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ENQUADRAMENTO PRÉ-JOGO

No primeiro jogo do Sporting após a saída de Bruno Fernandes para o Manchester United, o jogo entre SC Braga e Sporting estava desde logo “ligado” a essa ausência de peso na equipa de Alvalade e, ao mesmo tempo, saber que sistema e dinâmicas, não só em termos do próprio 11 mas também em termos estratégicos, Jorge Silas iria utilizar neste encontro.

Esta partida, para além da já falada ausência de Bruno Fernandes, marcava também a reedição do jogo da meia-final da Taça da Liga (disputado a 21 de Janeiro: vitória 2-1 do SC Braga) entre estes dois emblemas.

Do lado leonino, para além de Bruno Fernandes, Mathieu era ausência confirmada devido a lesão. Por seu lado, Rúben Amorim sabia de antemão que não poderia contar com Palhinha (emprestado pelo Sporting) nem com Raúl Silva (lesionado), para este desafio.

Em momentos exibicionais e anímicos diferentes (SC Braga com 5 vitórias nos últimos 5 jogos e Sporting com 2 vitórias nos últimos 5 jogos, a contar para todas as competições) as duas equipas chegavam a este confronto sabendo que, e fruto do empate do Famalicão na passada sexta-feira no reduto do Rio Ave (2-2), poderiam alcançar de forma isolada o 3º lugar da tabela classificativa.

Para tal, aos comandados de Rúben Amorim só a vitória interessava, ao passo que do lado do Sporting a vitória permitia cavar uma diferença de 3 pontos relativamente a Famalicão e 5 pontos em relação ao SC Braga. O empate, deixaria o Sporting no 3º posto com mais 1 e 2 pontos sobre Famalicão e SC Braga, respetivamente.

Em suma, à partida para este embate no Minho, os motivos de interesse eram variados para termos e assistirmos a mais um jogo de qualidade no nosso campeonato.

SISTEMAS DE JOGO

O SC Braga apresentou-se no seu sistema habitual, 1x3x4x3. David Carmo foi a principal novidade no 11 de Rúben Amorim, sendo que fez alinhar ainda nesse mesmo 11 dois jogadores que não vinham sendo utilizados de forma muito consistente, Wallace e André Horta.

Silas, optou de início pelo sistema de jogo 1x3x5x2. Uma defesa a 3 com Neto, Coates e Borja. As alas entregues à direita a Ristovski e a Acuña à esquerda. Num meio-campo a 3 (1+2) , Battaglia foi o responsável pela posição 6, Wendel como médio sob a direita e Eduardo sob o corredor esquerdo. Camacho e Sporar, fizeram dupla na frente do ataque.

ANÁLISE AO JOGO

SC BRAGA

Na fase de construção (a 3), a equipa procurou mais vezes e de forma mais fluída e apoiada, sair a jogar pelo corredor direito através de Wallace.

Fransérgio (sempre com grande critério no transporte e na decisão de passe), era o principal elo de ligação entre a fase de construção e fase de criação do processo ofensivo, numa fase inicial.

Nessa ligação, inicialmente interior, a ideia passava por atraír Ristovski ao corredor central para depois libertar espaço nas costas para o ataque à profundidade de Galeno. Com o macedónio a medir em alguns desses momentos mal as entradas para pressão em zonas mais interiores, Coates ficava mais exposto a situações de 1×1 com Galeno. Ambos (Coates e Ristovski viram amarelos ainda dentro dos primeiros 20 minutos).

Acuña e Borja (dificuldade inicial no fecho e controlo da largura), denotaram também eles alguma dificuldade de timing de entrada para pressão, quando a bola entrava no espaço entre-linhas (corredor central), aquando do momento de entrada da bola, nesse mesmo espaço, em Fransérgio, Paulinho ou André Horta.

Ainda no corredor central, estes elementos, procuravam receber bola nas costas dos médios do Sporting, de forma a enquadrarem-se com o jogo acelerando-o em progressão ou passe, para depois a equipa poder explorar os espaços libertados pelo Sporting, em especial os espaços anteriormente referidos.

Maior exploração dos corredores laterais à esquerda através de Galeno e à direita a partir de Esgaio.

Isto acontecia, aquando do posicionamento alto do Sporting no sentido de condicionar/pressionar a saída apoiada desde trás do Braga: Paulinho nas entre linhas + ligação por Fransérgio: chamar/atraír à pressão alta do Sporting: fazer saltar médios do corredor central: Eduardo + Battaglia para pressão + acelerar jogo por fora.

Ricardo Horta e Galeno com constantes arrastamentos de fora para dentro para libertarem Esgaio e Sequeira, ou com movimentos interiores para se juntarem dentro a Paulinho – zonas de finalização – Galeno (em particular) com movimentos típicos para atacar profundidade da última linha defensiva.

SPORTING CP

Boa entrada no jogo com tentativa de condicionar ligações do Braga no corredor central + pressão/condicionamento alto.

Com uma defesa a 3, Acuña e Ristovski ficaram responsáveis por oferecer largura e profundidade aos corredores laterais.

Muita largura no ataque do Sporting, mais investidas pela esquerda por Acuña, em organziação ofensiva ou mesmo em momento de TO.

Construção a 3 : DC’s + Borja. Eduardo em alguns momentos a vir à esquerda entre Neto e Borja para ligar jogo, assim como Battaglia sob a direita.

Wendel, Battaglia e Eduardo bem a ligar a fase de construção-criação, mostrando-se fortes e disponíveis na saída em progressão com bola, a partir do corredor central.

Na forma mais longa, (passes longos) solicitações para Sporar atacar profundidade das costas da última linha.

Camacho (com maior liberdade), mais perto de Sporar (mais fixo) na frente de ataque, a cair em alguns momentos sobre a esquerda para se associar com Acuña e Wendel.

Organização Defensiva em 1x5x3x2 (Acuña e Ristovski fechavam largura dos corredores. Borja mais dentro: linha de 5) – tentativa de condicionar saída do Braga pelo seu lado direito com colocação de mais jogadores sob o corredor esquerdo: Wendel posicionado mais perto do trio do meio-campo,

Bloco alto a tentar travar saída desde trás do Braga: algumas referências de marcação H-H.

1x5x4x1 ou mesmo 1x5x1x3x1, a defender em bloco baixo passando em alguns períodos (Braga com bola nos corredores laterais em zonas altas/muito altas) mesmo a linha de 6, libertando algum espaço à entrada da área para o Braga poder finalizar através de remate exterior.

MOMENTO DO JOGO: SUBSTITUIÇÃO DE SEQUEIRA POR TRINCÃO + GOLO

Rúben Amorim fez entrar Trincão aos 65’ para o lugar de Sequeira. Com esta alteração, Ricardo Horta passou a jogar sob o lado esquerdo do ataque e Galeno passou para a posição de ala esquerdo. Trincão colocou-se assim no lado direito do ataque.

Braga ganhou maior capacidade de profundidade e velocidade desde trás e a partir dos corredores laterais: Galeno + Esgaio e consequentemente ganhou mais (mais presença) chegada na área.

GOLO: Saída desde trás do Braga com a bola a entrar no corredor direito. Esgaio fixou Borja “obrigando” Neto a saltar na pressão (muito alta) a Trincão. A bola acaba por passar por Neto. Trincão, progrediu pelo corredor direito (muito espaço), fazendo a bola entrar em Fransérgio (corredor central) que com um último passe desmarca Ricardo Horta já dentro de área. Paulinho arrasta a marcação do adversário, e nas suas costas e nesse espaço libertado, aparece Galeno a finalizar para corte de Neto em cima da linha de golo. Na sequência do corte, a bola fica à mercê de Trincão que, vindo de trás, finaliza de forma fria e inteligente, fazendo aquele que seria o único golo da partida, ao minuto 76.