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Shanghai SIPG de Vítor Pereira

A época 2018 entrou para a história do futebol chinês e do Shanghai SIPG. A equipa comandada por Vítor Pereira conquistou o seu primeiro título desde que passou a disputar a elite do futebol nacional em 2013 e pôs fim à hegemonia de sete anos de títulos consecutivos do Guangzhou Evergrande.

Vítor Pereira assumiu ainda em dezembro de 2017 substituindo o também português André Villas-Boas. Sob o seu comando, o Shanghai SIPG venceu a Super Liga da China, além de ter chegado às oitavas de final da Champions League da Ásia (eliminado pelo campeão Kashima Antlers) e às quartas de final da Copa da China (eliminado pelo finalista Beijing Guoan).

Na maior parte da época, o Shanghai SIPG variou a sua disposição tática entre o 4-3-3 e o 4-2-3-1 atuando em alguns poucos momentos específicos em formações com três zagueiros.



ORGANIZAÇÃO DEFENSIVA

O Shanghai SIPG varia o seu bloco defensivo em alto e médio. Na hora de pressionar a saída de bola adversária, a linha defensiva se adianta para manter a compactação da equipe (bloco alto). Caso o oponente mantenha a posse de bola e progrida no campo de jogo, a linha defensiva se posiciona no meio-campo evitando ao máximo entrar em sua própria área (bloco médio).

Quando houver possibilidade, a linha defensiva do Shanghai SIPG irá se adiantar para se aproximar dos homens de meio-campo. E sempre mantendo compactação e poucos espaços entre os jogadores e setores. Vale salientar o importante trabalho dos extremos da equipa na recomposição pelos lados do campo. Nota-se também que o Shanghai SIPG sempre exerce uma pressão ao portador da bola.


ORGANIZAÇÃO OFENSIVA

O Shanghai SIPG busca sempre uma saída de jogo pelo chão desde o seu goleiro Yan Junling. Os meias Oscar e Odil Akhmedov são primordiais na fase de construção da equipa e sustentam a saída junto aos zagueiros (se o uzbeque não estiver em campo, só Oscar o fará e vice-versa). Não são raras as inversões de lado buscando os jogadores do lado oposto tentando pegar a defesa adversária desprevenida.

Caso não seja possível progredir pelo chão (seja por conta de uma boa marcação do adversário ou pela dificuldade de grande maioria dos jogadores chineses em ter a bola nos pés), o Shanghai SIPG se utiliza de bolas longas buscando os atacantes mais físicos do elenco: Hulk e Elkeson (além da questão física, ambos têm capacidade para gerar jogo longe da área). Ajuda neste caso ter bons lançadores no elenco (algo que também ocorre com as demais equipas chinesas).

Dos brasileiros pode-se buscar jogo com os meias, em especial Oscar pela sua visão de jogo, capacidade de criação e de verticalizar o jogo em direção à baliza adversária, ou laterais ou buscar Wu Lei que está sempre procurando por espaços em profundidade entre os defensores.


TRANSIÇÃO DEFENSIVA

Com os laterais à base das jogadas de ataque, o Shanghai SIPG geralmente se encontra em situações de superioridade numérica no início da transição defensiva (na maioria das situações estão os quatro defensores e o meia Cai Huikang). Ao perder a bola, a ordem é pressionar o portador para tentar recuperar a bola o mais rápido possível.

Mas se a bola for perdida em regiões próximas à própria área do Shanghai SIPG ou em situações em que a equipa esteja distante dos defensores, os jogadores formarão um funil tentando impedir o avanço pelo corredor central do gramado e dando mais espaços pelos lados. Enquanto isso, os demais jogadores da equipa retornam em velocidade para auxiliar a defesa de sua área.


TRANSIÇÃO OFENSIVA

A equipa não perdeu uma de suas características que já vem da época de André Villas-Boas: ser fatal ao atacar em velocidade. Muito, também, por conta das características de seu quarteto ofensivo protagonizado por Oscar, Hulk, Wu Lei e Elkeson, jogadores de total imprevisibilidade quando podem atacar com espaço e em velocidade.

O Shanghai SIPG é agressivo para subir as linhas de marcação e pressionar o seu adversário e quando consegue recuperar a bola a ordem é acelerar o jogo em direção à baliza de seu oponente. Caso não seja possível avançar em velocidade, o Shanghai SIPG manterá a posse da bola até se organizar no campo de ataque e assim progredir até a baliza adversária.


BOLAS PARADAS

Defensivamente, o Shanghai SIPG adota uma postura de marcação mista com mais jogadores marcando por zona com um jogador em cada trave (um colado na trave de onde se bate o escanteio e o outro distante, mas na direção da outra trave) e entre um a três jogadores marcando individualmente os melhores cabeceadores do adversário (o médio Cai Huikang é sempre um dos escolhidos por conta de seu bom aproveitamento no jogo pelo alto).

Ofensivamente, Oscar (destro) é o encarregado da maioria das cobranças de escanteios com Hulk (canhoto) cobrando ocasionalmente. Quando o escanteio vem da direita, o médio brasileiro costuma cobrar em regiões da primeira trave ao centro da área. Já quando a cobrança vem da esquerda, Oscar costuma cobrar em regiões do centro da área à segunda trave. Os jogadores alvos na área geralmente são Elkeson, Hulk, Wu Lei e Yu Hai.

Ao final da Super Liga da China 2018, o Shanghai SIPG marcou 77 gols (segundo melhor ataque) e sofreu 33 gols (defesa menos vazada empatado com o Jiangsu Suning). Wu Lei terminou como o artilheiro da competição com 27 gols marcados e Oscar bateu o recorde de assistências em uma temporada com 18 passes para gols. No quadro abaixo é possível ver o desempenho dos principais jogadores ofensivos da equipa na Super Liga.