nos quartos-de-final da Liga dos Campeões 2018/2019. Dois clubes que prometem deixar tudo em campo para um lugar entre as 4 melhores equipas da Europa. A equipa de Sérgio Conceição procura corrigir o resultado do ano passado mas por outro lado o conjunto orientado por Jürgen Klopp pretende regressar à final e desta vez vencer. Dois jogos de emoção máxima e grande qualidade.

Organização Ofensiva

1-4-3-3 Clássico

Na fase de construção, pilares assentes na procura de um jogo combinativo e curto assegurando-se que o posicionamento em largura e profundidade proporcione, essencialmente, ligação em zonas interiores. Priorizam a saída curta mesmo sob pressão, quer através dos centrais ou laterais (variabilidade em função do número de jogadores na 1ª linha de pressão adversária). Mais concretamente, frente ao Tottenham que dispunha de 3 jogadores ofensivos a fazer marcação ao Van Dijk DCE 4, Matip DCD 32 e Henderson MDEF 14 naquilo que era a reposição de bola em jogo pelo GR através do pontapé de baliza, o Liverpool realizou a sua saída de bola com o Alisson GR 1 a procurar constantemente os laterais (Arnold LD 66 e Robertson LE 26). Por outro lado, na partida da 2ªmão da última eliminatória da UEFA Champions League, assistimos à 1ªlinha de pressão do Bayern mais baixa, o que permitia uma saída limpa pelos centrais, preferencialmente, pelo Van Dijk DCE 4.

Alisson 1 GR com muito critério quer no passe curto quer no passe longo, com foco bem definido em procurar o homem livre e, portanto, pode haver uma alternância entre aquilo que é sair a jogar desde trás ou jogar longo para uma referência livre da equipa. Contudo, a preferência passa pela saída curta.

Henderson MDEF 14, com um papel muito ativo neste momento visto que pela linha de passe curta que oferece pelo centro do terreno consegue atrair muitas marcação e atenção dos jogadores da 1ª linha de pressão adversária. Bem visível pela pressão que lhe surge nas costas Wijnaldum MID 5 e Milner MIE 7 posicionam-se neste momento com base no conceito de “campo grande” dispõe-se em largura e apoio frontal com os centrais. É fundamental, perceber que estes posicionamentos fazem com que haja uma atração dos jogadores da 2ªlinha de pressão adversária que de imediato vai proporcionar espaços dentro do bloco defensivo do oponente, mais especificamente, entre o setor médio e defensivo. Pontualmente, baixam para pegar no jogo (contra-movimento com o lateral) , proporcionando-se assim uma saída a 3 com os centrais – neste momento – Henderson MDEF 14 continua a movimentar-se nas costas da 1ªlinha de pressão para oferecer linha de passe entrelinhas.

O aparecimento da dupla de interiores em apoio frontal, nunca perdendo a noção de largura, abre espaço entre linhas para que Firmino PL 9 apareça como quarto médio (posição nº10) e sirva de ponte entre fase de construção e criação, tentando criar um losango para dar condições de progressão á posse em conjunto com os 3 médios, o ataque à profundidade neste momento é feito pelos extremos em zonas interiores, essencialmente, no espaço central-lateral.

O processo ofensivo do Liverpool contempla numa 1ª fase uma posse mais combinativa e curta, para culminar numa progressão mais verticalizada da bola com envolvendo agressivos ataques à profundidade por parte dos homens mais adiantados.

Após o ataque à profundidade se o adversário se mantiver equilibrado, entram ataque posicional no meio campo ofensivo. As relações posicionais entre extremo, interior e lateral permitem a criação de triângulos nos corredores laterais, conseguindo assim atrair adversário e por diversas vezes criar superioridade numérica. A deambulação dos jogadores para fora daquilo que é a sua posição origem deve-se ao facto de o posicionamento no meio campo adversário tenha que ser elaborado independentemente do jogador, ou seja, as posições estão definidas e necessitam de estar preenchidas partindo do princípio que a equipa a nível defensivo esta equilibrada, qualquer elemento do setor médio e avançado pode ocupar essas zonas.

Este ataque posicional é caracterizado pela oferta ao portador da bola de soluções no espaço com constantes movimentos de rutura simultaneamente a movimentações que criam linhas de passe curtas o que facilita aquilo que é a manutenção da posse de bola e a decisão do portador que dispõe de uma variabilidade de soluções para dar seguimento ao ataque à baliza adversária.

Contramovimentos constantes com Firmino PL a procurar espaço entre linhas, criando mais uma vez espaço para extremos (e por vezes interiores) explorarem.

Numa 3ªetapa, destacar a preocupação evidente em manter pelos menos dois jogadores em vigilância à entrada da área para eventuais segundas bolas após cruzamento e a colocação de vários jogadores dentro da área no momento de finalização, desde os extremos aos médios interiores. Não faz sentido falar destas dinâmicas todas em organização ofensiva sem destacar a qualidade individual do trio mais ofensivo e utilizado no plantel do Liverpool, mas é neste momento que mais se destaca a capacidade técnico-tática de Salah ED 11, Mané EE 10 e Firmino PL 9 com pormenores que os tornam dos trios mais eficazes do mundo e que certamente vão fazer diferença na resolução da eliminatória.

Em suma, destacar a:

  • Caracterização por uma grande variedade de métodos de jogo, equipa capaz de alternar entre um futebol mais posicional e uma posse mais vertical com grande critério nos momentos de ataque á profundidade.
  • Grande mobilidade no momento ofensivo, com contramovimentos constantes, soluções no espaço e apoio. Relação de equilíbrio e desequilíbrio interessante nas movimentações dos jogadores, o preenchimento dos espaços é fundamental, mas os interpretes não.
  • Capacidade de Firmino PL 9 a procurar espaços entre linhas e a provocar arrastamentos para a entrada dos colegas é o jogador chave na fase ofensiva da equipa.

Transição Defensiva

O momento de perda de bola ocorre maioritariamente em duas situações:

a) Passagem da Fase de Construção para fase de Criação caracterizada pela mudança de um ataque mais combinativo através do passe curto para uma posse mais verticalizada, com entrada da bola nas referências entre linhas, onde a equipa está maioritariamente atrás da linha da bola, organizada e com a profundidade salvaguardada.

b) Em ataque posicional no meio campo ofensivo adversário, onde consegue pelo facto de atacar em bloco coeso, conseguem estar perto da zona ativa da bola quando a perdem. Este momento é caracterizado por uma forte reação, com um comportamento de pressão/contenção agressivo de uma primeira linha de homens e de um controlo da profundidade/soluções em apoio por parte da linha mais recuada que joga sempre em antecipação.

Nos momentos seguintes à perda de bola, caso o adversário consiga retirar bola da zona de pressão proporcionando qualquer tipo de desequilíbrio à equipa do Liverpool, é fundamental perceber a forma como reage a linha defensiva – o papel dos laterais passa por fechar o corredor central e direcionar a transição adversária para os corredores laterais. Os centrais para além da clara intenção em proteger lado baliza, vão retirando profundidade aguardando uma rápida resposta do setor médio para não deixar o adversário progredir no terreno com bola descoberta.

Organização Defensiva

Equipa estruturada num 1-4-1-2-3, apresentando um bloco médio-alto no bloqueio da fase de construção adversária. Apresentam uma primeira linha de pressão com um papel fundamental no condicionamento do jogo do adversário que é composta pelos três homens do setor mais ofensivo Firmino PL 9, Mané ED 10 e Salah EE 11.

Firmino 9 é responsável por evitar a progressão e entrada da bola pelo corredor central; direciona posse de bola adversária para corredores laterais através do corte de linha de passe entre central-central; passe para GR é indicador de pressão. Salah EE 11 e Mané ED 10 responsáveis por ocupar espaço entre central-lateral, dividindo o espaço entre estes de forma a conseguirem encurtar com sucesso a entrada da bola nos mesmos e responsáveis por pressionar lado cego dos centrais aquando de uma variação de centro de jogo através de passe entre central-central.

A segunda linha de pressão é composta pela dupla de médios interiores, Milner MIE 7 e Wijnaldum MID 5 que, assumem a responsabilidade de pressionar referências interiores de ligação para fase de criação adversária.

Apresentam-se com uma linha defensiva bem subida (linha do meio campo), para desencorajar jogo interior por parte do adversário e sempre prontos para ganhar profundidade, espaço que convidam para jogar. Henderson MDef 14 controla espaço entre 2ª e 3ª linha defensiva.

O claro objetivo deste início de processo defensivo, a partir do pontapé de baliza adversário, é provocar a opção pelo jogo longo, retirando soluções interiores e direcionando a posse do adversário para o guarda-redes. Ao provocar entrada da bola na fase de criação adversária pelo ar, promovem situações de fragilidade de posse de bola constantes.

O papel dos elementos de linha defensiva Robertson DE 26, Virgul DCE 4, Matip DCD 32, Arnold DD 66 é fundamental no que toca a ganho de duelos aéreos (Dupla de centrais com facilidade tremenda) e conquista da profundidade. A definição rápida do jogador que disputa primeira bola e as coberturas defensivas dos colegas de setor na conquista de segundas bolas na profundidade é relevante. Trio do meio campo Milner MIE 7, Wijnaldum MID 5 e Henderson 14, responsáveis por disputar segundas bolas que sobram para a frente da linha defensiva.

No momento da entrada da bola nos corredores laterais pelo ar (costas dos extremos que ocupam espaço entre central-lateral):

  1. Quem sai na pressão ao portador da bola são os médios interiores Milner 7 e Wijnaldum 5.
  2. Se os médios estão demasiado envolvidos no condicionamento das ligações interiores perto da saída de bola, quem sai na pressão são os laterais dos respetivos lados Arnold 66 e Robertson 26. O abandono do lateral da sua zona provoca uma necessidade de ajuste rápido dos restantes elementos da linha defensiva, o que nem sempre é feito com sucesso.
  3. Extremos reagem á entrada da bola nas suas costas e pressionam de forma agressiva o lado cego do portador da bola.

Quando adversário ganha duelo, conseguindo criar uma bola descoberta e ameaça invadir meio campo ofensivo, os elementos atrás da linha da bola controlam profundidade em contenção à espera que o resto dos elementos do bloco defensivo se reagrupe.

Este é claramente o momento que a equipa apresenta maior debilidade em organização defensiva, fruto da quantidade de elementos que coloca no condicionamento à 1ª fase de construção adversário. Quando a primeira e segunda linha de pressão são ultrapassadas com sucesso, o adversário consegue chegar com rapidez e facilidade a zonas de cruzamento e finalização. A entrada da bola na fase de criação em epígrafo descrita, quando realizada através do jogo combinado, também parece ser um fator relevante para provocar dificuldades na organização defensiva, uma vez que a circulação é feita com maior velocidade e, por conseguinte, há menos tempo para as coberturas defensivas ajustarem no portador da bola e condicionarem a decisão do mesmo. Quanto mais tempo a bola estiver descoberta no pé do adversário mais metros a linha defensiva tem de cair no campo.

Face aos ajustes que a linha média e defensiva têm de fazer para ocupar espaços abandonados por jogadores que são responsáveis por fazer cobertura defensiva ao maior envolvimento dos extremos na 1ª fase de organização defensiva para perto da zona ativa da bola (Henderson 14 Cobrir saída do Milner 7 e Wijnaldum 5; Centrais Virgul 4 e Matip 32 cobrir saídas dos respetivos laterais), podem provocar duelos 1×1 dentro da área no momento de ocupar zonas de finalização.

Transição Ofensiva

A forma como o Liverpool se configura em organização defensiva e os espaços que cada jogador ocupa é a pensar claramente no momento em que vão recuperar a bola. O facto de condicionarem a circulação da primeira fase de construção para o GR provoca, na maioria das vezes, dificuldade acrescida na entrada para a segunda fase, principalmente quando esta é feita através do passe longo. As zonas onde recuperam predominante a bola são:

  1. Nos corredores laterais (costas dos extremos).
  2. Profundidade que a linha defensiva bem subida oferece para jogar (Coberturas defensivas dos laterais ao duelo aéreo e 2ª bolas ganhas por trio de médios).

Neste momento do jogo, a equipa opta preferencialmente pelo contra ataque rápido, através do passe vertical explorando as referências mais adiantadas no campo. Apresentam também capacidade de tirar a bola da zona pressionante adversária e reorganizar o bloco para entrar em organização ofensiva.

Recuperação de bola em zonas altas – Zona 1 e 2

Neste momento, o portador da bola procura de forma rápida as três referências da frente Firmino PL 9, Salah ED 11 e Mané EE que, fruto do seu posicionamento no momento anterior estão muitas vezes nos espaços entre central-central e central-lateral. Em função da qualidade individual que apresentam são constantes ameaças á baliza adversária. Neste momento, se algum dos extremos estiver envolvido na zona ativa da bola aquando da recuperação da mesma, um dos médios interiores envolve-se na profundidade provocando duelos 1×1 ofensivos em zonas de finalização ou ocupando um espaço libertado por um possível arrastamento que o extremo possa ter provocado. A equipa tem também a capacidade de retirar bola da zona de pressão através da lateralização da bola e acelerar jogo ou não, em função dos espaços por explorar.

Recuperação de bola em zonas baixas – Zona 3

Quando a recuperação de bola é feita em zonas baixas, os interiores do lado da bola oferecem largura na saída ocupando a posição do lateral que estava responsável pelo cobertura aos centrais no ganho da profundidade. Esta solução na largura provoca arrastamentos do corredor central para o lateral que, por sua vez, uma das referências mais adiantadas, Firmino PL 9 vai explorar. No mesmo timing em que o ponta de lança explora espaço interior em apoio, os dois extremos, Salah 11 ED e Mané EE, promovem movimentos de rutura na profundidade na tentativa de explorar o espaço libertado pelo movimento do último. O portador da bola fica assim com uma diversidade de soluções (lateralização através do interior, passe interior no pé pelo Firmino, ou espaço nos extremos que exploram a profundidade).

No momento de transição ofensiva, o trio mais ofensivo da equipa (Firmino 9 , Salah 9 e Mané 10), apresenta-se como a maior ameaça para o adversário devido à sua qualidade técnica e intensidade física e mental que colocam no movimento que realizam e na decisão.

Artigo produzido por Gonçalo Teixeira e Fábio Nuno