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FC Vizela | O regresso da ‘Força Azul’

O Vizela Futebol Clube está de regresso à Liga Pro, após a participação na 2ª Liga em 2016/2017, onde o Vizela lutava pela subida de divisão. Seguiram-se dois anos consecutivos a cair nos quartos de final, curiosamente para o mesmo adversário: o Vilafranquense.

Álvaro Pacheco foi o escolhido para guiar o Vizela esta temporada. Trocou o Fafe pelo Vizela e voltou a fazer um bom trabalho. Líder desde a jornada dois do campeonato, o Vizela foi a equipa que mais pontuou no Campeonato de Portugal, um total de 60 pontos.

A ‘Força Azul’ está de volta à 2ª Liga!

XI Base

XI Base Vizela FC – 19/20

A equipa estrutura-se num 4-3-3 clássico, com um médio mais defensivo e dois mais ofensivos. Na baliza há três guarda redes que fizeram parte do XI base desta temporada: Rafa Alves, Cajó e Ivo Gonçalves. Rafa Alves e Cajó fizeram 11 jogos cada um, Ivo Gonçalves chegou já no decorrer da temporada, tendo feito apenas 7 jogos.

Na linha defensiva, Koffi, João Faria e Kaká foram os donos dos seus lugares. Aidara e Matheus Costa dividiram a titularidade entre si. No meio campo, Ericson foi o detentor da posição ‘6’, sendo acompanhado por Ervard Zag e André Soares. Landinho e Samu iam sendo apostas recorrentes. Na frente de ataque, Kiko Bondoso e Diogo Ribeiro são os destaques, não só pelos golos, mas pela importância que têm para a equipa.

Organização Ofensiva

Ofensivamente o Vizela estrutura-se num 4x1x4x1, com um médio defensivo e dois mais ofensivos. Procuram jogar um futebol apoiado, de pé para pé.

Na 1ª fase de construção, constroem a três, baixando o médio defensivo e formando uma linha de três com os dois centrais. Os laterais projetam-se e, consecutivamente, os dois extremos deslocam-se para o meio, abrindo espaço para a progressão dos laterais. Se forem pressionados, optam por explorar a referência ofensiva (Diogo Ribeiro).

Na 2ª fase, a fase de criação, o Vizela tenta criar pelos corredores laterais. Seja através de passe curto ou passe longo, o objetivo é que os laterais consigam procurar a profundidade e jogar em constantes overlaps. Os dois extremos (Kiko Bondoso e João Mendes) são dois jogadores tecnicistas, que gostam de jogar com bola no pé e que criam desequilíbrios através de ações em passe ou condução de bola. O seu constante posicionamento em zonas interiores permite que os dois centrais ou o médio defensivo tenham uma linha de passe entre as linhas defensivas do adversário.

O Vizela utiliza bastante o princípio de recuar para progredir. Se o adversário fechar bem as suas linhas e não oferecer espaço, a equipa recua a bola até aos centrais, atraindo o adversário e abrindo espaços para consecutivamente explorar.

No último terço, atacam muito bem as zonas de finalização (primeiro e segundo poste e marca de grande penalidade). Diogo Ribeiro é um jogador com uma enorme preponderância no jogo dentro da área.

Organização Ofensiva – Vizela 19/20

Organização Defensiva

No processo defensivo o Vizela defende em 4x3x3, com os três médios em linha. Jogam em bloco médio-alto, pressionando bastante o adversário. Os três avançados e os três médios exercem uma pressão grupal, obrigando o adversário a jogar um futebol direto. Os três jogadores do meio campo trocam de posição conforme os momentos do jogo, já que exercem pressão homem a homem. É também comum ver-se o médio mais defensivo a pressionar ao lado do ponta de lança.

A linha defensiva é extremamente alinhada, tendo uma grande preocupação com o controlo da profundidade. Em virtude da pressão exercida pelos homens da frente, a probabilidade de o adversário tentar explorar as costas da defesa é muita. Daí que a linha defensiva mantenha um alinhamento muito positivo e esteja com constante atenção às suas costas, baixando rapidamente as linhas e encurtando o espaço.

Organização Defensiva – Vizela 19/20

Destaques Individuais

Koffi Kouao

O jovem da Costa do Marfim de apenas 21 anos foi um dos pilares na caminhada da equipa de Vizela até à promoção, tendo sido utilizado em 20 jogos e apontado 1 golo até à interrupção do Campeonato de Portugal.

Chegou a Portugal em Janeiro de 2017 e ainda com idade de Júnior (18 anos) completou 8 jogos na 2ª Liga, desempenho este que lhe valeu o salto para a divisão maior do futebol português pela mão do Moreirense. Em Moreira de Cónegos a adaptação acabou por não ser a melhor e completou cerca de 800 minutos de utilização durante a temporada. Na época seguinte passou pelo Famalicão e regressou a meio da temporada a Vizela, tendo tido utilização residual em ambos os emblemas.

Para o defesa direito a temporada 2019/2020 serviu como afirmação no futebol sénior, tendo se destacado pela regularidade e consistência apresentada. Com 1.73m e 67kg, faz-se notar fisicamente pela sua resistência e velocidade elevadas, fazendo um vaivém constante no corredor direito.

Sendo regular defensivamente e forte no capítulo do desarme, necessita ainda de melhorar a sua ocupação de espaços defensivos e a marcação individual. Ofensivamente é onde mais brilha, uma vez que quando a sua equipa inicia a 1ª fase de construção, automaticamente sobe no terreno e junta-se à linha média para dar mais opções ao jogo ofensivo da equipa. Devido à sua velocidade e à sua capacidade técnica, é um jogador bastante competente na progressão com bola, gostando bastante de explorar a profundidade junto à linha.

Diogo Ribeiro

Diogo Ribeiro é sinónimo de golos em Vizela. Com 21 jogos (1835 minutos), apontou a bela marca de 22 golos, que lhe dá uma média de 1 golo apontado a cada 83 minutos.

Formado no Sporting CP e na Académica, Diogo Ribeiro está aos 29 anos numa fase de carreira diferente dos outros 2 jogadores que destacamos da equipa de Vizela, uma vez que esteve durante 8 temporadas no futebol profissional (onde até se chegou a estrear na 1ª liga) e representou 10 clubes no futebol sénior.

Diogo Ribeiro é o estereótipo de ponta de lança moderno que se enquadra na perfeição no que o esquema tático da equipa de Vizela pede ao seu elemento mais ofensivo. Não sendo um “armário” (1.84m e 78kg), dá água pela barba às defesas contrárias muito devido à diversidade do seu jogo, sendo um jogador que prima pelo seu posicionamento ofensivo dinâmico, que demonstra um QI elevado adaptando-se às situações que o jogo lhe oferece e que tanto pode jogar de costas para a baliza dando apoio aos seus colegas, como pode ser mais vertical e aparecer mais em zonas de finalização.

Sendo bastante eficaz e prolífero na finalização, apontou 42 golos nas duas últimas temporadas e arrisco-me a dizer que está a atravessar a melhor fase da sua carreira.

Kiko Bondoso

Kiko Bondoso é uma das certezas do Campeonato de Portugal e a temporada de 2019/2020 onde apontou 12 golos em 28 jogos, não pode ter sido surpresa para ninguém. Formado no Moimenta da Beira (de onde é natural) o extremo polivalente de 24 anos, já leva 155 jogos e 34 golos no Campeonato de Portugal e encontra-se numa fase de carreira em que mais do que justifica a oportunidade em divisões superiores.

Podendo atuar em ambas as faixas do ataque e usar com qualidade os dois pés, foi a partir da faixa esquerda do ataque do Vizela, que foi fazendo estragos esta temporada. De fisionomia esguia (1.71m e 65kg) destaca-se fisicamente dos demais pela sua agilidade e velocidade, procurando bastantes vezes o espaço interior.

Tecnicamente é um jogador bastante evoluído para o nível onde está inserido, tendo uma capacidade e velocidade de execução a cima da média, que lhe conferem uma excelente capacidade no drible e nos 1vs1 ofensivos. Trata-se de um jogador rápido e que aparece muito bem, tanto em terrenos interiores como mais junto à linha. Aos golos que apontou somaram-se ainda 9 assistências, que validam a sua excelente capacidade no último passe, definindo na maioria das vezes rápido e bem.

Autores: João Tavares & André Zeferino