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A incerteza do regresso

Voltaram. Eles. Nós. As borrachas nas meias. A correria. Os gritos. Os “até já pai/mãe”. O “não fica quieto”. Os minutos.

Começaram as medições de temperatura. O álcool gel nas mãos. A desinfestação das bolas. As estações. O “não se aproximem do colega”.

Regressamos com uma exigência mais específica mas com a mesma exigência de sempre. Queremos sempre mais e sabemos que o que temos nunca será suficiente.

Neste regresso tão esperado, não deixamos de temer o amanhã. Não definimos uma data para que tudo isto acabe, todavia somos a possibilidade mais próxima de o travar dentro dos relvados. Acreditamos que o voltar à rotina não é próprio para o que, potencialmente, se aproxima. No entanto, faremos o que estiver ao nosso alcance para que a vitória continue a ser o resultado mais desejado, trabalhado e momentâneo que temos.

Faz parte do quotidiano adaptarmo-nos ao contexto onde a presença dos adeptos é contínua fora deles. Faz parte do agora, vivermos a jogar juntos mas sempre separados. Faz parte de há uns meses para cá, não se poder dar o melhor uso de levantar o colega pela mão, quando o único gesto mais próximo desse é um aceno e um grito assoberbado a dizer “levanta-te”. Faz parte dos novos dias querermos a rotina normal ao invés de vivermos a anormalidade dentro da nova realidade.

É, parece que o entusiasmo vai voltando aos poucos, mas a alegria de jogar ainda poderá estar à porta dos relvados por mais de 90 minutos.